Pequena Propriedade vencedora
”O trabalho de exploração integrada, com base no plantio direto, além de garantir uma vida tranquila para a família de 5 pessoas, nos 25 ha da propriedade, localizada em Rio do Campo/SC, rendeu o prêmio principal da região sul do país do 2º Concurso de Tecnologia de Plantio Direto, promovido pelo Grupo Plantio Direto, com apoio da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha, ao produtor Arcângelo Moratelli. Ele recebeu a premiação, juntamente com o produtor Luciano Muzzi Mendes, de Maracaju/MS, vencedor da região do Cerrado, durante as solenidades oficiais do 7º Encontro Nacional, em Foz do Iguaçu. A propriedade de Moratelli, que é ponto de referência na região, está localizada em Ribeirão Caçador, no município de Rio do Campo, no alto vale do Itajaí, em Santa Catarina. ”O fumo é a nossa cultura principal, relatou ele. Cultivamos 3 ha de fumo, onde também utilizamos plantio direto, e 3 ha de milho. O restante da propriedade possui 3 ha de reflorestamento com eucalipto, pastagens e mata nativa, uma área de preservação permanente.”
Arcângelo Moratelli e Célio Averroth, premiados no 2°Concurso de Tecnologias de Plantio Direto
Arcângelo Moratelli enfrentou dificuldades no início do plantio direto, há seis anos atrás. O sistema foi melhorando, a terra estava meio compactada mas o desempenho das culturas cresceu no decorrer do tempo, tanto em quantidade como qualidade. ”No caso do fumo, existem muitas vantagens, afirmou ele. Nós colhemos 2.433 kg/ha, contra 1.700 kg/ha de média na região. Além disso, ganhamos um diferencial de preço pela qualidade do nosso produto final.” Moratelli atribui essa vantagem ao fato da terra estar mais conservada e o solo bem nutrido. Segundo ele, o transplante continua sendo manual, o que é favorecido pelo trabalho em cima da palha de aveia. No plantio convencional, o transplante é um pouco mais rápido, mas não existe comparação com o plantio direto, onde estão eliminadas as lavrações e gradagens, é preciso somente sulcar, adubar e plantar. Um dos aspectos mais importantes que percebemos na propriedade de Arcângelo Moratelli é uma melhor uniformidade no armazenamento e disponibilidade da água, uma vez que o solo está melhor estruturado. Em períodos secos, a cultura se desenvolve melhor e aí talvez esteja a resposta para a qualidade do fumo que ele produz, pois a planta não sofre estress e apresenta um desenvolvimento normal.” As afirmações são do engenheiro agrônomo Célio Averroth, da prefeitura municipal de Rio do Campo, que trabalha no projeto de microbacias da região e acompanha a propriedade de Moratelli praticamente desde o início da introdução do plantio direto. Para ele, também em anos chuvosos, como o terreno está estruturado, a drenagem é melhor e, em ambas as situações, a lavoura tem mantido uma produtividade normal, diferente do pessoal que ainda utiliza o sistema convencional. ”Estas são as grandes diferenças, disse Averroth, que também foi premiado pelo trabalho desenvolvido no apoio técnico ao produtor: os custos de produção diminuiram, melhorou a qualidade e aumentou a produtividade, com uma estabilidade ao longo dos anos.” O quadro de adoção do plantio direto na região ainda é precário, segundo o engenheiro agrônomo de Rio do Campo. Porém, existe um crescimento ano a ano, principalmente por demonstrações e dias de campo que realizam na propriedade de Arcângelo Moratelli e outros pequenos produtores que acreditaram na proposta.