Evolução da Disponibilidade de Fósforo e de Potássio em Latossolo Roxo Distrófico Cultivado durante 10 Anos em Plantio Direto


Autores:
Publicado em: 01/02/2000

Evolução da disponibilidade de fósforo e de potássio em latossolo roxo distrófico cultivado durante 10 anos em plantio direto

Evolução da disponibilidade de fósforo e de potássio em latossolo roxo distrófico cultivado durante 10 anos em plantio direto*

Aureo Francisco Lantmann, Clovis Manuel Borkert1, Gedi Jorge Sfredo1, Maria Cristina Neves de Oliveira1. 1Embrapa Soja, C. Postal 231, CEP 86001-970, Londrina, PR E-Mail, aureo@cnpso.embrapa.br *Trabalho extraído dos Anais do XXVII Congr. Bras. de Ciência do Solo - Brasília - 1999

O presente trabalho foi conduzido para avaliar a disponibilidade de fósforo (P) e de potássio (K) para as culturas de soja e trigo em um latossolo roxo distrófico do estado do Paraná, em função de doses de P e K aplicadas anualmente para o trigo e/ou soja cultivados em sucessão. Para isso, um experimento foi conduzido no Centro Nacional de Pesquisa de Soja/Embrapa, em Londrina, no período de 1989 a 1998. Os tratamentos constaram de doses de P2O5 equivalentes a 0, 30 e 60 kg/ha e de K2O equivalentes a 0, 50 e 100 kg/ha, aplicadas para a soja, e doses de P2O5 equivalentes a 0 e 50 kg/ha e de K2O equivalentes a 0 e 30 kg/ha aplicadas para o trigo. O nível crítico de P nesse tipo de solo para o trigo esta estabelecido em 9,0 mg/dm3 e para a soja em 6,0 mg/dm3. Quando o experimento foi iniciado (1989) o teor médio de P no solo era 9,0 mg/dm3, nesse tipo de solo é o nível crítico para o trigo e alto para a soja. A ausência de adubação fosfatada para soja e trigo promoveu decréscimo na disponibilidade de P só a partir do terceiro ano (1993) quando baixou para 8,3 mg/dm3. Daí até 1998, o nível diminuiu numa proporção de 0,55 mg/dm3 ao ano, chegando a 4,6 mg/dm3. A adubação fosfatada, exclusiva para o trigo, promoveu um acréscimo no nível de P de mais 2,0 mg/dm3, diminuindo a disponibilidade a partir do sétimo ano. A adubação fosfatada para a soja e o trigo aumentou o nível de P no solo, a partir do primeiro ano, mantendo o nível de P sempre acima de 9,0 mg/dm3. O nível crítico de K nesse solo está estabelecido em 0,30 cmol/dm3 para o trigo e 0,20 cmol/dm3 para a soja. A ausência de adubação potássica para a soja e trigo, promoveu decréscimo na sua disponibilidade a partir do primeiro ano, com uma taxa de menos 0,03 cmol/dm3 ao ano. A adubação potássica, exclusiva para o trigo, manteve um nível de 0,30 cmolc/dm3 durante três anos. A adubação potássica para a soja e trigo, promoveu acréscimo no nível de K desde o primeiro ano chegando a 0,55 cmol/dm3 após os nove anos de experimentação. Conclusão: é possível manter o nível de P no solo adequado para a soja (6,0 mg/dm3), apenas com adubação para o trigo. Adubação potássica só para o trigo, não é suficiente, para manter o nível de K no solo acima do nível crítico, para o trigo (0,30 cmol/dm3) a partir do quarto ano e para a soja (0,20 cmolc/dm3) a partir do sétimo ano.

Tabela 1. Fósforo e potássio extraível (Mehlich-1 do latossolo roxo distrófico, em função da adubação aplicada para a sucessão soja e trigo durante o período de 1989 a 1998. Embrapa Soja. Londrina, PR. 1998.

Adubação1

Anos

Soja

Trigo

1989

1990

1991

1992

1993

1994

1995

1996

1997

1998

--- kg/ha ---

------------------------------ mg/dm3 ------------------------------

P2O5

0

9,2

9,4

9,0

8,3

7,3

6,6

5,6

5,0

4,6

0

50

9,1

11,0

11,6

11,4

11,8

11,5

10,0

9,3

9,0

8,7

30

50

9,2

11,2

11,7

12,4

13,0

11,9

10,7

10,8

9,5

60

50

8,8

13,5

13,8

14,7

16,8

16,3

16,9

17,8

16,8

15,2

K2O

------------------------------ cmolc/dm3 ------------------------------

0

0,38

0,31

0,30

0,28

0,24

0,17

0,19

0,15

0,14

0,12

0

30

0,41

0,36

0,35

0,34

0,25

0,23

0,19

0,17

0,18

50

30

0,39

0,34

0,37

0,34

0,33

0,32

0,37

0,32

0,30

0,34

100

30

0,43

0,44

0,46

0,45

0,48

0,42

0,46

0,44

0,46

0,55

1 Adubação aplicada todos os anos