Especial 10 Anos — Um Projeto Vitorioso (Safras 90/91 a 99/00)


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Publicado em: 01/10/2000

Um projeto vitorioso

Havia uma grande efervescência técnica, com as perspectivas de um avanço significativo na área de plantio direto no Brasil, quando lançamos a primeira edição do Jornal do Plantio Direto, na primeira quinzena de setembro de 1990. O lançamento aconteceu durante a I Jornada Sulbrasileira de Plantio Direto, realizada de forma conjunta em Cruz Alta/RS e Ponta Grossa/PR, entre os dias 10 e 13 de setembro, com apoio da Fundacep, Clube Amigos da Terra, Associação dos Engenheiros Agrônomos e Prefeitura Municipal de Cruz Alta, Centro Nacional de Pesquisas de Trigo-Embrapa, Sociedade Rural dos Campos Gerais, Seab, Iapar, Centro Nacional de Pesquisas de Soja-Embrapa, Associação Conservacionista, Associação dos Engenheiros Agrônomos e Prefeitura Municipal de Ponta Grossa. O evento foi um sucesso técnico e de participação de produtores, em função da qualidade dos palestrantes, entre os quais era possível destacar José Ruedell, Erivelton Roman, Ibanor Anghignoni, Erlei Melo Reis, José Tadashi Yorinori, Osmar Muzilli, Fernando Almeida, Franke Dijkstra, Manoel Henrique Pereira, entre outros, e Carlos Crovetto, vindo especialmente do Chile para fazer a palestra final em Cruz Alta e Ponta Grossa. No editorial da primeira edição, assumimos ”O compromisso de atender às necessidades de veiculação dos múltiplos conhecimentos da área de plantio direto, gerados constantemente pela pesquisa, extensão rural, produtores e empresas ligadas ao ramo agrícola. Acreditamos que o nosso informativo será um instrumento a mais na luta pela preservação ambiental, de cuja eficiência o plantio direto não deixa dúvidas, bem como da melhoria gradativa da produtividade, que tem levado os agricultores usuários do sistema a uma estabilidade econômica considerável, em meio a uma estagnação conhecida de todos.”Finalmente, afirmávamos que nosso objetivo era estar junto das entidades, clubes e associações que congregam agricultores e técnicos, buscando conscientizar sobre as vantagens agronômicas, econômicas e ambientais dessa prática, cumprindo, desse modo, com uma missão de grande importância para a sociedade.” Hoje, ao comemorarmos 10 anos, embora exista um longo caminho a percorrer, estamos com a consciência tranquila de que tentamos fazer o melhor da parte que nos cabia e felizes por participarmos de um projeto vitorioso.

90/91

O início

Quando iniciamos nossas atividades, no segundo semestre de 1990, a área de plantio direto no Brasil estava ao redor de um milhão de ha. Segundo José Ruedell, da Fundacep, a região dos Campos Gerais estava com mais de 80% e o Paraná tinha 500 mil ha sob semeadura direta. O Rio Grande do Sul retomava o crescimento do sistema e contava com cerca de 200 mil ha, concentrados principalmente no Planalto e Missões. Santa Catarina também tinha uma área considerável, em torno de 150 mil ha, e os demais estados fechavam uma área total semelhante. As primeiras manifestações sobre a criação de uma federação das associações brasileiras de plantio direto está registrada, com a sugestão do presidente do CAT de Passo Fundo, Luiz Graeff Teixeira. Mais tarde, produtores e técnicos, reunidos no Chile, levantaram a necessidade de uma confederação americana de entidades voltadas à agricultura conservacionista, o que resultou na criação, posteriormente, da CAAPAS (Confederação Americana de Agricultores Para uma Agricultura Sustentável).Filosofia do plantio direto ”Quem participa da difusão do plantio direto são pessoas inquietas e volantes. Ao se moverem e se tocarem, recebem uma oxigenação cerebral que os demais agricultores e técnicos não recebem. Só no fato de sairem a procura de informações, que se repetem à exaustão, e no fato de abrirem espaço para que novos dados sejam computados e usados na propriedade, formam o principal fator de sucesso, que hoje é inquestionável para quem utiliza o sistema. No mínimo, essa mobilidade faz com que estabeleçam novas amizades pois, normalmente, você encontra pessoas com características similares, inquietas, buscando informações e dispostas a fornecê-las também. Segundo um ditado antigo, ”A felicidade é ter amigos.” Gilberto BorgesSíntese técnica Em 1990, já estavam publicados trabalhos de pesquisadores de várias instituições que reforçavam a prática de campo de inúmeros agricultores. A questão da correção do solo já tinha uma posição firme de João Carlos Moraes Sá, da Fundação ABC, que demonstrou as variações em termos de acidez do solo e produtividades. Em lavouras com mais de 10 anos sem revolvimento do solo e sem quebra da capilaridade, foram anotadas produtividades crescentes e a possibilidade de correção do solo sem incorporação do calcário, o que contrariava as recomendações técnicas para as lavouras de preparo convencional. Trabalhando no desenvolvimento de microbacias, no Rio Grande do Sul, o engenheiro agrônomo Antoninho Berton, da Emater, afirmava que as práticas realizadas com esse objetivo levavam à possibilidade de adoção do plantio direto pelos agricultores. Na edição nº 3, no início de 1991, publicamos uma pesquisa do Iapar sobre Plantio direto na Pequena Propriedade, onde era citada a semeadora Gralha Azul, para tração animal, que começava a abrir uma nova fronteira do plantio direto. O plantio direto já enfrentava os problemas, atribuidos ao sistema, do cancro-da-haste da soja e do sternechus. ”O agricultor deve estar convencido das vantagens que o sistema apresenta, afirma José Ruedell, pesquisador da Fundacep/Fecotrigo, em amplo artigo publicado na primeira edição do Jornal do Plantio Direto.” Em resumo, disse ele, antes de realizar a mudança no modo de cultivar a terra, deve realizar a mudança na sua própria maneira de pensar.”

