Condições Meteorológicas Norte-Americanas Direcionam Mercado Mundial de Grãos


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Publicado em: 01/06/2000

Condições meteorológicas norte-americanas direcionam mercado mundial de grãos

Eng.-Agr. Flávio GassenE-mail: flavio@agri.com.brDisponível no site: www.cooplantio.com.br

O mercado internacional de commodities agrícolas continua atento ao clima na implantação das culturas de verão nos EUA. Os prognósticos são de altas temperaturas e poucas chuvas para o período de junho a agosto, que coincide com a floração e enchimento de grãos da maioria das lavouras do hemisfério norte. Segundo o National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), a ocorrência de fatores climáticos desfavoráveis às culturas da soja, milho e trigo de primavera poderão reduzir significativamente as previsões de rendimento realizadas pelo USDA. No entanto, contrária a estas afirmações, a NASA divulgou seus relatórios, indicando que os efeitos do La Niña já cessaram e o clima deveria desenrolar-se normalmente nos próximos meses, deixando os operadores de mercados futuros desorientados, mas apostando num cenário desfavorável à agricultura norte-americana.

Soja

Os relatórios do USDA referentes à produção/demanda mundial de grãos estão ignorando a possibilidade de redução na produtividade da próxima safra e apontam para produção recorde de grãos nos EUA. Segundo o último relatório do USDA, os norte-americanos aumentarão sua produção de oleaginosas em 9,6 milhões de toneladas, atingindo 91,6 milhões de toneladas, representando acréscimo de quase 12% em relação ao ano anterior. Da projeção sobre as oleaginosas, a soja também representa aumento de 12%, atingindo 2,955 bilhões de bushels (80,42 milhões de toneladas). O significativo incremento na produção de soja deve-se a área recorde de 30,33 milhões de ha e projeção de produtividade na ordem de 2,688 ton /ha (Fig. 1), levando-se em conta os aumentos anuais referentes à tecnologia e clima favorável. A produção mundial de oleaginosas também será recorde neste ano, atingindo 310 milhões de toneladas. Do aumento de 12 milhões de toneladas em relação ao ano passado, somente os EUA participam com 9,6 milhões de toneladas. Este cenário de superprodução provoca queda nas projeções dos preços futuros da soja, que nos EUA deverá cair para uma média de US$ 4,50 /bushel (US$ 4,00 a US$ 5,00), contra US$ 4,65 /bushel pago na safra 1999/2000. Este será o quarto ano consecutivo de queda nos preços desde a safra 96/97, os sojicultores norte-americanos receberam cerca de US$ 7,35 /bushel (Fig. 2). O cenário pessimista citado acima somente ocorrerá se o clima for favorável às culturas de verão norte-americanas, confirmando-se as projeções do USDA.

Fig. 1

Fig. 2

Milho

A safra 2000/01 de milho dos EUA foi estimada em 9,74 bilhões de bushels (247,41 milhões de toneladas), representando acréscimo de 3% sobre a safra anterior, assumindo-se uma produtividade de 8,592 ton/ha numa projeção de área colhida na ordem de 28,8 milhões de ha (31,55 milhões de ha plantados)(Fig. 3). Nestas projeções, realizadas pelo USDA, também assume-se a perspectiva de clima normal no decorrer da safra. Segundo o USDA, os preços pagos ao produtor norte-americano será inferior ao ano anterior, passando de uma média de US$ 1,90 /bushel na safra 99/2000, para US$ 1,80 /bushel na safra 2000/01. De acordo com a Fig. 4, nota-se que os preços pago ao produtor no mercado interno dos EUA apresentam estreita relação com o percentual de uso da oferta de grãos que, por sua vez, é proporcional aos estoques do país. As projeções referentes à produção mundial do grãos indicam aumento de 1,74% em relação ao ano anterior, onde são esperadas safras maiores na Rússia, EUA, Índia e Canadá. Quanto às exportações, os EUA e Argentina serão beneficiados com a projeção de redução nas exportações da China, que deverão atingir 6 milhões de toneladas em 2000/01, representando queda de 3 milhões de toneladas em relação à safra anterior. Segundo o USDA, os estoques mundiais do grão serão aumentados em 5,38% em relação ao ano anterior (Fig. 5), onde a demanda internacional apresenta poucas alterações.

Fig. 3

Fig. 4

Fig. 5