Plantio Direto de Tomate em Rio Verde
Uma experiência com a cultura do tomate, realizada em Rio Verde/GO, no começo deste ano, pode ter aberto um novo espaço para o plantio direto. Apesar da falta de chuva, que prejudicou a produtividade final, as pessoas envolvidas no projeto, e também alguns produtores da região, estão entusiasmados com o potencial da cultura e planejam uma evolução na área plantada. A idéia surgiu no momento em que foi instalada uma agroindústria de atomatados da Gessy Lever na região de Rio Verde e esse fato despertou a nossa atenção”, relata o engenheiro agrônomo Silvio Marcos Ferreira, que coordenou o trabalho. Como a rotação de culturas é um conceito básico nas lavouras por ele assistidas, resolveu colocar o tomate como mais uma opção, observando o desempenho da cultura nessas condições. Segundo registros da Embrapa e da própria Gessy Lever, esta foi a primeira experiência em plantio direto de sequeiro em todo o mundo. A área de um ha foi instalada sobre uma palhada de milho, tendo sido transplantada no dia 24 de fevereiro, utilizando-se uma transplantadeira Sunday, com um espaçamento de 1,20m entre linhas. O fertilizante básico, 1.500 kg de fórmula utilizada em milho, foi aplicado com uma semeadora da própria fazenda. Foram feitas duas adubações de cobertura, perfazendo um total de 2.600 kg de fertilizantes, incluindo-se aí os complementos de fertilizantes aplicados via foliar.
Plantio direto de tomate sobre palha de milho em Rio Verde, uma experiência de sucesso
Desempenho
”Tivemos um ano atípico em relação à chuva, a cultura recebeu água até os 40 dias mas, após esse período, passou praticamente 80 dias sem chuva”, disse Silvio Ferreira, informando que começaram a aparecer problemas de deficiência de cálcio, que eles tentaram suprir com adubação foliar. ”Logo no início, notamos algumas diferenças em relação às áreas irrigadas e por ser plantio direto”, disse ele. A primeira observação foi a de que as plantas estavam com um desenvolvimento mais compacto, com redução da distância dos entre-nós, possivelmente pela liberação gradual de N. Isto aumentou o número de pencas, o que, em condições normais, significa um potencial maior de produtividade. Segundo Silvio, este fato pode permitir o aumento do número de plantas ou, se continuar a mesma quantidade, dificultar o aparecimento de doenças, por uma maior ventilação e incidência de luz. Por causa da baixa precipitação, o surgimento de doenças foi mínimo e foram realizadas duas pulverizações com fungicidas, mais por descarga de consciência do que por necessidade objetiva. Nas áreas irrigadas foram feitas 18 aplicações. ”Com os problemas que tivemos, até que a produtividade alcançada foi boa. Contra uma expectativa normal de 50 a 60 ton/ha, se houvesse chovido, nós colhemos 36 ton. A produtividade em áreas irrigadas chegou a 90 ton, mas os custos são bem mais significativos”, relatou o engenheiro agrônomo de Rio Verde. Ele comparou a renda líquida com a cultura da soja e, feita a conversão, o lucro foi de 44 sacos de soja, praticamente o dobro do rendimento líquido obtido com a oleaginosa. Além disso, como foi uma época de pouca disponibilidade de água, o fruto ficou mais concentrado e o grau Brix, indicador que mede os sólidos em relação à água, também utilizado em cana, atingiu 8,5, enquanto os frutos produzidos sob irrigação atingiram 4,5 a 6. Isto significou que, pelo fato da indústria premiar o grau Brix mais elevado, eles receberam quase 40% acima do preço pago aos tomates normais. O fato de ter sido cultivado sob plantio direto também agrega duas vantagens, que foram observadas na experiência de Rio Verde. A primeira delas é que o fruto fica sobre a palhada e não entra em contato com solo, sendo protegido e evitando a contaminação por doenças. O segundo ponto de vantagem envolve a colheita mecanizada, utilizada na região toda. No plantio direto, a plataforma da colhedora desliza melhor sobre a palhada e, mesmo que ela recolha um pouco de palha, isso é vantajoso em relação ao preparo convencional onde a máquina recolhe bastante solo, que é abrasivo e provoca um desgaste muito maior nos equipamentos. A evolução da área plantada com tomate sob plantio direto na região vai depender de variações climáticas e dos planos da indústria. Seis produtores estão programando plantar tomate dessa maneira, cuja primeira experiência apontou um caminho promissor.