Brasil Apresenta Espaço sobre Meio Ambiente (Exposição de Hannover)


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Publicado em: 01/04/2000

Brasil apresenta espaço sobre meio ambiente

Em função da participação do brasileira na Exposição de Hannover, na Alemanha, a Revista Plantio Direto enviou correspondência ao Sr. Cesário Melantônio Neto, Comissário Geral do Brasil para a Feira, sugerindo um espaço para a abordagem do plantio direto, pelas características favoráveis em termos ambientais que o sistema apresenta, significando uma revolução profunda e silenciosa na maneira de fazer agricultura em todo o país.

Passo Fundo, 09 de março de 2000

Exmo. Sr. Cesário Melantônio Neto Comissário-Geral do Brasil para a Feira de Hannover, Alemanha (Expo 2000) Ministério das Relações Exteriores Brasília-DF

Prezado senhor,

Gostaríamos de parabenizar o Ministério das Relações Exteriores pela escolha do tema ”Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável”, que será apresentado na Expo 2000, a Exposição de Hannover, na Alemanha, de 1º de junho a 30 de outubro. A finalidade da presente missiva é, respeitosamente, sugerir a inclusão de espaço no pavilhão brasileiro para a abordagem do ”Plantio Direto na Palha”, tecnologia empregada no Brasil há 25 anos, que ocupa hoje área estimada em 12 milhões de hectares, principalmente nas culturas de soja, milho, trigo, arroz, feijão, além de outras, correspondendo a cerca de 50% da extensão utilizada na produção de grãos. A nova maneira de fazer agricultura significa uma revolução profunda no panorama agrícola brasileiro, sendo, na prática, o único segmento que conseguiu atender aos apelos da Conferência Mundial de Meio Ambiente , a ECO-92, realizada no Rio de Janeiro. Descrito em termos básicos como um processo que utiliza a palha da cultura anterior, sem revolvimento do solo, exceto na linha de semeadura, o plantio direto permite reestabelecer a racionalidade da agricultura, possibilitando uma melhora da qualidade ambiental, ao reduzir em mais de 90% a erosão do solo e aumentar os teores de matéria orgânica, proporcionando um menor uso de adubos químicos, no decorrer dos anos, sem perdas de produtividade das culturas. A redução de 70% no consumo de óleo diesel é um número conhecido entre produtores e proprietários de postos de combustíveis. Estes itens estão ligados diretamente com a redução de CO2 na atmosfera, pois, além da menor emissão desse gás, as mais recentes pesquisas comprovam que o não revolvimento do solo e a manutenção da palha, com aumento da matéria orgânica, é um processo que ajuda no seqüestro de carbono, colaborando na redução dos níveis de CO2 na atmosfera terrestre e do efeito estufa. Segundo dados de pesquisas, o aumento de 1% no teor de matéria orgânica, numa área estimada de 12 milhões de ha sob plantio direto em todo o país, proporciona a fixação de mais de 100 milhões de toneladas de carbono retiradas da atmosfera. A permanência da palha sobre o solo faz retornar a vida, e o equilíbrio ecológico permite uma redução significativa na utilização de produtos químicos. Fazendas com mais de 10 anos sob plantio direto, em diversas latitudes, praticamente não utilizam esses produtos para controle de pragas na cultura da soja. O manejo correto da rotação de culturas permite um controle fitossanitário mais adequado, prescindindo, em muitos casos, da utilização de agroquímicos. Inúmeros trabalhos já foram publicados por instituições científicas, empresas e associações de produtores, que apoiam estas afirmações. Segundo dados da Embrapa, do Iapar, da Fundacep e de diversos outros órgãos de pesquisa do Brasil, o preparo convencional das lavouras, cuja utilização infelizmente ainda é significativa em todo o país, resulta numa perda média de 20t/ha/ano de solos, principalmente da camada superficial, que possui maior teor de fertilidade, e que acaba sendo um processo que resulta em assoreamento e contaminação de rios, lagos e represas de hidroelétricas. Trata-se de uma relação perversa pois, para um país que tem uma produtividade média de 2t/ha, significa que, para cada tonelada de grãos produzida, perdemos 10 toneladas de terra fértil. O plantio direto estancou esse processo nas lavouras em que é utilizado. Mas, a sua adoção significou muito mais do que a simples redução da erosão à níveis aceitáveis e os produtores que o utilizam sabem dos benefícios adicionais que trouxe. Em 3 décadas de evolução, os produtores e técnicos responsáveis pelo plantio direto utilizado no Brasil criaram tecnologias que servem de modelo para desenvolver sistemas de produção agrícola na América do Sul, na Europa e em países de outros continentes. Diversas delegações de produtores e técnicos franceses, americanos, espanhóis, africanos e asiáticos tem sido notícia ao visitar os principais pólos de desenvolvimento do plantio direto no Brasil. Assistentes técnicos, pesquisadores e produtores líderes brasileiros já fizeram palestras em diversos países europeus. Estamos servindo de modelo para o futuro da agricultura européia, com toda a sua história e poder econômico. As demandas da humanidade determinam a produção de alimentos com tecnologias limpas que utilizem os princípios de sustentabilidade econômica, ecológica e social. O setor agrícola participa com uma parcela significativa das exportações brasileiras e, na Expo 2000, em Hannover, seria oportuno difundir os esforços do nosso agricultor que, sem subsídios, adota práticas avançadas na produção de alimentos. Sendo o que tínhamos para o momento, no aguardo de sua manifestação, despedimo-nos.

Atenciosamente

Gilberto Borges Editor da revista Plantio Direto