Importância da Rotação de Culturas em Plantio Direto


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Publicado em: 01/06/2000

Importância da rotação de culturas em plantio direto

Importância da rotação de culturas em plantio direto Márcio ScaléaEng.-Agr. da Monsanto do Brasil - Uberaba - MGFone: (34) 315 0899 - E-mail:marcio.j.scalea@monsanto.com

Rotação de culturas, segundo o pesquisador Geisler, é o cultivo de diferentes espécies em seqüência temporal numa mesma área de terra, obedecendo a uma alternância ordenada entre as espécies. Em outras palavras, pode ser definida como o oposto da monocultura, que é o cultivo ano após ano de uma mesma espécie vegetal numa determinada área. Os beneficies da rotação de culturas se mostram em 3 níveis, ao romper os ciclos históricos ou regionais das monoculturas:

Nível agronômico: pela quebra do ciclo de pragas, doenças e plantas daninhas, por uma exploração diferenciada do solo, com o resíduo de certos nutrientes que favorecem as culturas subsequentes (caso clássico do milho seguindo uma leguminosa e aproveitando o nitrogênio residual), etc. Nível econômico: dentro da propriedade, que passa a ter o risco da atividade agrícola distribuído por dois ou mais produtos. Nível estratégico: para as autoridades e populações municipais, estaduais e regionais, que se livram dos fantasmas de quebras de safra ou de preço, sinônimos de quebradeira geral.

Se nos sistemas convencionais de plantio a rotação de culturas é importante, no plantio direto ela é essencial. O ato de preparar o solo, enterrando restos de culturas e de mato, acaba por atenuar os efeitos negativos de uma monocultura. Com o PD estes restos ficam na superfície e o risco de aumentar certas pragas e doenças é maior. Por outro lado, todavia, o plantio direto facilita sobremaneira a instalação de culturas em sucessão ou rotação, ao eliminar gastos de tempo com operações desnecessárias. Então, tanto a rotação de culturas é importante para um bom PD, como o PD é importante para uma boa rotação de culturas. Alternativas para rotação de culturas nos Cerrados

Existem as soluções paliativas como as culturas em sucessão, com as dobradinhas soja/milho, soja/sorgo, milho/sorgo, soja/feijão, que se sucedem dentro de um mesmo ano agrícola, no que se conhece como safra e safrinha. São paliativas porque a experiência tem mostrado que há necessidade de se ter um plantio de milho no verão, como cultura principal a cada 4 ou 5 anos. Há ainda outras espécies que se prestam ao cultivo em sucessão, como o milheto, a aveia preta, o niger e o nabo forrageiro, que apenas eventualmente poderão vir a produzir grãos e renda pois, de modo geral, são plantadas apenas para a produção de massa. Há soluções mais gerais e mais tecnificadas como a Integração Agropecuária, onde a alternância de 2 a 3 anos de soja, com alguns anos de pastagem, permite a configuração de uma real rotação. E há as possibilidades mais recentes, com a introdução do arroz de sequeiro e do algodão como excelentes alternativas para quebrar os ciclos da monocultura da soja. Em todas as situações, paliativas ou definitivas, para renda ou apenas cobertura, o plantio direto tem sido tanto ferramenta essencial para os cultivos, quanto primeiro beneficiário da adoção das rotações de cultura.