Banco Mundial leva tecnologia brasileira para países em desenvolvimento
Banco Mundial leva tecnologia brasileira para países em desenvolvimento
Uma caravana composta por 25 pessoas, entre engenheiros agrônomos e assessores do Banco Mundial e de instituições convidadas de diversos países do mundo estiveram em visita ao Brasil, no período de 22 a 31 de outubro, com o objetivo de conhecer o plantio direto na palha, principalmente nas pequenas propriedades. O grupo de visitantes tinha como coordenador o agro-ecologista Cristian Pieri, do Departamento de Desenvolvimento Rural do Banco Mundial, cuja sede é em Washington, nos Estados Unidos. Representantes de países tão distintos como Bukina Faso, Gana, Holanda, Escócia e Costa do Marfim tiveram oportunidade de conhecer o atual estágio de desenvolvimento do plantio direto na pequena propriedade, visitando centros de pesquisa, cooperativas, lavouras e assistindo palestras e debates sobre o sistema em pólos importantes como Chapecó-SC, Erechim-RS, Irati-Pr e Palmeira-PR, onde finalizaram a viagem na Fazenda de Nonô Pereira, quando ouviram um balanço do histórico e das perspectivas do plantio direto no Brasil.
Visita da delegação do Banco Mundial ao II Encontro de Plantio Direto na Pequena Propriedade, em Irati.
Plantio Direto e Meio Ambiente
Para Rapeepun Jaisaard, membro da delegação do Banco Mundial, um dos ítens que o impressionou é a cooperação entre as instituições envolvidas no processo que alimenta o plantio direto no Brasil, ressaltando o trabalho da pesquisa que desenvolveu variedades para culturas de cobertura e um sistema de rotação de cultivos adequados aos diversos solos e climas regionais. Outro fato que impressionou os visitantes foi a rápida resposta fornecida pelos fabricantes de máquinas e implementos, principalmente aqueles voltados para a tração animal, utilizada pelos pequenos produtores. O trabalho de cooperativas, que processam e comercializam produtos primários foram ressaltados como mecanismos importantes na estabilidade da estrutura que envolve a agricultura familiar. Eles também puderam perceber que a adoção do plantio direto não foi tão rápido como seria desejável porque existe uma falta de capital para os investimentos iniciais e as taxas de juros dos empréstimos bancários são muito caras. O trabalho de implantação do sistema é feito com recursos próprios, no geral. Apesar disso, eles puderam perceber que os pequenos produtores que já utilizam plantio direto tem tempo de sobra para se ocupar de outras atividades, como a produção de leite, aves, fruticultura e o processamento de outros produtos originados da propriedade, que tem agregado renda adicional ao orçamento familiar. Este processo, notaram os visitante, tem se desenvolvido com uma tendência positiva e generalizada de práticas agrícolas, baseadas no plantio direto, que preservam o ambiente. Para Phillippe Fernand Boyer, outro membro da delegação do Banco Mundial, o plantio direto é um sistema novo de produção agrícola que assegura uma sustentabilidade ambiental, aumentando a produtividade. Para ele, o plantio direto é uma revolução nas tecnologias de produção agrícola, que poderá ser utilizado em outros locais do planeta, como no Vietnã e Camboja, para controlar a erosão e melhorar a fertilidade da terra degradada.
Federação Brasileira
A Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha, coordenou a excursão da delegação do Banco Mundial ao Brasil. A organização do roteiro esteve a cargo do engenheiro agrônomo Mauri Sade, secretário executivo da FBPDNP, contando com o apoio de várias instituições e pessoas, entre elas John Landers, da APDC, que serviu de intérprete, Tabajara Ruas, da Emater-RS e Maria de Fátima dos Santos Ribeiro , do Iapar, entre outros. “Nós temos uma tecnologia que os países vizinhos reconhecem e vem buscar aqui, somos conhecidos por todo o pessoal do Mercosul e até dos Estados Unidos, de onde vieram as primeiras informações sobre plantio direto, estão vindo buscar as novidades que geramos”, afirmou Mauri Sade, numa entrevista à imprensa em Erechim-RS, na Cotrel, a Cooperativa que possui o maior número de associados do Rio Grande do Sul, principalmente de pequenos produtores, que já adotam o plantio direto num grande percentual. Segundo Mauri Sade, Erechim foi incluido no roteiro da delegação por causa de um trabalho eficiente que a Cotrel e a Emater realizam na região, caracterizada por áreas de acentuado declive e pequenas propriedades, com um bom nível de desenvolvimento sócio econômico. Para o secretário da Federação, a visita do pessoal do Banco Mundial alcançou seus objetivos, que era o de ver a prática e a teoria da tecnologia do plantio direto desenvolvida no Brasil, principalmente para pequenas propriedades, no sentido de utilizá-las em países da África e Ásia, para recuperar o que lá existe de uso indevido do solo. “O Banco Mundial, que aplica recursos nesses países, tem interesse em fomentar tecnologias agrícolas que preservem o meio ambiente e aumentem a produtividade, como o plantio direto, e nós estamos felizes em poder proporcionar essas informações”, disse Mauri em Erechim. A caravana do Banco Mundial esteve em Irati-PR no dia 29 de outubro, quando participou do II Seminário Estadual de Plantio Direto na Pequena Propriedade. Na ocasião, os visitantes puderam ver uma exposição estática e dinâmica de máquinas, implementos e outras tecnologias voltadas à pequena propriedade. No dia 30, na Fazenda Agripastos, de Nonô Pereira, em Palmeira, o término do roteiro técnico da viagem.
