Seminário de Atualização da Cultura de Milho da Região Sul


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Publicado em: 01/04/2000

Seminário de Atualização da Cultura de Milho da Região Sul

Cooperativa Agrária

Realizou-se nos dias 21 a 24 de Fevereiro em Entre Rios, Guarapuava-PR, o I Seminário de Atualização da Cultura do Milho na Região Sul, promovido pela Cooperativa Agrária Mista Entre Rios, Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária (FAPA) e pela Escola Superior de Agricultura Luís de Queiroz (ESALQ/USP). Com o objetivo de transmitir as novidades tecnológicas, além de aspectos técnicos, foram abordados temas de fundamental importância para o desenvolvimento das lavouras de milho, tais como: escolha de híbridos mais adaptados as condições de cultivo, fertilidade e manejo nutricional da cultura, definição de épocas de semeadura para cada genótipo, benefícios do sistema plantio direto, adequação do espaçamento e da população de plantas compatíveis com o nível de tecnologia adotado; manejo e controle de plantas daninhas, principais pragas e doenças, e aspectos de mercado e comercialização do milho. Este importante Seminário, contou com a presença de cerca de 400 pessoas, entre engenheiros agrônomos, técnicos, produtores cooperados e estudantes de agronomia.

A Cooperativa Agrária Mista Entre Rios Ltda., fundada no ano de 1951, foi criada para abrigar imigrantes alemães, após a Segunda Guerra Mundial. O milho ocupa posição de destaque no sistema de produção dos associados da Agrária. Através dele foi possível aumentar a receita do produtor, bem como melhorar a estabilidade produtiva de outras culturas. Através das pesquisas desenvolvidas na FAPA, próprias ou em parceria com empresas públicas e privadas, e pelo contínuo acompanhamento técnico, o milho vem alcançando elevados índices de produtividade, tendo ultrapassado a média de 8.400 Kg/ha, na última safra. Em meados da década de 80, a rentabilidade da soja determinou grande expansão da área da cultura. Com o monocultivo, surgiram problemas de doenças e pragas, além da seleção de algumas ervas aos herbicidas pós-emergentes da cultura da soja. Em face disso, o cultivo do milho tornou-se fundamental para quebrar importantes ciclos de doenças, pragas e invasoras.

Plantio direto e qualidade

Segundo o engenheiro agrônomo Itacir Sandini, um dos coordenadores do Seminário, o plantio direto, como sistema de implantação de culturas, é uma prática adotada por 100% dos cooperados da Cooperativa Agrária. O objetivo inicial do plantio direto era apenas o controle da erosão. Atualmente, busca-se uma agricultura mais rentável, que viabilize os cultivos de verão e também de inverno. Na região, a conservação do solo já atingiu um nível satisfatório. A propriedade é vista como um sistema agrícola, deixa-se de lado os cultivos isolados e passa-se considerar a propriedade como um todo. Outro fator indispensável em plantio direto é a rotação de culturas, que é o substrato do sistema. Não basta ter palha na superfície, é preciso que essa palhada seja diferente daquela do ano anterior. Caso contrário, nota-se aumento na população de fungos necrotróficos, nematóides em alguns cultivos, pragas e plantas daninhas específicas, reduz-se a disponibilidade de nutrientes e o desenvolvimento radicular das culturas, propicia-se o acúmulo de substâncias tóxicas ou inibidoras de crescimento, além de reduzir o rendimento de grãos. A produção de grãos de milho com qualidade superior tornou-se necessária pelos produtores, em função das exigências do mercado consumidor, após as descobertas das conseqüências do uso de grãos com qualidade inadequada (grãos manchados por fungos, micotoxinas, valor nutritivo, entre outros). Os padrões de qualidade assumem aspectos diferentes na cadeia produtiva, dependendo do segmento envolvido. O consumidor tornou-se extremamente exigente em termos de qualidade. Nesse sentido, cabe ao produtor produzir com qualidade; ao armazenador, manter a qualidade; às indústrias, processar de forma que as qualidades nutritivas sejam transferidas aos subprodutos; ao consumidor, fiscalizar e selecionar os produtos; e, às empresas produtoras de semente, disponibilizar híbridos que atendam às exigências de toda a cadeia.

Tabela 1. Produção de Milho em relação a outras culturas no Rio Grande do Sul, nas safras 1992/93 e 1998/99

Cultura

Produção Brasil

Produção no Rio Grande do Sul

1992

%

1999

%

1992

%

1999

%

Milho

32,324

45,7

33,594

40,8

5,534

32,1

4,451

28,6

Soja

18,926

26,8

31,115

37,8

5,649

34,7

6,606

42,4

Arroz

10,635

15,0

11,110

13,5

4,570

27,4

3,595

23,1

Trigo

3,078

4,4

2,343

2,8

0,903

5,66

0,516

3,3

Feijão

2,974

4,2

2,915

3,5

0,188

1,25

0,120

0,8

Outras

2,782

3,9

1,34

1,6

0,394

1,65

0,276

1,8

Total de grãos

70,719

100,00

82,417

100,00

17,238

100,0

15,564

100,0

Milho no Rio Grande do Sul

O estado do Rio Grande do Sul, com uma área em torno de 2,0 milhões de hectares e produzindo, em termos médios, cerca de 4,5 milhões de toneladas anuais, ocupa o segundo lugar no país como produtor de milho. O milho é cultivado em todas as microrregiões homogêneas do estado, e há grandes diferenças entre rendimentos médios regionais e municipais, o que demonstra que algumas regiões são mais propícias à produção de milho do que outras e que existem grandes diferenças de adoção de tecnologias. A principal área de produção de milho encontra-se na Região Norte do estado, que é responsável por cerca de 80% do total. Na safra 1997/98, o milho, em relação à produção total de grãos de cereais, de leguminosas e de oleaginosas do estado (14,837 milhões de toneladas) participou com 30% desse montante (Tabela 1). A cultura de milho tem para o Rio Grande do Sul significativa importância sócio econômica. Está presente em 310.797 propriedades rurais, onde, em relação à condição de produtor por grupo de área, é cultivado por 294.360 agricultores (94,7%), em propriedades com áreas menores do que 100 ha e que produziram no último censo 70,20% do total produzido na safra 1995/96, em áreas médias semeadas com milho de apenas 3,33 hectares. A oferta e a demanda de milho no Rio Grande do Sul tem demonstrado grandes variabilidades nos últimos anos, especialmente em decorrência das significativas oscilações de produção. Verifica-se que, nos últimos anos, a avicultura vem crescendo de maneira constante em relação ao consumo de milho, mesmo com a falta de produto para atender às necessidades do estado. Por outro lado, as importações cresceram de maneira muito significativa nas últimas três safras, como conseqüência de decréscimos de rendimentos das lavouras. Outro desafio para a cultura, é o custo de produção, que no Rio Grande do Sul é bastante variado e depende fundamentalmente do sistema de produção empregado. Na Região Centro-Sul, os produtores de melhor nível tecnológico tem competitividade até para disputar mercado com a Argentina.