Produtividade da cultura do milho
Produtividade da cultura do milho (Zea mays L.) e da soja (Glycine max (L.) Merril) sobre diferentes coberturas de inverno no Sistema Plantio Direto, no Município de Rio Verde-GO.*
Flávio Soares da SILVA1, Gilson Pereira SILVA2, Marcos Pereira BATISTA1, Renato Lara de ASSIS2. 1. Graduando em Agronomia pela ESUCARV – Rio Verde – GO.2. Departamento de Agronomia da Escola Superior de Ciências Agrárias de Rio Verde - ESUCARV, Campus Universitário, Caixa Postal 104, CEP 75901-970, Rio Verde - Goiás.
O plantio direto (PD) é um sistema de cultivo que, em contraste com o chamado preparo convencional (PC), preconiza o não revolvimento do solo para o plantio das culturas. O plantio é feito com o mínimo de mobilização do solo, somente a linha de plantio é revolvida para depositar o adubo e as sementes. O uso do PD pelos agricultores do Cerrado tem aumentado rapidamente, mas os trabalhos de pesquisa são relativamente recentes e os resultados ainda não são de todo conclusivos. O presente trabalho apresenta os resultados da safra de verão 97/98 na área experimental da FESURV/ESUCARV para as culturas do milho e da soja. A área experimental constou de dois talhões, um onde foi plantado o milho e outro a soja. Os talhões foram subdivididos em glebas menores (de 1.500 a 2.000 m2) no inverno para o plantio de diversas culturas em safrinha (Tabelas 1 e 2), que serviram para a produção de cobertura, e no verão foram plantados o milho e a soja. A precipitação pluviométrica no período foi de 26mm, 71mm, 244mm e 277mm para os meses de setembro, outubro, novembro e dezembro de 1997, e de 233mm, 246mm, 132mm e 89mm para os meses de janeiro, fevereiro, março e abril de 1998, respectivamente. As adubações e os respectivos tratos culturais foram realizados de acordo com as exigências e recomendações para cada cultura. Nas glebas em que foram plantadas as culturas de verão, sobre as culturas em safrinha, foram realizadas cinco amostragens ao acaso em 20m lineares e duas linhas das culturas do milho e da soja; procedeu-se a colheita manual, secagem e pesagem dos grãos. Os resultados obtidos foram submetidos a análises estatísticas com o auxílio do programa SAEG. A maior produtividade do milho (Tabela1) foi obtida sobre a gleba de feijão guandu em safrinha, seguida da gleba de níger, entre as quais não se registrou diferença significativa. O feijão guandu não recebeu qualquer tipo de adubação em safrinha. A maior produtividade alcançada, deve-se possivelmente a fixação de nitrogênio e menor compactação do solo provocada pelo sistema radicular agressivo desta cultura. Na gleba da cultura do níger a produtividade deve estar relacionada com a diminuição de ervas daninhas provocada pela boa produção de massa desta cultura. A produtividade da soja (Tabela 2), foi estatisticamente igual na maioria das glebas. Na gleba do girassol a maior produtividade pode estar relacionada ao aproveitamento do resíduo da adubação feita na cultura do girassol em safrinha. Entretanto, as glebas de aveia, sorgo e de nabo que não receberam nenhum tipo de adubação, também apresentaram produtividade semelhante a gleba do girassol, isto deve estar relacionado a quantidade de cobertura deixada pelas culturas em safrinha, o que proporcionou uma diminuição acentuada na população de plantas daninhas, diminuindo assim, a competição por água, luz e nutrientes.
Tabela 1. Produtividade da cultura do milho, na safra de verão 97/98, sobre palhada de feijão guandú, níger, girassol, milheto, milho e sorgo.
Tratamento(cobertura)
Produtividade(kg/ha)
Feijão Guandú
6628 a
Níger
6367 ab
Girassol
6195 bc
Milheto
5981 bcd
Milho
5964 cd
Sorgo
5727 d
Médias seguidas pela mesma letra, na coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade.
Tabela 2. Produtividade da cultura da soja, na safra de verão 97/98, sobre palhada de girassol, aveia, nabo, sorgo, milheto e milho.
Tratamento(cobertura)
Produtividade(kg/ha)
Girassol
3558 a
Aveia
3521 ab
Nabo
3440 ab
Sorgo
3437 ab
Milheto
3258 b
Milho
3002 c
Médias seguidas pela mesma letra, na coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade.
* Trabalho extraído dos Anais do XXVII Congresso Brasileiro de Ciência do Solo - Brasília - 1999.