Resposta da cultura do milho (Zea mays L.) a adubação nitrogenada, sob semeadura direta na região do cerrado
Francisco Maximino FERNANDES1, César Mitsuyoshi KURAMOTO2, Luiz Malcolm Mano de MELLO3. 1 UNESP – Campus de Ilha Solteira, Caixa Postal 31 – CEP 15385-000 – Ilha solteira – SP, E.Mail, maximino@agr.feis.unesp.br 2 UNESP – Campus de Ilha Solteira, bolsista PIBIC/CNPq; 3 UNESP – Campus de Ilha Solteira.
Nos últimos anos, na região dos cerrados, houve um incremento significativo na área com sistema de semeadura direta. No entanto, pesquisas sobre adubação nitrogenada em culturas nesse sistema são escassas. Desta forma, o objetivo desse experimento foi verificar o efeito da adubação nitrogenada na cultura de milho após milheto, num Latossolo Vermelho – Escuro da região dos cerrados (1o ano de semeadura direta). O delineamento experimental foi em blocos ao acaso, com três repetições e dez tratamentos. Os tratamentos foram constituídos por combinações de doses de N no sulco de plantio e em cobertura (testemunha; 10+110; 20+100; 40+80; 80+40 e 120+0 kg/ha de N) totalizando 120 kg/ha de N e dois modos de aplicação da adubação de cobertura (no sulco e a lanço em área total). A adubação de plantio foi de 250 kg/ha da fórmula 4-30-10 + uréia (complemento dos tratamentos). Em cobertura ao 32 dias após a emergência das plantas, aplicou-se o nitrogênio (sulfato de amônio) + 75 kg/ha de K2O (cloreto de potássio). Avaliou-se: stand inicial e final, matéria seca, N-foliar, e a produção de grãos. Nas condições experimentais e com base nos resultados obtidos (Tabela 1), conclui-se que: a utilização de N no sulco de plantio em doses superiores a 40 kg/há , no sistema de semeadura direta foi prejudicial ao stand da cultura, diminuindo a produção de grãos; a dose de 120 kg/ha de N, no sistema de semeadura direta, é viável, mas depende da combinação do modo de aplicação (plantio + cobertura); a melhor eficiência (fator de utilização, TYNER & WEBB, 1946) da adubação nitrogenada, foi para a combinação 10+110(S), seguida das combinações 20+100(L) e 40+80(L), cujos aumentos de produção foram respectivamente:2,96, 2,91 e 2,79 t/ha.
Tabela 1. Stand inicial e final, matéria seca, teor de N-foliar, produção de grãos, incremento da produção e fator de utilização do nitrogênio em função dos tratamentos, para a cultura do milho.
Tratamentos(kg/ha de N)
Stand (pl/m2)
Teor foliar de N(g/kg)
Matéria seca(kg/ha)
Produção de grãos(kg/ha)
Aumento Produção5(kg/ha)
Fator de utilização de N6
Inicial
Final
1. Testemunha
4,8 AB
4,8 A
23,3 A
4751,0 AB
4373,8 BC
-----
2. 101+1102(S3)
5,2 A
4,5 AB
23,3 A
7660,1 A
7342,6 A
2968,8
0,040
3. 10+110(L4)
4,7 AB
4,5 AB
27,3 A
6712,8 AB
6993,5 AB
2619,7
0,045
4. 20+100(S)
4,8 AB
4,8 A
28,5 A
6292,7 AB
6485,6 AB
2111,8
0,057
5. 20+100(L)
4,8 AB
4,6 A
24,6 A
7086,1 AB
7292,7 A
2918,9
0,041
6. 40+80(S)
4,5 AB
26,9 A
7109,2 A
6736,1 AB
2362,3
0,051
7. 40+80(L)
4,8 AB
4,8 A
24,3 A
7958,1 A
7170,1 A
2796,3
0,043
8. 80+40(S)
3,5 BC
3,3 BC
26,4 A
6270,5 AB
5332,8 AB
959,0
0,125
9. 80+40(L)
3,0 C
25,9 A
7606,2 A
5373,2 A
999,7
0,120
10. 120+0
1,1 D
22,5 A
3405,1 B
2105,5 C
(-2268,3)
-----
DMS
1,4
1,3
7,40
3701,70
2725,60
-----
C.V.(%)
11,30
10,73
9,93
19,50
15,73
-----
1- N no sulco de plantio; 2- N em cobertura; 3- N em cobertura aplicado no sulco; 4- N em cobertura aplicado a lanço em área total, 5- obtido em relação a testemunha, 6- kg/ha de N (120 kg/ha)/aumento de produção em kg/ha.
Bibliografia
TINER, E.H; WEBB, J.W. J. Amer. Soc. Agron., v.38, p. 173-85, 1946.
Extraído dos Anais do XXVII Congresso Brasileiro de Ciência do Solo - Brasília - DF - 1999.