Sistema em campo bruto reduz custos da lavoura de arroz
Teka Gasparotto Oficina de Idéias - Assessoria de Comunicação - Porto Alegre-RS
Enquanto a maioria dos produtores que adota sistemas convencionais de plantio direto para o arroz se encontra agora em preparo do solo, cresce cada vez mais o número de agricultores gaúchos que somente a partir de setembro vai começar a se preocupar com a lavoura da safra da virada do milênio. Quando a primavera chegar, os arrozeiros estarão colocando em ação a técnica de irrigar o arroz no plantio direto em campo bruto, que reduz os custos em 20%. E é quando a nova estação der o ar de sua graça que o agricultor gaúcho vai desembolsar dinheiro, quatro meses depois do que tradicionalmente começam a gastar para o plantio os que optam pelo sistema convencional de irrigar a mais tecnificada cultura do país. A implantação do sistema de plantio direto de arroz irrigado em campo bruto ocorreu em 100 hectares semeados na safra 95/96 pela Cabanha Azul - Grupo Macedo, de Quaraí (RS). Quatro safras depois, a tradicional propriedade rural gaúcha chegou à conclusão que o bom resultado poderia ser divulgado. Tanto em termos de produtividade, que alcançou 6.600 quilos por hectare, quanto em economia de custos, com o uso de menos despesas envolvendo funcionários e equipamentos. O desempenho levou à cabanha a ampliar a área plantada em 850 hectares. ”A principal diminuição é no capital investido porque, com a grande diminuição na utilização de equipamentos e tratores, gastamos menos recursos. Hoje, custo financeiro é elemento-chave para se obter resultados positivos em uma propriedade rural”, resume o diretor responsável pela produção de arroz da cabanha, João Vieira de Macedo Júnior. A instalação do método começa com a escolha do terreno. O solo que apresentar vegetação excessiva, como capim-caninha, por exemplo, é roçado entre março e abril, período que propicia a decomposição do material. Assim, evita a concorrência de nitrogênio no momento da instalação da lavoura de arroz. ”O sistema dispensa trabalhos anteriores no solo, uma vez que preserva a estrutura da terra, dando sustentação às máquinas”, explica o agrônomo Geraldo Lauro Trojahn, gerente da área de arroz da propriedade de Quaraí. Para plantar a lavoura desta safra, a empresa utilizou apenas oito tratores de 100 hps, com uma média de 0,6hp por hectare, índice considerado de baixa depreciação das máquinas. Com a menor utilização deste tipo de equipamento, igualmente diminui a necessidade de mão-de-obra. Na Azul, um aguador tem perfeitas condições de atender bem uma área de até 70 hectares, bem acima da maioria das demais propriedades. Entre os ingredientes da receita do Grupo Macedo está algo importante: a área a ser plantada é entaipada logo após usando uma taipadeira de base larga. A providência evita o excesso de filtração e a diferença de compactação entre o campo nativo e a própria taipa, esclarece Trojahn. No plantio, a densidade sugerida é de 170 quilos de semente por hectare. Quando a taipa ficar muito baixa após a semeadura, é preciso recompô-la. O herbicida somente é aplicado em setembro. E a irrigação começa tão logo as plantas apresentem condições de suportar a lâmina d’água, evitando a instalação de invasoras. A partir da receita da cabanha, a irrigação deve ser suprimida 10 dias antes de começar a colheita do grão. Como o solo não foi preparado, acaba conservando sua estrutura. Desta forma, o piso permanece em perfeitas condições, livre do rastro de máquinas, pronto para receber os animais que serão engordados para posterior abate. ”É uma filosofia de trabalho, permitindo uma perfeita integração da lavoura com a pecuária”, afirma o agrônomo Marcelo Márcio Silveira, da Cooplantio de Alegrete. Verdadeiro catequisador do sistema, Silveira tem ministrado cursos e palestras explicando as vantagens para a terra e o bolso dos arrozeiros que optarem por esta nova e aprovada técnica. Um dos produtores que passou a adotá-la nesta safra foi Abílio Nogueira de Oliveira, presidente do Sindicato Rural de Alegrete. Sem mexer na estrutura do solo, o cultivo de 20 hectares ficou 25% mais barato do que o do convencional, explica João Otávio Duarte de Oliveira, filho do dirigente e estudante de Agronomia em Uruguaiana, na divisa com a Argentina. ”Estamos surpresos com o resultado registrado, tanto que já decidimos ampliar a área para cem hectares na próxima safra”, afirma o acadêmico.
Os benefícios
O sistema diminui em cerca de 20% os custos de produção
A técnica permite índices de produtividade iguais às demais
O uso de equipamentos é menor. O método provoca menor desgaste e depreciação das máquinas.