É Hora de Monitorar — Grilos em Lavouras sob Plantio Direto


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Publicado em: 01/06/2000

É hora de monitorar

Dirceu N. GassenPesquisador da Embrapa Trigo, Passo Fundo, RS. E-mail: gassen@cnpt.embrapa.brFone (54) 311 3444

Grilos em lavouras sob Plantio Direto

1. Introdução Os grilos são habitantes dos agroecossistemas considerados praga esporádica em lavouras extensivas. O grilo-preto (Gryllus assimilis) é a espécie mais citada na bibliografia brasileira. Ocorre como praga em hortas e jardins, e em lavouras é um habitante comum. Entretanto, raramente atinge o nível de praga. Nos últimos anos tem se observado a presença do grilo-marrom (Anurogryllus muticus), em pastagens, em gramados e em lavouras sob plantio direto (PD) no sul do Brasil, causando apreensão aos agricultores. Caracteriza-se por cavar galerias com 20 a 30 cm de profundidade no solo e danos severos em manchas de lavouras.

Figura 1. Ciclo biológico e danos do grilo Anurogryllus muticus sob plantio direto (DNGassen)

2. Aspectos biológicos O grilo-marrom permanece no interior da galeria subterrânea durante o dia, bloqueando a entrada com terra. Após chuvas, os grilos depositam montículos de terra, resultantes da escavação, que caracteriza a presença da praga na lavoura. No período entre abril e maio, a contagem de montículos permite determinar a população e a distribuição do inseto nas lavouras. O ciclo biológico completa-se em um ano. A postura ocorre nos meses de setembro a novembro. As ninfas podem ser encontradas em grupos numerosos nas galerias cavadas pelos adultos. No outono, as ninfas aprofundam as galerias, onde armazenam alimento e passam os meses de inverno. A partir do início da primavera passam à fase adulta, iniciam a reprodução e causam danos severos em plântulas. A capacidade de proliferação e os fatores que afetam a dinâmica populacional ainda são pouco conhecidos em lavouras sob PD.

3. Danos Os danos ocorrem em manchas e podem atingir áreas extensivas (unidades de hectare). Causam redução na população de plântulas, especialmente, durante períodos de estiagem. Na Oceania, estudos sobre a capacidade de danos do grilo Teleogryllus commodus, indicam que cada inseto consome 30 a 130 mg de matéria seca por dia, em pastagens. Populações de um grilo/m² podem consumir o equivalente a 0,3 a 1,3 kg de matéria seca/hectare/dia. Os grilos causam danos mais severos em períodos de seca e de temperaturas noturnas elevadas, quando são mais vorazes. Chuvas e temperaturas baixas determinam a redução na atividade dos grilos e permitem o crescimento das plantas tolerando eventuais injúrias. Durante a noite, os grilos cortam as plântulas, transportando-as para dentro das galerias. Populações de um grilo/m² podem causar danos consideráveis em milho e em soja na fase de germinação das plantas. Nos meses de abril e maio, as ninfas aprofundam as galerias no solo e causam danos severos em plântulas presentes nas áreas infestadas. Outro período de danos mais intensos ocorre de outubro a dezembro, quando os adultos encontram-se em reprodução. Os dois períodos de maior consumo dos grilos coincidem com as fases de semeadura e emergência de culturas de inverno e de verão.