Encontro em Irati
Cerca de 800 pessoas, entre produtores, assistentes técnicos, pesquisadores e estudantes participaram do II Encontro Estadual de Plantio Direto na Pequena Propriedade, realizado no dia 29 de outubro, em Irati, região centro-sul do Paraná O evento, coordenado pela Associação dos Engenheiros Agrônomos e o Sistema Estadual de Agricultura, através do IAPAR, teve o apoio da Prefeitura Municipal, da SEAB, da Emater e de inúmeras entidades ligadas ao setor. Para o engenheiro agrônomo Gerson Ribeiro Sobrinho, da AERI, um dos coordenadores do II Encontro, o resultado técnico e participativo foi um sucesso e consolida a imagem da região como pioneira na criação e difusão do plantio direto na pequena propriedade, pois foi a partir da experiência do produtor Félix Krupek, da localidade de Cerro da Ponte Alta, que aconteceu uma evolução significativa do sistema entre os pequenos produtores, não só no Sul do Paraná como em diversas regiões do País e da América Latina. O produtor Félix Krupek, cuja propriedade recebe inúmeras caravanas de visitantes do Paraná, do Brasil e do exterior, também participou do II Encontro, confirmando sua satisfação com os resultados que vem obtendo há quase dez anos com a utilização da semeadura direta. Antes de se somarem aos participantes do Encontro, os membros da delegação do Banco Mundial estiveram em visita à propriedade de Félix Krupek, onde puderam ter uma idéia das vantagens na exploração da pequena propriedade que não utiliza a preparação do solo. Para Manoel Henrique Pereira, presidente da CAAPAS (Confederação das Associações Americanas de Produtores para uma Agricultura Sustentável), um dos palestrantes do evento, a técnica do plantio direto está mudando a realidade das pequenas propriedades rurais do Paraná, reduzindo a erosão do solo e garantindo maiores produtivdades. Para Herbert Bartz, presidente a Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha, há poucos anos atrás seria inimaginável pensar em plantio direto na pequena propriedade porque não havia um domínio tecnológico do assunto. Hoje, segundo estimativas da FBPDNP, existem cerca de 30 mil ha sob plantio direto em pequenas propriedades no Estado do Paraná. Para Nonô Pereira, este número pode significar um percentual limitado perto dos 2,5 milhões de ha que o Estado planta com semeadura direta, mas é significativo na medida em que representa um envolvimento de um número maior de pequenos produtores, que tem no plantio direto um oportunidade de viabilizar, de forma sustentável, a sua propriedade. Na parte da manhã do II Encontro, houve a apresentação de palestras dos pesquisadores Dirceu Gassen, da Embrapa Trigo, e de Francisco Skora Neto, do IAPAR. Aproveitando a ocasião, a Secretaria de Agricultura fez o lançamento do “Manual Técnico para o Uso e Manejo dos Solos de Baixa Aptidão Agrícola”, uma publicação dirigida a técnicos, elaborada por pesquisadores do IAPAR, com apoio do Programa Paraná 12 meses, cujo diretor, o engenheiro agrônomo Humberto Malucelli Neto, estava presente ao evento. Na parte da tarde, os participantes estiveram na Área Experimental do IAPAR, onde foram apresentadas estações de fertilidade, controle de plantas daninhas e dinâmicas de semeadoras e pulverizadores voltados à pequenas propriedades. .