Muzilli, 25 Anos de Plantio Direto (IAPAR)


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Publicado em: 01/10/2000

Muzilli, 25 anos de plantio direto

O pesquisador Osmar Muzilli completa 25 anos de trabalho ininterrupto com plantio direto este ano. Em 1975, já trabalhando no Iapar, em Londrina, ele teve a felicidade de ver colocada em prática uma proposta de trabalho que era o coroamento de um sonho profissional, quando a instituição firmou um acordo com a ICI, hoje Zeneca, numa das primeiras parcerias do setor público com a área privada, visando o desenvolvimento do plantio direto. Em Foz do Iguaçu, conversamos com Muzilli, quando ele relatou um pouco da sua história e manifestou a satisfação pelo sucesso do 7º Encontro Nacional, do qual ele era o coordenador técnico.

Osmar Muzzili, 25 anos trabalhando com plantio direto

Revista Plantio Direto - Qual é a sua avaliação do 7º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha ? Como foi a organização técnica do evento?

Osmar Muzilli - Como todo evento desse porte, a organização técnica sempre assusta mas, felizmente, conseguimos montar uma equipe eficiente no trabalho. Foram quase dois anos de esforços conjuntos da Federação Brasileira, do Iapar, dos Cats, Emater, APDC, empresas do setor privado, enfim, de todas as entidades que tem compromisso com a sustentabilidade da agricultura, fundamentada no plantio direto. Sobre uma avaliação, eu diria que somos suspeitos, mas acho que estamos indo muito bem, superando um pouco as expectativas. Tivemos excelentes palestrantes, temas de interesse geral, um público espetacular de quase duas mil pessoas, com uma participação muito ativa, um pessoal educado, que cumpre horários. Considero um sucesso o evento mas, como disse, sou suspeito.

RPD - Algum destaque especial entre os temas apresentados?

Muzilli - Hoje eu ví uma sequência de três apresentações que se complementaram, mesmo que não houvéssemos projetado isso. Primeiro, tivemos a apresentação do Dr. Donald Reicosky, dos Estados Unidos, que trouxe uma mensagem de como o plantio direto pode fazer uma efetiva contribuição da agricultura para o sequestro de carbono no solo, mantendo a qualidade do ar. Logo em seguida, numa sessão que eu tive a oportunidade de conduzir, ocorreu a apresentação do engenheiro agrônomo e produtor Ulfried Arns, do Rio Grande do Sul, que mostrou como a tecnologia do plantio direto bem aplicada, previlegiando o manejo biológico e cultural do solo, ajuda o agricultor a minimizar custos, a fazer melhor uso do recurso disponível, sem afetar a produtividade e a estabilidade econômica. Na sequência, o pesquisador e professor Telmo Amado, da Universidade Federal de Santa Maria/RS, deu uma aula espetacular sobre dinâmica da matéria orgânica e manejo de plantas de cobertura. No meu entender, foram três palestras complementares, sem que tivéssemos programado esse objetivo. Nós também tiramos deste Encontro a comprovação de que o plantio direto é um sistema de produção, que não existe um modelo único e que cada região tem que buscar suas próprias soluções, com base na informação científica disponível, na experiência dos produtores que iniciaram há mais tempo e, acima de tudo, na organização de todos em torno de objetivos comuns.

RPD - Conte-nos um pouco da sua história e a relação com plantio direto. Quais foram seus primeiros contatos com o sistema?

Muzilli - Meu primeiro contato com plantio direto aconteceu em 1971, quando o meu amigo Milton Ramos, pesquisador do Ipeame, convidou-me para conhecer algo novo que ele estava fazendo na Estação Experimental de Ponta Grossa. Na ocasião , eu era professor assistente na Universidade Federal do Paraná e me entusiasmei com o que ví, tendo manifestado para o Milton. Não tive qualquer seguimento nessa área porque, quando fui, em seguida, fazer minha pós graduação na ESALQ, o meu orientador recomendou que eu não me envolvesse com plantio direto, que eu poderia ”cair do cavalo”. Em 1974, ingressei no Iapar, já com mestrado em Fitotecnia, com ênfase em manejo de solo. Em 1975 foi feito o convênio com a ICI e iniciamos o projeto, com uma base em Londrina e outro em Carambeí, trabalhando em colaboração com o pessoal da Cooperativa Central de Laticínios do Paraná. Nosso alvo era mostrar o plantio direto não só como técnica de controle da erosão, mas como um sistema de produção. Depois, tivemos outro convênio importante com a GTZ, que nos viabilizou todo um conhecimento sobre plantas de cobertura e adubos verdes. São momentos históricos que vieram se agregando. Mais tarde, tivemos o impacto do plantio direto com tração animal, a partir de um protótipo de máquina desenhada pela área de engenharia do Iapar, seguindo-se os sistemas de produção adequados para os pequenos produtores do sul e sudoeste do Estado, já em parceria com a Emater.

RPD - Qual a sua avaliação atual sobre o sistema?

Muzilli - Lá se vão 25 anos desde que batí a primeira estaca de um ensaio com plantio direto. Acho que o sistema só tende a evoluir, os desafios existem e a fronteira está na imaginação de cada um, na capacidade de inovar, conforme a situação. Uma solução tende a gerar um novo problema e, segundo um professor que tive, é aí justamente onde nos agarramos para fazer melhor aquilo que viemos fazendo. Cada novo desafio é uma injeção na veia. A vida ensina a ter persistência, tolerância, senso de criatividade, inovação e muito trabalho.