Avaliação da Resistência à Decomposição de Dez Espécies de Plantas de Cobertura Visando o Plantio Direto


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Publicado em: 01/10/1999

Avaliação da resistência a decomposição de dez espécies de plantas de cobertura visando o plantio direto

Avaliação da resistência a decomposição de dez espécies de plantas de cobertura visando o plantio direto.*

Adilson PELÁ(1), Mônica Sarolli SILVA(2), Luiz A. de Mendonça COSTA(3) , Cesar J. da SILVA(1), Claudemir ZUCARELI(1), Léo D. DECARLI(1) , Uilson F. MATTER(1)1.Acadêmico de Agronomia/UNIOESTE, R. Pernambuco, 1777, 85960-000, Mal. Cândido Rondon-Pr, 2. Departamento de Agronomia/UNIOESTE, 3. Presidente do Grupo de Estudos de Agricultura Alternativa-GEDAA.

A prática do plantio direto (PD) iniciando-se no sul do país, atualmente espalhou-se por todo o Brasil. Nem sempre, o início do PD acontece nas condições ideais, o que acarreta sérios problemas posteriores, como erosão, ocasionada pela não supressão das camadas compactadas, com consequente perda da fertilidade. Sendo as condições brasileiras propícias a metabolização rápida da matéria orgânica, graças às altas temperaturas, disponibilidade de umidade e uma microbiota diversificada, deve-se buscar plantas mais resistentes a decomposição, para a formação de uma camada vegetal que permita uma melhor proteção do solo. Além disso, estas plantas devem possuir um sistema radicular agressivo e profundo capaz de romper a camada compactada e de reciclar nutrientes. Objetivando-se avaliar dez plantas de cobertura com relação à maior resistência a decomposição para iniciar-se o PD, foi instalado em área da Agrícola Horizonte, localizada em Mal. Cândido Rondon, com latitude 24° 33’ 40” S e longitude 54° 04’ 12” W, altitude de 420m, clima sub-tropical úmido com pluviometria média anual de 1.804mm e temperaturas médias anuais de 14° e 28°. O experimento consta de 3 blocos com 10 tratamentos a saber: guandu anão (Cajanus sp), guandu indiano (Cajanus sp), crotalária paulina (Crotalaria paulina), mucuna preta (Stizolobium aterrimum), moa (Pennisetum sp), mucuna branca (Stizolobium niveum), crotalária juncea (Crotalaria juncea), crotalária spectábilis (Crotalaria spectabilis), milheto (Pennisetum americanum sin typhoides) e feijão bravo do ceará (Canavalia brasiliensis).Cada parcela possui as dimensões de 4,45m X 6,00m. Na floração as plantas foram cortadas e deixadas na superfície do solo. Recolheu-se, então, uma amostra do material, que após secagem em estufa, foi acondicionado em saquinhos de nailon. Cada saquinho recebeu 10g do material seco, que foram dispostos superficialmente em número de 21 por parcela, perfazendo um total de 630 saquinhos. A coleta dos saquinhos foi realizada inicialmente a cada 7 dias, passando a 15 dias a partir do 28° dia. Em cada coleta foram retirados 3 saquinhos por parcela, a fim de se obter um resultado médio. Os saquinhos foram recolhidos, secos e pesados novamente, avaliando-se dessa forma a decomposição, através da perda de peso. O material mais persistente foi o milheto que apresentou uma porcentagem de perda, ao longo dos 73 dias de 44,44%. Este resultado, foi devido, provavelmente à composição do material, maiores teores de lignina e celulose, substâncias mais resistentes à decomposição. A seguir observa-se o guandu anão, com uma porcentagem de 49,36%, mostrando-se também resistente ao ataque microbiano, muito embora seja uma leguminosa com relação C/N mais baixa. O feijão bravo do ceará, a crotalária spectábilis e a mucuna preta foram os que apresentaram, no período, as maiores taxas de decomposição com 64,49%, 60,21% e 57,42% respectivamente. Os demais materiais apresentaram porcentagem de perdas semelhantes como mucuna branca 50,73%, crotalária juncea 53,51%, crotalária paulina 50,41%, moa 53,24% e guandu indiano com 49,36%. Esses resultados permitem concluir que para o início do PD em regiões tropicais, o milheto e o guandu anão, podem proporcionar uma camada mais resistente a decomposição, que permitiria com o decorrer dos cultivos, a formação de maior quantidade de cobertura. As plantas avaliadas, com exceção da moa e do milheto, apresentam sistema radicular profundo o que os habilita a serem utilizados em sistemas de rotação de culturas, visando o rompimento da camada compactada, além de serem ótimos recicladores de nutrientes. COSTA et al., 1998a e COSTA et al., 1998b).

Referências Bibliográficas

COSTA, L.A.M.; MATTER, U.F.; SILVA, M.S. et al.. IN: FERTBIO 98, Caxambú-MG, 1998a.

COSTA, L.A.M.; MATTER, U.F.; SILVA, M.S.; et al. IN: FERTBIO 98, Caxambú-MG, 1998b.