Época de inspeção e controle das formigas

4. Controle O controle de grilos em lavouras extensivas é considerado difícil pelo hábito que a praga tem de proteger-se nas galerias e, aparentemente, evitar o consumo de plantas com veneno. A aplicação de inseticidas na parte aérea das plantas, resulta em controle insatisfatório; entretanto, pode proteger a cultura contra a praga por alguns dias, possivelmente por repelência. As informações conhecidas indicam o uso de iscas envenenadas como alternativa de controle da praga. Pode-se usar iscas contendo 50 g i.a. de clorpirifós em 125 ml de óleo de girassol (bruto) misturado com 2,5 kg de farelo de sorgo/ha, ou iscas contendo 2 kg de farelo de trigo, 100 g i.a. de inseticida (triclorfom, carbaril, clorpirifós ou malatiom), 100 g de açúcar ou de melaço e 500 ml de água. A isca pode ser distribuída na lavoura em doses de 5 kg/ha. Resultados melhores podem ser alcançados em períodos secos preservando as iscas e também após a dessecação, quando falta alimento para os grilos. A eficiência da isca é maior nas fases após a colheita das culturas de verão ou após a dessecação de inverno, quando não há alternativa de alimento para os grilos. Se a isca for aplicada após a germinação das plantas cultivadas, os grilos poderão optar pelo vegetal, evitando as iscas envenenadas.

1. Histórico Os primeiros estudiosos da fauna e da flora brasileira já definiram a ameaça das formigas da frase consagrada ”o Brasil acaba com as saúvas ou elas acabam com o Brasil”. Na década de 50 as formigas foram destacadas como ”praga número um da lavoura” do Rio Grande do Sul. A ocorrência de formigas-cortadeiras restringe-se à América entre as latidudes 33 ºN e 33 ºS. As populações e os danos maiores ocorrem no Brasil e no Paraguai.

Controle de formigas-cortadeiras

A partir de meados da década de 90, o controle de formigas tornou-se um problema renovado com dificuldades de eficácia dos métodos tradicionais de combate. As dificuldades de controle foram, empiricamente, associadas à evolução da área cultivada sob plantio direto. Não há evidência de mutação, resistência ou espécies diferentes de formigas atacando plantas cultivadas. A instalação de novos formigueiros ocorre, principalmente, em solos desnudos e em áreas cobertas com palha, sob plantio direto, o número de formigueiros jovens é menor, provavelmente pela presença de inimigos naturais que se desenvolvem na superfície do solo.

2. Principais formigas cortadeiras As espécies de importância econômica pertencem aos gêneros Atta e Acromyrmex (Hym., Formicidae). São insetos sociais organizados em castas. A rainha, ou içá, é responsável pela oviposição e pode viver até 15 anos. Quando ela morre, o formigueiro também desaparece. As operárias vivem em torno de quatro meses e são organizadas em três grupos: jardineiras, cortadoras e soldados. As jardineiras são as formigas menores, cuidam da cultura do fungo e da alimentação das larvas e da rainha. As cortadoras, de tamanho médio, são responsáveis pelo corte e pelo transporte do material verde. Os soldados, de tamanho maior, desempenham a função de defesa do formigueiro. Na primavera desenvolvem-se as formas sexuadas ou aladas. Os machos, após a cópula, morrem. As fêmeas, futuras rainhas, perdem as asas e formam novos formigueiros. As saúvas, Atta spp., são as principais formigas causadoras de danos às plantas cultivadas no Brasil. Apresentam três pares de espinhos no dorso do tórax, tamanho variável de 0,2 a 1,5 cm de comprimento e coloração marrom. Caracterizam-se por construir um sauveiro com vários olheiros e muitas panelas subterrâneas. As quenquém ou formigas-de-monte, Acromyrmex spp., apresentam quatro ou cinco pares de espinhos no dorso do tórax, comprimento inferior a 1,0 cm e coloração pardo-escura. Os seus ninhos são menores que os das saúvas, formados, normalmente, por uma só panela. São construídos em forma de monte na superfície, cobertos por material vegetal, ou a pouca profundidade no solo.

3. Danos As formigas usam as plantas como substrato para o cultivo de fungos dos quais se alimentam. Elas não consomem as folhas transportadas para os seus ninhos. Andam longas distâncias em busca de substrato mais adequado paro os fungos. Em dias imediatamente anteriores a chegada de frentes frias que resultam em chuvas, as formigas armazenam maior quantidade de alimentos para os fungos. Nesses dias, os danos são mais intensos e o controle com iscas formicidas pode ser mais eficiente. Elas são especializadas em identificar substâncias tóxicas e, por isso, o controle torna-se difícil com o uso de iscas envenenadas de qualidade inferior ou com microrganismos.