Comportamento das culturas em releção ao manejo do solo - Rendimento (kg/ha)

Soja

Trigo

Milho

PD

2878

2465

4857

PC

2506

2211

4125

* Média de 1985 a 1990 (5 anos)

Frases que ficaram

”O plantio direto não é somente uma técnica diferente, mas uma questão de sobrevivência.” Franke Dijkstra, Carambeí/PR ”O Sistema Plantio Direto exige como matéria prima a capacidade intelectual do agricultor de entender a natureza e de como aplicar os artifícios químicos e mecânicos. Quanto menos interfere, menos ele agride a natureza. Quanto maior a sensibilidade do agricultor, maior sua consciência ecológica e mais chances ele tem de ganhar a batalha a longo prazo.” Herbert Bartz, Rolândia/PR ”A síntese da evolução no plantio direto acontece quando o agricultor estabelece a relação com o manejo da palha. A partir daí, qualquer dificuldade que aparecer, ele estará habilitado a administrar.” Kurt Arns, Cruz Alta/RS

91/92

Nova Era

Agora é definitivo: os anos 90 marcarão uma nova era na história do sistema plantio direto no Brasil e na América Latina. A efervescência de hoje não tem precedentes. As experiências vitoriosas, até recentemente confinadas ao sul do país, espalham-se por todas as regiões. Fabricantes de máquinas, implementos e agroquímicos redobram esforços no aperfeiçoamento de produtos, investem no fomento e divulgação de iniciativas que promovam o sistema. A pesquisa dá respostas mais consistentes aos produtores e ampliam seus trabalhos, para dar maior sustentação ao plantio direto. A organização aumenta. Cresce o número de produtores que se reúnem em clubes para a troca de experiências e difusão da tecnologia. Formou-se a Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha e a Confederação de Associações Americanas para a Produção Agropecuária Sustentável. Num período de 90 dias, foram registrados eventos de plantio direto em Cruz Alta/RS (700 pessoas); Campo Mourão/PR (650 pessoas); Brasília/DF (200 pessoas); Fortaleza dos Valos/RS (200 pessoas); Maracaju/MS (200 pessoas); Canoinhas e Mafra/SC (150 e 120 pessoas).

Importância da palha

Fica cada vez mais evidente a importância da cobertura com resíduos da cultura anterior. A criação da Federação Brasileira de Plantio Direto, durante o Encontro Nacional de Milho e Sorgo, em Ponta Grossa/PR, ressaltou esse aspecto, ao incorporar na denominação da nova entidade o termo ”Na Palha”. Durante o 1º Congreso Interamericano de Siembra Directa e 2ª Jornadas Binacionales de Cero Labranza, em Cordoba, na Argentina, também foi ressaltada a importância fundamental que a proteção da palha representa para o solo, constituindo-se, além disso, num verdadeiro alimento que os organismos vivos vão transformando. No Congreso Interamericano também ocorreu o lançamento do livro ”Rastrojos sobre el Suelo, una Introdución a Cero Labranza”, escrito pelo produtor Carlos Crovetto, presidente da Sociedad de Conservación de Suelos de Chile, que enfatiza a importância da palha na lavoura.

