Impacto de Diferentes Coberturas de Solo para a Cultura do Feijoeiro


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Publicado em: 01/02/2000

Impacto de diferentes coberturas de solo para a cultura do feijoeiro

Maria Helena Elias Valentini Engª. Agrª, Aluna de Mestrado do Curso de pós-graduação em Agronomia, Produção Vegetal, Universidade Federal do Paraná em parceria com a Fundação ABC.

A cultura do feijoeiro vem ganhando destaque nos Campos Gerais em função dos bons preços praticados nas últimas safras. Ela têm promovido incremento de renda aos produtores, principalmente àqueles que utilizam técnicas perfeitas no manejo de doenças e estão equipados para uma colheita rápida, que permita tirar a produção do campo sem perda de qualidade. Nos Campos Gerais, as áreas de feijão se expandem em rotação de culturas com soja, aveia, milho e trigo. Com o aumento do plantio de feijão na região muito se discute sobre a melhor seqüência de culturas para compor uma rotação com o feijoeiro. A recente introdução de novas espécies de cobertura de inverno no sistema de produção, como aveia branca e azevém, justifica maior estudo da relação da cultura do feijoeiro com as coberturas de inverno. Este trabalho teve como objetivo verificar o efeito de diferentes coberturas de solo, bem como o efeito de três épocas distintas de dessecação química dessas coberturas sobre o feijoeiro plantado posteriormente. O experimento foi conduzido na Estação Experimental da Fundação ABC, na Fazenda Capão do Cipó, município de Castro-PR. Estudou-se o impacto do plantio de feijão sobre as seguintes coberturas: nabo forrageiro, aveia preta, aveia branca, azevém e trigo. As coberturas foram dessecadas em e épocas distintas, com zero, quinze e trinta dias antes da semeadura da cultura do feijoeiro. Para a cultura do feijoeiro foram avaliadas, as populações inicial e final, por meio de contagem do número de plantas, e os componentes do rendimento (número de vagens por planta, número de sementes por vagem e massa de 100 sementes). A semeadura das coberturas de solo foi feita em três épocas distintas, para que atingissem o máximo desenvolvimento vegetativo na época do manejo químico, já que cada cobertura apresenta um ciclo reprodutivo diferente. Para o azevém optou-se pelo plantio numa única data, já que este recebeu dois cortes afim de garantir o princípio de mesma produção de massa verde no ato da dessecação. A altura desse corte foi baseada em experiência prática dos pecuaristas da região para que no momento da dessecação o azevém já tivesse rebrotado a uma altura de pelo menos 10 cm, e dessa forma o herbicida pudesse agir no momento da dessecação. A decisão de cortar o azevém baseou-se na prática comum dos pecuaristas, como forma de simular o duplo propósito que é a produção de pré-secado e uso deste na alimentação do gado leiteiro, além de sua utilização como cobertura de solo para posterior plantio do feijoeiro. A semeadura do feijoeiro foi feita mecanicamente e a adubação de base foi 200 kg/ha da fórmula 08-30-20. Quarenta dias após a emergência das plantas fez-se adubação de cobertura com uréia, na proporção de 50 kg/ha. Foi utilizada a variedade de feijão-comum FT-Bonito. Os resultados das médias das populações inicial, final e as médias dos componentes do rendimento são apresentados na Tabela 1. Baseado nesses resultados, o que se verificou foi a grande capacidade de produção de feijão sobre todas as coberturas de solo estudadas, produção que girou em torno de 3.000 kg/ha. Mesmo enfrentando um período longo de seca (32 dias) na fase que antecede o florescimento, o feijoeiro expressou uma produtividade alta, em função da boa produção de palha numa gleba de alta fertilidade e com 12 anos de plantio direto. As dessecações com 30, 15 e zero dias antes, permitiu o plantio do feijoeiro sem maiores problemas, mesmo sobre nabo forrageiro, que plantado em alta densidade produziu grande quantia de matéria seca e não ofereceu resistência aos discos de corte. Por ser primeiro ano de cultivo de feijoeiro, a cultura pode ter sido favorecida pelo não aparecimento de doenças como a esclerotínia, comum em áreas cobertas, sistematicamente por nabo forrageiro. Em função da responsabilidade na disseminação de um resultado experimental para toda uma região, o que se observa é a necessidade de maiores pesquisas de um sistema de rotação em semeadura direta, que coloque o feijoeiro como cultura principal. Esse foi o princípio adotado quando do planejamento desse projeto.

Tabela 1. Resultados de população de plantas, inicial e final, em mil plantas.ha-1, número médio de vagens por planta (NMVP), número médio de sementes por vagem (NMSV), massa média de cem sementes (MM100S), em g, rendimento, em kg.ha-1, da variedade de feijão-comum ”FT Bonito”. Fazenda Capão do Cipó/Fundação ABC, Castro, PR, 1998/992

Tratamento

População(mil plantas.ha-1)

Componentes doRendimento

Rendimento

Cobertura

Manejo(DAS)3

Inicial

Final

NMVP

NMSV

MM100S(g)

(kg.h-1)

Nabo

---

323 ab

298 ab

9,5

4,8

27,1

3157

Aveia-preta

---

308 bc

267 bc

13,4

4,7

27,1

3143

Aveia-branca

---

283 c

298 ab

11,1

4,8

26,8

3093

Trigo

---

302 bc

258 c

12,3

4,8

27,2

3200

Azevém

---

350 a

334 a

9,6

4,7

26,9

3191

----------

30

310

285

11,6

4,7

26,8

3180

----------

15

312

292

11,4

4,8

27,2

3177

----------

0

318

296

10,7

4,8

27,1

3114

Nabo

30

330

302

9,8

4,7

26,5 b

3033

Nabo

15

338

305

9,5

5,0

27,5 a

3229

Nabo

0

301

287

9,1

4,8

27,5 a

3208

Aveia-preta

30

316

264

13,5

4,8

26,6 b

3264

Aveia-preta

15

290

275

14,9

4,5

27,5 a

3121

Aveia-preta

0

319

260

11,8

4,9

27,3 ab

3044

Aveia-branca

30

274

308

11,6

4,3

26,9 a

2964

Aveia-branca

15

301

293

10,6

5,1

27,3 a

3243

Aveia-branca

0

274

293

11,1

5,0

26,1 b

3072

Trigo

30

297

225

12,5

4,9

27,3 ab

3198

Trigo

15

274

239

12,0

4,9

26,9 b

3170

Trigo

0

334

310

12,5

4,8

27,7 a

3230

Azevém

30

332

327

10,3

4,9

26,8 a

3440

Azevém

15

355

348

9,8

4,6

26,9 a

3120

Azevém

0

362

328

8,8

4,7

26,9 a

3013

Coeficiente de variação (%)

10,2

11,1

31,4

8,7

1,6

10,4

2 Médias seguidas pelas mesmas letras não diferem significativamente pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. 3 DAS = Dias antes da semeadura do feijoeiro.