4. A causa da crise no controle Durante muitos anos os inseticidas clorados, especialmente, o dodecacloro, na formulação isca granulada, constituiu-se na principal alternativa de controle de formigas. Nos últimos anos, os problemas causados pelos inseticidas clorados foram cada vez mais destacados justificando plenamente a proibição de uso destes produtos na agricultura. Como conseqüência, começaram a aparecer reclamações relacionadas à ineficiência de iscas granuladas e sobre a necessidade de desenvolver alternativas de controle da praga. Foram criados grupos especiais para estudar o problema, procurando-se alternativas para os clorados. As preocupações manifestadas por agricultores e por extensionistas estão relacionadas ao aumento considerável de danos causados pelas formigas e à ineficiência dos métodos tradicionalmente usados.

5. Controle O controle de formigas é feito com inseticidas, nas formulações de isca granulada, de pó seco e de gás. Após a proibição de uso do ingrediente ativo dodecacloro, os nomes comerciais dos principais formicidas granulados foram mantidos, porém, com novos ingredientes ativos. A eficácia no controle algumas vezes foi insatisfatória e, como conseqüência, iniciaram-se as reclamações.

5.1. Formicidas granulados As iscas granuladas são transportadas pelas formigas, como se fossem alimento para os fungos. Por isso, a qualidade da isca e o tipo de ingrediente ativo são fundamentais para a eficiência no controle. A isca deve ser de qualidade igual ou superior ao das folhas ou partes de plantas que as operárias buscam para alimentar o fungo. A formiga é um dos insetos sociais mais evoluídos e desenvolveu estratégias sofisticadas de defesa. As iscas granuladas com inseticidas clorados são estáveis e eficientes no controle de formigas. Outros ingredientes ativos de ação mais rápida permitem às formigas identificar a substância tóxica, isolando as áreas intoxicadas e transportando o formicida para fora do formigueiro. Quando conseguem recuperar-se de uma tentativa de controle com isca granulada, mal feita, as formigas adquirem a habilidade de identificar a substância tóxica e não levam mais o formicida para dentro do formigueiro. Esses formigueiros são denominados de ”amoados”. Com a descoberta de inseticidas clorados, principalmente o dodecacloro, usado em iscas, o controle de formigas tornou-se, relativamente simples. Os inseticidas clorados, por serem persistentes e estáveis, foram usados com sucesso em iscas granuladas, durante muitos anos. Tanto que nas décadas de 70 e 80, o controle de formigas não era considerado problema, nem fazia parte das prioridades de pesquisa ou de treinamento de agricultores. O controle era prático e economicamente viável. Formicidas granulados com novos ingredientes ativos estão sendo lançados no mercado, com índices de controle semelhantes aos dos antigos inseticidas clorados. Porém, com necessidade de maiores cuidados na manipulação e na aplicação nos momentos em que os formigueiros encontram-se em intensa atividade.

5.2. Formicidas pó-seco A aplicação de pó-seco deve ser feita nos olheiros com maior atividade, ou através de orifício feito na panela das formigas de monte. É importante destacar que as panelas estão situadas nos lados dos canais ou no fim do formigueiro e não são passagem para outras partes do ninho. Assim, para o controle efetivo é necessária a aplicação de inseticida em quantidade elevada e de forma vigorosa para atingir todos os ambientes do formigueiro, garantindo a sua morte.

5.3. Formicidas nebulizados A aplicação de produtos nebulizados, com equipamento motorizado, é eficiente no controle de formigas e de custo menor para lavouras extensivas. Os cuidados para obter a melhor eficácia são os mesmos indicados para inseticidas na formulação pó-seco.