Sucesso na integração lavoura/pecuária
”A pastagem ajuda a melhorar a estrutura do solo, auxiliando o plantio direto. Muitos acham que o gado compacta a terra, mas é justamente o contrário, a pastagem ajuda a descompactar. O pisoteio dos animais compacta o solo de 7 a 10cm, mas a descompactação é feita pelo sistema radicular. Quando se cavoca, em cima é duro, mas embaixo é bem macio, bem poroso e essa melhoria na estrutura proporciona respostas positivas à adubação e à retenção de água”
”O plantio direto começa a oferecer benefícios após o terceiro ou quarto ano e, se usarmos arado ou grade, nunca teremos os benefíos da matéria orgânica e da proteção da palha” Ake Van der Vinne
”O entusiasmo pela integração lavoura e pecuária sob plantio direto é do produtor Ake Van der Vinne, proprietário da Fazenda Cabeceira, em Maracaju/MS, que esteve presente ao 7º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha, em Foz do Iguacu. Poder-se-ia pensar que a composição do solo de sua fazenda é favorável, de textura leve, mas ele possui todos os tipos de textura. ”Estou na divisa da argila para a areia, afirma. Na frente da minha propriedade tenho 60-70% de argila e, no fundo, 30%.” ”Ake Van der Vinne não tem intenções de mexer no solo de sua propriedade de 700 ha, que está sob plantio direto desde 1984. Por causa dessa certeza, ele aguentou os prejuízos do percevejo castanho, que causou danos na cultura da soja, nas terras arenosas, há dois anos atrás. Ake ficou preocupado, mas o estrago não foi tanto e, neste ano, o ataque já foi bem menor, com tendências a desaparecer naturalmente. ”Não tenho idéia de lavrar minha terra, afirmou ele. Temos os canais que os corós fizeram e, se lavrarmos, estragamos tudo. O plantio direto começa a oferecer benefícios após o terceiro/quarto ano e, se usarmos arado ou grade, nunca teremos os benefícios da matéria orgânica e da proteção da palha. Se você lavrar, destruirá aquilo que construiu e terá que fazer tudo de novo. ”O produtor da Fazenda Cabeceira destaca o apoio técnico da Fundação MS. Porém, quando ele veio para Maracaju, em 1972, e depois, quando começou a praticar o plantio direto na safra 76/77, haviam dificuldades técnicas, pois não existiam fontes de consulta, a não ser em Carambeí e Castrolanda, no Paraná, de onde emigrou e onde estavam sendo feitas as primeiras experiências com semeadura direta. Uma visita à Fazenda de Herbert Bartz, em Rolândia, foi providencial e, depois de algumas tentativas de plantio direto em terras arrendadas, que precisavam ser devolvidas, e numa área própria, que foi vendida para a compra da atual, Vinne finalmente estabeleceu o sistema em 1984 e hoje já está com 16 anos sem utilizar preparo nas suas lavouras. ”Ele introduziu a pecuária, mas utilizava áreas de pastagens separadas das lavouras. Como a cultura de milho tem dificuldades de ordem climática na região, Ake Van der Vinne pensou e colocou em prática a rotação com pecuária e soja, que fornece o nitrogênio para as pastagens. ”A criação de gado enche um pouco o vazio que temos no inverno no Mato Grosso do Sul, porque nós não temos nenhum cultivo absolutamente seguro, nem todos podem fazer milho safrinha e a opção da aveia preta é real”, relatou ele. O esquema da fazenda envolve 450 ha de soja e 250 ha de pastagens. No inverno, 2/3 da parcela destinada à soja é coberta com aveia preta, sendo que ele utiliza 30 kg de aveia e 7 kg de capim Tanzânia, o que proporciona um pastoreio mais longo e uma boa cobertura para fazer o plantio direto, em novembro. A presença do Tanzânia permite um pastoreio em agosto e setembro, e uma recuperação da massa para cobertura em outubro, quando o clima favorece. Neste ano, quando a forte geada prejudicou a pastagem, Ake der Vinne planejou plantar milheto em agosto, com tempo para formar uma boa cobertura até novembro. O controle de plantas daninhas nas áreas onde é feito pastoreio é facilitado porque os animais consomem as plantas antes da produção de novas sementes. ”Com todo esse mecanismo, finalizou Ake, nos últimos seis anos, nossa média de soja foi superior a 3.000 kg/ha, enquanto a produção de carne se situa em torno de 20 arrobas/ha. A produtividade de milho safrinha é variada, em função do clima instável mas, no ano passado, a média foi de 6.000 kg/ha. Na safrinha de 2000, infelizmente, não ultrapassaremos 2.500 kg/ha.”