Modos de aplicação de fósforo para uma sequência de culturas em plantio direto
Delmar PöttkerPesquisador do Centro Nacional de Pesquisa de Trigo, Caixa Postal 569, 99001-970, Passo Fundo, RS.
Diversos trabalhos foram realizados para avaliar modos de aplicação de fósforo sob o sistema convencional de preparo do solo (aração + gradagens). A mesma ênfase não tem sido observada para o sistema plantio direto (SPD). No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina recomenda-se (ROLAS, 1995) aos agricultores, antes de adotarem o sistema de cultivo mínimo ou o SPD, aplicarem os fertilizantes fosfatados e potássicos a lanço, fazendo a incorporação dos mesmos na camada arável. As aplicações posteriores podem então serem feitas nas linhas de semeadura ou a lanço, na superfície do solo. No entanto, essa última recomendação carece de informações técnicas, uma vez que não se considera o teor de P, ou de K, disponível no solo. Assim, é lícito imaginar, que a eficiência desses dois modos de aplicação de P2O5 deve variar de acordo com a disponibilidade de P no solo. Para comprovar essa hipótese, dois experimentos foram iniciados em 1994, um em solo com teor alto de P (Passo Fundo, 13,6 mg P/dm3 de solo) e outro em solo com teor médio de P (Marau, 4,3 mg P/dm3 de solo), sendo que o primeiro apresenta 420 g de argila/kg de solo e o segundo apresenta 630 g de argila/kg de solo. Os experimentos foram conduzidos com uma única dose de P2O5, que, em dois cultivos, não foi a mesma para os dois locais. Nitrogênio e potássio também foram aplicados em todos os cultivos. Foi possível observar que no solo com alto teor de P não houve resposta a aplicação de P2O5 nas culturas de trigo, soja, aveia e milho (1995/96), havendo efeito negativo da aplicação de P2O5 nas linhas de plantio do milho, em 1996/97, motivadas por deficiência de zinco (Tabela 1). O experimento mostrou que é possível realizar vários cultivos sem a aplicação de P2O5, o que resulta em redução dos custos de produção. O experimento conduzido em solo com teor médio de P (Marau) mostrou que tanto a aplicação de P2O5 em linha como a lanço aumentaram o rendimento de grãos de trigo, sendo a aplicação em linha mais eficiente que a aplicação a lanço. Soja e aveia mostraram resposta a aplicação de P2O5, sem apresentarem diferenças, no rendimento de grãos, quanto aos modos de aplicação (Tabela 2). Os cultivos de milho (1995/96 e 1996/97) foram perdidos devido as secas ocorridas nos dois anos. No entanto, foi possível observar, no período vegetativo, que a aplicação nas linhas de semeadura do milho seria mais eficiente que a aplicação a lanço.
Tabela 1. Rendimentos de grãos das culturas de trigo, soja, aveia branca e milho em resposta a diferentes modos de aplicação de fósforo, em Passo Fundo, RS.
Tratamento
Rendimento de grãos
Trigo
Soja
Aveia
Milho
..... (t/ha) .....
1. Sem fósforo
1536
2684
2124
5260
8319
2. Fósforo em linha em todos os cultivos
1517
2793
2153
5734
7763
3. Fósforo a lanço em todos os cultivos
1463
2660
2182
5381
8504
4. Fósforo em linha no inverno e a lanço no verão
1462
2598
2110
5310
8239
5. Fósforo a lança no inverno e em linha no verão
1422
2813
2181
5684
7853
6. Fósforo a lanço no trigo, soja e aveia, e em linha no milho
1512
2722
2116
5528
7980
F
0,54 n.s.
2,81 n.s.
0,26 n.s.
1,30 n.s.
2,20 n.s.
C.V. (%)
7,89
3,58
5,95
6,32
4,82
Tabela 2. Rendimentos de grãos das culturas de trigo, soja e aveia e de máteria seca do milho em resposta a diferentes métodos de aplicação de fósforo, em Marau, RS.
Tratamento
Rendimento de grãos
Mat. Seca
Trigo
Soja
Aveia
Milho
..... (t/ha) .....
1. Sem fósforo
861 c
2036 b
1140 b
3694 d
2. Fósforo em linha em todos os cultivos
1977 a
2808 a
2008 a
8393 ab
3. Fósforo a lanço em todos os cultivos
1642 b
2945 a
2021 a
7474 c
4. Fósforo em linha no inverno e a lanço no verão
2023 a
2809 a
2173 a
7650 bc
5. Fósforo a lanço no inverno e em linha no verão
1685 b
2797 a
2030 a
8357 ab
6. Fósforo a lanço no trigo, soja e aveia e em linha no milho
1681 b
2844 a
2116 a
8568 a
F
26,38**
9,88**
19,43**
38,61**
C.V. (%)
9,88
7,82
9,12
9,08