O futuro da agricultura
Cláudio Dóro Engenheiro Agrônomo, Emater - Passo Fundo
A agricultura rentável e competitiva obrigatoriamente terá que ser sinônimo e consequência de uma agricultura eficiente, e, para consegui-lo, necessariamente a solução é proporcionar às famílias rurais as tecnologias e a capacitação para que saibam corrigir ou eliminar as graves distorções técnico-produtivas, de administração rural, de processamento, de armazenagem e de comercialização, porque são elas e não necessariamente a falta de subsídios que estão impedindo que a agricultura seja uma atividade rentável e competitiva. Estas distorções provocadas pela falta de conhecimentos, cuja importância os produtores subestimam, geralmente lhes causaram muitíssimos mais prejuízos econômicos que a falta de créditos, subsídios e protecionismo que eles insistem em superestimar, pois o conhecimento emancipa os agricultores das dependências, os subsídios as perpetuam. É imprescindível que os agricultores tecnifiquem as suas culturas e criações, pois cada vez mais o crédito rural oficial será seletivo, escasso e menos subsidiado. Devem cada vez mais saber utilizar os fatores de produção, próprios ou adquiridos em forma de parceria, proporcionando aos referidos fatores as condições mais favoráveis para que cada unidade de fertilizante, maquinaria, animal ou terra, possa expressar todas as suas potencialidades e, desta maneira, produzir uma maior quantidade de produto. Atualmente, os insumos intelectuais e as tecnologias de processo deverão preceder, potencializar ou substituir os insumos materiais e as tecnologias de produto. O conhecimento é o maior instrumento emancipador do agricultor, isso porém não significa desvincular os agricultores dos mercados e das modernas cadeias agroindústrias, mas sim eliminar progressivamente aquelas dependências que são necessárias, prescindíveis e até prejudiciais aos seus interesses. Os agricultores deverão agrupar-se para que além de encarregarem-se da etapa de produção, também possam assumir e em forma gradual ir transformando-se em proprietários de outros elos ou etapas do negócio agrícola, como por exemplo, a autoprodução de alguns insumos e o processamento agroindustrial e a comercialização dos seus excedentes. Os agricultores não devem perder inutilmente seu tempo na humilhante atitude de mendigar medidas perpetuadoras de dependência (crédito subsidiado, alíquotas de importação compensatória, etc.) mas sim utilizá-lo em atitudes dignas de exigir que os governos lhe proporcionem instrumentos emancipadores, como: estímulo à organização, tecnologias, formação e capacitação para que eles mesmos possam corrigir as distorções que causam a falta de rentabilidade (ineficiências tecnológicas, gerenciais e organizacionais). Por esses motivos os agricultores terão que buscar soluções para os seus problemas em instituições como a Emater/RS, porque nós difundimos o fator conhecimento, o único que tem capacidade de torná-los menos vulneráveis às oscilações de mercado e possuímos importância estratégica no desenvolvimento das comunidades rurais. Devemos agir através de fatos concretos e não só com palavras, que tenham real capacidade de atuação como agentes de ”desenvolvimento” das potencialidades das famílias rurais, com o propósito de transformar cada uma delas em protagonista do seu próprio desenvolvimento. Deveremos dar mais ênfase no saber que ao ter, mais no ”como fazer” que no com que fazer e, assim agindo, salvaremos a agricultura desse estado de inércia, de dependência dos especuladores e estaremos legitimando nossa empresa como entidade protagonizadora e transformadora do produtor rural em empresário rural.