Impacto de diferentes coberturas de solo para a cultura do feijoeiro
Maria Helena Elias Valentini Engª. Agrª, Aluna de Mestrado do Curso de pós-graduação em Agronomia, Produção Vegetal, Universidade Federal do Paraná em parceria com a Fundação ABC.
A cultura do feijoeiro vem ganhando destaque nos Campos Gerais em função dos bons preços praticados nas últimas safras. Ela têm promovido incremento de renda aos produtores, principalmente àqueles que utilizam técnicas perfeitas no manejo de doenças e estão equipados para uma colheita rápida, que permita tirar a produção do campo sem perda de qualidade. Nos Campos Gerais, as áreas de feijão se expandem em rotação de culturas com soja, aveia, milho e trigo. Com o aumento do plantio de feijão na região muito se discute sobre a melhor seqüência de culturas para compor uma rotação com o feijoeiro. A recente introdução de novas espécies de cobertura de inverno no sistema de produção, como aveia branca e azevém, justifica maior estudo da relação da cultura do feijoeiro com as coberturas de inverno. Este trabalho teve como objetivo verificar o efeito de diferentes coberturas de solo, bem como o efeito de três épocas distintas de dessecação química dessas coberturas sobre o feijoeiro plantado posteriormente. O experimento foi conduzido na Estação Experimental da Fundação ABC, na Fazenda Capão do Cipó, município de Castro-PR. Estudou-se o impacto do plantio de feijão sobre as seguintes coberturas: nabo forrageiro, aveia preta, aveia branca, azevém e trigo. As coberturas foram dessecadas em e épocas distintas, com zero, quinze e trinta dias antes da semeadura da cultura do feijoeiro. Para a cultura do feijoeiro foram avaliadas, as populações inicial e final, por meio de contagem do número de plantas, e os componentes do rendimento (número de vagens por planta, número de sementes por vagem e massa de 100 sementes). A semeadura das coberturas de solo foi feita em três épocas distintas, para que atingissem o máximo desenvolvimento vegetativo na época do manejo químico, já que cada cobertura apresenta um ciclo reprodutivo diferente. Para o azevém optou-se pelo plantio numa única data, já que este recebeu dois cortes afim de garantir o princípio de mesma produção de massa verde no ato da dessecação. A altura desse corte foi baseada em experiência prática dos pecuaristas da região para que no momento da dessecação o azevém já tivesse rebrotado a uma altura de pelo menos 10 cm, e dessa forma o herbicida pudesse agir no momento da dessecação. A decisão de cortar o azevém baseou-se na prática comum dos pecuaristas, como forma de simular o duplo propósito que é a produção de pré-secado e uso deste na alimentação do gado leiteiro, além de sua utilização como cobertura de solo para posterior plantio do feijoeiro. A semeadura do feijoeiro foi feita mecanicamente e a adubação de base foi 200 kg/ha da fórmula 08-30-20. Quarenta dias após a emergência das plantas fez-se adubação de cobertura com uréia, na proporção de 50 kg/ha. Foi utilizada a variedade de feijão-comum FT-Bonito. Os resultados das médias das populações inicial, final e as médias dos componentes do rendimento são apresentados na Tabela 1. Baseado nesses resultados, o que se verificou foi a grande capacidade de produção de feijão sobre todas as coberturas de solo estudadas, produção que girou em torno de 3.000 kg/ha. Mesmo enfrentando um período longo de seca (32 dias) na fase que antecede o florescimento, o feijoeiro expressou uma produtividade alta, em função da boa produção de palha numa gleba de alta fertilidade e com 12 anos de plantio direto. As dessecações com 30, 15 e zero dias antes, permitiu o plantio do feijoeiro sem maiores problemas, mesmo sobre nabo forrageiro, que plantado em alta densidade produziu grande quantia de matéria seca e não ofereceu resistência aos discos de corte. Por ser primeiro ano de cultivo de feijoeiro, a cultura pode ter sido favorecida pelo não aparecimento de doenças como a esclerotínia, comum em áreas cobertas, sistematicamente por nabo forrageiro. Em função da responsabilidade na disseminação de um resultado experimental para toda uma região, o que se observa é a necessidade de maiores pesquisas de um sistema de rotação em semeadura direta, que coloque o feijoeiro como cultura principal. Esse foi o princípio adotado quando do planejamento desse projeto.
Tabela 1. Resultados de população de plantas, inicial e final, em mil plantas.ha-1, número médio de vagens por planta (NMVP), número médio de sementes por vagem (NMSV), massa média de cem sementes (MM100S), em g, rendimento, em kg.ha-1, da variedade de feijão-comum ”FT Bonito”. Fazenda Capão do Cipó/Fundação ABC, Castro, PR, 1998/992
Tratamento
População(mil plantas.ha-1)
Componentes doRendimento
Rendimento
Cobertura
Manejo(DAS)3
Inicial
Final
NMVP
NMSV
MM100S(g)
(kg.h-1)
Nabo
---
323 ab
298 ab
9,5
4,8
27,1
3157
Aveia-preta
---
308 bc
267 bc
13,4
4,7
27,1
3143
Aveia-branca
---
283 c
298 ab
11,1
4,8
26,8
3093
Trigo
---
302 bc
258 c
12,3
4,8
27,2
3200
Azevém
---
350 a
334 a
9,6
4,7
26,9
3191
----------
30
310
285
11,6
4,7
26,8
3180
----------
15
312
292
11,4
4,8
27,2
3177
----------
0
318
296
10,7
4,8
27,1
3114
Nabo
30
330
302
9,8
4,7
26,5 b
3033
Nabo
15
338
305
9,5
5,0
27,5 a
3229
Nabo
0
301
287
9,1
4,8
27,5 a
3208
Aveia-preta
30
316
264
13,5
4,8
26,6 b
3264
Aveia-preta
15
290
275
14,9
4,5
27,5 a
3121
Aveia-preta
0
319
260
11,8
4,9
27,3 ab
3044
Aveia-branca
30
274
308
11,6
4,3
26,9 a
2964
Aveia-branca
15
301
293
10,6
5,1
27,3 a
3243
Aveia-branca
0
274
293
11,1
5,0
26,1 b
3072
Trigo
30
297
225
12,5
4,9
27,3 ab
3198
Trigo
15
274
239
12,0
4,9
26,9 b
3170
Trigo
0
334
310
12,5
4,8
27,7 a
3230
Azevém
30
332
327
10,3
4,9
26,8 a
3440
Azevém
15
355
348
9,8
4,6
26,9 a
3120
Azevém
0
362
328
8,8
4,7
26,9 a
3013
Coeficiente de variação (%)
10,2
11,1
31,4
8,7
1,6
10,4
2 Médias seguidas pelas mesmas letras não diferem significativamente pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. 3 DAS = Dias antes da semeadura do feijoeiro.