Clima Desfavorável nos EUA Poderá Provocar Alta nos Grãos


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Publicado em: 01/04/2000

Clima desfavorável nos EUA poderá provocar alta nos grãos

Eng.-Agr. Flávio GassenE-mail: flavio@agri.com.brDisponível no site: www.cooplantio.com.brCotações Chicago de 2nd. posição e dólar comercial venda nominal

O período preliminar ao plantio das culturas de verão nos EUA está gerando momentos de instabilidade no mercado futuro da soja e do milho em função da estiagem no inverno do hemisfério norte e prognósticos indicando precipitações abaixo da média histórica para os meses de maio a julho, época de implantação e desenvolvimento das culturas. Outro fator altista no curto prazo refere-se às projeções das exportações norte-americanas de soja na safra 1999/00 que foram incrementadas em 20 milhões de bushels no relatório mensal de produção/demanda mundial de grãos divulgado em 11/abril, fundamentada no aumento das importações realizadas pela China. É interessante observarmos que as exportações norte-americanas foram favorecidas pelo atraso na colheita do Brasil e Argentina, devido à estiagem ocorrida na safra destes países, reduzindo a oferta nos meses de fevereiro e março. Estes índices de demanda favoráveis provocaram a queda de 6,2% nos estoques dos EUA, reduzindo 8,3 milhões de toneladas nas estimativas em 30 dias. No entanto, devemos observar a intenção de plantio, que se inicia em maio, onde os sojicultores norte-americanos pretendem implantar a cultura em 74,9 milhões de acres (30,33 milhões de ha), representando aumento de 1,1 milhão de acres em relação aos 73,8 milhões de acres (29,89 milhões de ha) da safra 99/2000. A produtividade projetada para a safra 2000/01 é de 39,2 bushels/acre (2,634 ton/ha), contra 36,5 bushels/acre (2,453 ton/ha) da safra anterior. No entanto, se a produção norte-americana atingir as expectativas (clima normal) o estoque final da safra 2000/2001 poderá atingir 445 milhões de bushels, significativamente superior às estimativas de estoque da safra 1999/2000 que são de 325 milhões de bushels e representando 16,1% do uso (exportações, esmagamento, alimento animal etc), contra 12,2% de 1999/2000. A título de comparação, os estoques finais da safra 95/96 foram de 183 milhões de bushels (7,8% do uso), 132 milhões de bushels (5,4%) em 96/97, 200 milhões de bushels (7,6%) em 97/98 e 348 milhões de bushels (13,4%) em 98/99. Observa-se que há um declínio nos últimos 12 meses, mas o percentual de uso ainda mantém-se quase no dobro do ideal e poderá aumentar para 16,1%, provocando queda ainda maior nas cotações do grão. Ao contrário da soja, os estoques projetados do milho para a safra 2000/2001, que está sendo implantada, será a menor dos últimos dois anos. A estimativa da produção mundial de oleaginosas para o ano atinge o patamar recorde de 297,6 milhões de toneladas, representando aumento de 1,9 milhões de toneladas sobre a estimativa realizada em março e 3,1 milhões de toneladas acima do ano anterior. A projeção da produção mundial de soja para a safra 99/00 atingiu 154,7 milhões de toneladas, onde a Argentina será responsável pelo aumento de 1 milhão de toneladas do total de 1,1 milhão de toneladas para a produção mundial. A Argentina plantou 8,35 milhões de ha, com aumento de 150 mil ha em relação à safra anterior, atingindo a produtividade de 2,51 toneladas/ha, segunda maior desde o recorde de 2,8 toneladas/ha da safra de 1997/98. Em relação aos preços futuros da soja, o USDA estima que os mesmos mantenham-se em US$ 4,50/bushel pago ao produtor norte-americano no período de colheita, no entanto, o déficit hídrico nas regiões produtoras do meio-oeste dos EUA poderá alterar este cenário. Na safra de 95/96 o produtor recebeu em média US$ 6,72 /bushel, e nas safras seguintes, US$ 7,35 /bushels (96/97), US$ 6,47 /bushel (97/98), US$ 4,93 /bushel (98/99) e US$ 4,70 /bushel (99/00). Apesar do futuro ter por ofício a incerteza, existem algumas indicações de estabilidade nas operações futuras da soja em Chicago para o segundo semestre do ano, como o estudo do Departamento de Economia Agrícola da Universidade do Michigan - EUA. Segundo estes estudos probabilísticos, os contratos da soja para julho, do mercado de futuros (que sempre é superior ao pago ao produtor), deverão atingir US$ 5,45 /bushel no vencimento, os de novembro US$ 5,49 /bushel e janeiro de 2001, US$ 5,51 /bushel, ressaltando-se que estas projeções foram realizadas para o vencimento dos contratos e são passíveis de reorientação em função de elementos não previsíveis do cenário de produção (clima) e comercialização internacional.