Aprofundamento na Matéria Orgânica — João Carlos de Moraes Sá-Juca + Mauricio Ambrogio


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Publicado em: 01/10/2000

Aprofundamento da matéria orgânica

Depois de um ano e meio fora do circuito brasileiro de plantio direto, o pesquisador e professor João Carlos de Moraes Sá-Juca, da Universidade de Ponta Grossa/PR, está voltando ao seu ritmo normal de atividades de difusão do sistema, tendo participado do 7º Encontro Nacional, em Foz do Iguaçu, como uma forma de se inteirar do que havia de novidades e rever os colegas e amigos da área. Juca, juntamente com sua esposa Márcia Freire Sá, estiveram durante esse tempo na Ohio State University, em Columbus, complementando o trabalho de doutorado que estão realizando na Esalq/CENA, em Piracicaba/SP. ”Para nós, foi muito importante esse período de tempo em Columbus, sob o ponto de vista de reciclagem de conhecimentos”, afirmou Juca, em Foz do Iguaçu. Foi um espaço de tempo dedicado totalmente aos estudos. Apesar disso, Juca teve muitas oportunidades de saídas a campo, junto com grupos de pesquisas, principalmente porque eles sabiam do seu envolvimento com o plantio direto no Brasil. Através dos seus orientadores, drs. Warren Dick e Rathan Lal, que também possuem um largo histórico de trabalhos em plantio direto, ele teve oportunidades de conhecer vários aspectos do sistema no estado de Ohio. Além disso, Juca participou do Congresso Internacional de Solos, na Universidade de Purdue, em Indiana, e na Reunião Anual da SWCS (Soil and Water Conservation Society), em Salt Lake City, onde apresentou um trabalho. ”Procuramos sempre interagir com os grupos que trabalham nessa área e isso foi bastante positivo”, disse ele. Segundo Juca, do ponto de vista de pesquisa, a principal diferença existente é a estrutura das universidades e a maior disponibilidade de recursos dos americanos, com uma quantidade maior de pessoas trabalhando e produzindo resultados. No Brasil, apesar de boas estruturas, existe uma série de limitações, no seu entendimento. ”Quanto à participação dos produtores, a diferença é que aqui no Brasil existe uma paixão, um envolvimento maior. Lá, o repasse de informações para os produtores é feita de uma forma mais fria, através do serviço de extensão, enquanto aqui os produtores tem uma penetração maior nos outros segmentos. Nos estados Unidos, o crescimento do plantio direto aconteceu em regiões de clima mais frio, enquanto no Brasil a área está concentrada numa região tropical e de transição para sub tropical.”

Matéria orgânica ”Hoje está provado que a matéria orgânica é o componente chave do sistema plantio direto e de qualquer sistema de produção agrícola”, afirmou o professor da Universidade de Ponta Grossa. Como sua formação é na área de fertilidade do solo, Juca sentiu a necessidade de aprofundar os conhecimentos sobre a dinâmica da matéria orgânica no plantio direto e quantificar alguns aspectos a ela relacionados nas condições dos Campos Gerais do Paraná. Em 1996, ele apresentou um projeto ao professor Carlos Cerri, do Centro Nacional de Energia Nuclear na Agricultura-CENA, de Piracicaba/SP, obtendo uma resposta positiva. ”Para as regiões tropicais, o primeiro impacto que a matéria orgânica causa é o aumento de cargas negativas no solo, o que vai influenciar na capacidade de troca de cátions e no transporte de água. Além disso, a matéria orgânica é responsável por um rearranjo estrutural, o que proporciona uma formação de agregados e um melhor funcionamento das propriedades hídricas do solo e, como consequência, um aumento da fertilidade, porque ela melhora as propriedades físicas e químicas.” Juca está voltando com o ânimo redobrado. ”Estou feliz com o que estou vendo neste Encontro, finalizou ele. Muitas coisas estão evoluindo e eu acho que é o momento de unir esforços para consolidar os conhecimentos e buscar as soluções necessárias aos entraves que se apresentam ao desenvolvimento do sistema.”