Preços refletem tendências de quebra na safra
Mercado
Preços refletem tendências de quebra na safra
O mercado internacional passa por momentos de intensa atividade especulativa, deixando o setor produtivo à disposição de elementos, às vezes, de difícil compreensão, principalmente referentes à adequação às novas tendências da globalização de mercados, onde as negociações já são realizadas com grande velocidade e abrangência, como os realizados com os produtos das bolsas de valores e de mercadorias que estão sendo oferecidos na internet. Apesar dos esforços em realizar previsões do mercado internacional, este também é dirigido por eventos climáticos e decisões políticas, ambas de difícil previsibilidade. Segundo um estudo probabilístico do Departamento de Economia Agrícola da Universidade de Michigan - EUA, as cotações dos contratos futuros da soja para março, no vencimento, apresentam 80% de probabilidade de manterem-se entre US$ 4,72 e US$ 5,49/bushel e média (50%) de US$ 5,09/bushel. Para os mesmos contratos, os estudos realizados em dezembro indicavam limites de US$ 4,14 e US$ 5,50/bushel, e em janeiro entre US$ 4,75 e US$ 5,60/bushel, média de US$ 5,15/bushel, mostrando pequeno aumento neste período e redução de janeiro a fevereiro. Para julho, o prazo ainda é longo, sendo maiores as influências de eventos inusitados que reduzem a probabilidade de acerto, aumentando os limites de 80% para US$ 4,21 no inferior, US$ 6,44/bushel no superior e média (50%) de US$ 5,21/bushel. As estimativas da safra presente não são muito animadoras, pois a estiagem que atingiu os estados do sul estão reduzindo o potencial de produção do país e já repercutem positivamente nas cotações internacionais. A soja é uma das principais ”commodities” do Brasil e a Região Sul é responsável por 45,9% da produção nacional. A Emater-RS já adiantou suas estimativas de perdas para o RS, onde a soja apresenta 10,4% de quebra e o milho 25,9%. No Paraná, a estimativa do Deral indica queda de 7,7% na produção de soja e 14% no milho. Na Argentina, os efeitos da estiagem ainda são uma incógnita, pois eles aumentaram a área de soja em 1,7% em relação ao ano anterior e 29% em relação à média dos últimos cinco anos. É interessante observarmos os movimentos de alta no decorrer do mês de janeiro, pois estes foram provocados pela expectativa de redução da safra sul-americana de soja e aumento na demanda de farelo nos EUA, causado pelo incremento no consumo animal em função do severo inverno enfrentado pelos norte-americanos. Vale ressaltar que a curto prazo não há indicativos significativos de recuperação das cotações da soja nos patamares históricos de janeiro (10 anos) de US$ 6,41/bushel (US$ 14,13/60kg), inclusive, os fundos de investimentos apostam na estabilização das cotações ao redor de US$ 5,00/bushel (US$ 11,02/60kg) para março. No gráfico, observamos o sincronismo no mercado de futuros da Bolsa de Chicago e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo no último semestre. Historicamente, a diferença das cotações da bolsa de Chicago e os preços pagos ao produtor do RS no mês de fevereiro, atingem US$ 2,41 /60 kg, e no primeiro decênio de fevereiro deste ano, a diferença foi de apenas US$ 1,24/60kg. No cenário do mercado futuro da soja surgiu um elemento de baixa para os próximos meses, relacionado com a estimativa do USDA indicando aumento de 1,2 milhões de acres (486 mil ha) na área da cultura para a safra 2000-2001, nos EUA, que agora atinge 75 milhões de acres (30,38 milhões de ha).
Cotações Chicago/BM&F de 2nd. posição e dólar comer. venda nominal Fonte: Eng.-Agr. Flávio Gassen - flavio@agri.com.br Disponível no site www.cooplantio.com.br