Em 10 anos,
1 Bilhão de toneladas de solos preservados;11 bilhões de dólares deixaram de ser gastos;1,3 bilhão de litros de combustível economizados;500 milhões de toneladas de CO2 seqüestrados.
Segundo a estimativa de pesquisadores da Embrapa, do Iapar, da Fundacep, da GTZ-MAG (Paraguai) e de outras instituições nacionais e internacionais, projetamos os números acima para o período de 10 anos da existência da Revista Plantio Direto, que iniciou em setembro de 1990. Em uma década, a área sob plantio direto evoluiu de um milhão de ha para mais de 13 milhões de ha no ano 2000, segundo dados da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha, apresentados no 7º Encontro Nacional, em Foz do Iguaçu, no mês de agosto. Se somarmos as áreas de plantio direto de todos esses anos, chegamos a um número de 65 milhões de ha, o que nos serviu como base para estimarmos esses números, baseados em projeções de pesquisadores como Ademir Calegari, José Rüedell, Rolf Derpsch, Dirceu Gassen e outros, que fizeram cálculos das diferenças entre plantio direto e preparo convencional, em seus diversos itens, como preservação/perdas de solos, água, agroquímicos, sementes e fertilizantes, consumo de combustível, aumento de produtividade, seqüestro de carbono, etc. Nesse período, o Brasil deixou de perder um bilhão de toneladas de solos férteis, numa estimativa média do que os cientistas da área de manejo de solos encontraram em suas pesquisas. Sim, porque os trabalhos da área registram perdas bem mais elevadas/ha, conforme pendentes, tipo de solo e precipitação, chegando a mais de 50 t/ha, em casos mais extremos. Nossa estimativa é de 15 t/ha de solos perdidas por erosão, média utilizada pelo pesquisador Ademir Calegari, do Iapar , em palestra apresentada no 5º Congreso de Siembra Directa da AAPRESID, na Argentina. A poupança de combustíveis, que também implica na redução de fatores que afetam o efeito estufa, é um número impressionante: pelo menos um bilhão e 300 milhões de litros de óleo diesel deixaram de ser consumidos nesse período. Um fato inquestionável é que, além de preservar solos, água, fertilidade e aumentar a produtividade ao longo do tempo, o sistema plantio direto foi um fator básico para o estabelecimento de um novo perfil da agricultura brasileira, tornando-a mais habilitada a enfrentar os desafios econômicos e técnicos deste final de milênio, que tem como características principais a globalização dos mercados e do conhecimento. Em uma década de existência, servimos como um dos canais de ligação entre as fontes geradoras de tecnologias voltadas ao plantio direto e aqueles que utilizam o sistema a nível de campo, produtores e técnicos das mais variadas latitudes. Assim, fomos um elo modesto de uma ampla corrente que, sem subsídios, caminhando com as próprias pernas, implantou uma verdadeira revolução na forma de fazer agricultura em todo o país, e que está servindo de modelo para todo o mundo. Ao analisarmos a história destes 10 anos, além da possibilidade de exercitarmos números tão fantásticos e positivos, a grande alegria que nos faz prosseguir o trabalho, é a certeza de que ajudamos na preservação e melhoria do ambiente para os nossos filhos e as gerações futuras. E que a nobreza dos nossos objetivos, fez um amigo em cada uma das pessoas com que convivemos neste período de luta vitoriosa.
Gilberto BorgesEditor