Plantio Direto na Universidade

Encravada num imenso laboratório de 150 mil ha de lavouras sob plantio direto, a Faculdade de Agronomia da Universidade Estadual de Ponta Grossa foi a primeira escola superior do país a introduzir o sistema como matéria em seu currículo. O engenheiro agrônomo Américo Meinicke foi o primeiro titular da nova cadeira, estabelecida como meta desde a criação da Faculdade, em 1984. ”Eu sempre participei de eventos que aconteceram por aqui, inclusive dos encontros nacionais, onde ajudei na organização”, disse o professor Meinicke. Mas, segundo ele, a transmissão da informação nesses encontros e dias de campo deixava a desejar, porque, principalmente o produtor recebia uma carga de informação muito grande, em pouco tempo. ”Tem o seu mérito, sem dúvida, afirmou ele, mas seria muito acreditar que a absorção da tecnologia do plantio direto, com todo o seu envolvimento de mudanças conceituais, fosse satisfatória”.

Frases que ficaram

”Plantar na palha não é mais uma aventura, é ser coerente e estar consciente.” Manoel Henrique Pereira,Ponta Grossa/PR”Devemos nos comprometer a dar provas em todo o Continente Americano que é possível uma nova agricultura e que, hoje, o sistema por excelência para a produção sustentável, tem como instrumento o plantio direto.”Manifesto de Villa Giardino, Córdoba, Argentina, assinado por cinco associações nacionais de Plantio Direto, em março de 1992. ”O Sistema Plantio Direto é inteligente, ele lida com a natureza, que também é inteligente e vai nos ensinando certas coisas. Muitas apreendemos na dor. É preciso estar consciente daquilo que se está fazendo de novo. A consciência do homem é um ponto fundamental para mudar alguma coisa.”Luiz Graeff TeixeiraPasso Fundo-RS

O QUE FOI NOTÍCIA

Congresso Interamericano consolida união entre produtores e a importância da palha

Plantio Direto na Rio-92

Federação Brasileira Faz Primeira Assembléia

Coró: Bandido ou Mocinho?

10º Encat marca nova etapa do PD no Rio Grande do Sul

92/93

Desponta o Cerrado

Com o objetivo principal de gerar informações básicas sobre a estratégia de produção x custos, a fim de manter os produtores tecnicamente atualizados e economicamente viáveis, foi criada a Fundação MS, por iniciativa dos associados da COAGRI, em março de 1992, em Maracaju/MS. Este era mais um passo da evolução tecnológica da região Central do Brasil, na direção do Plantio Direto. Em julho, foi criada a APDC (Associação de Plantio Direto no Cerrado), durante um curso em Santa Helena de Goiás. Na ocasião, constatou-se que já existiam na região produtores e técnicos que dominavam a tecnologia do plantio direto, mas que havia uma ausência de comunicação entre eles, o que será suprido também pela nova entidade. Segundo Ademir Mazon, da ICI Brasil, o Cerrado é a mais nova e promissora fronteira agrícola para a expansão do plantio direto. Segundo ele, as dificuldades com o regime de chuva e a questão da cobertura de solo no inverno já estavam sendo solucionadas com o desenvolvimento de espécies vegetais adaptadas à região, como milheto e guandu, além da introdução da safrinha, uma segunda safra de verão, que ajuda a viabilizar o plantio direto. Em fevereiro de 1993, o I Encontro de Plantio Direto do Mato Grosso, em Rondonópolis, reuniu um público numeroso e palestras de Nonô Pereira, Luiz Carlos Hernani, da Embrapa de Dourados e outros nomes importantes da área. Em fevereiro, também foi realizado o Primeiro Encontro Regional de Rio Verde, onde falaram, entre outros, o Presidente da Manah Fernando Cardoso Penteado, o engenheiro agrônomo John Landers, e o primeiro presidente da APDC, Ricardo Meirolla, que já fazia plantio direto em suas lavouras, em Santa Helena, desde 1982.

Livro sobre Manejo da Fertilidade em Plantio Direto

Durante o Simpósio Internacional de Plantio Direto em Sistemas Sustentáveis, realizado em Castro/PR, foi lançado o livro ”Manejo da Fertilidade do Solo no Plantio Direto”, do engenheiro agrônomo João Carlos de Moraes Sá-Juca, da Fundação ABC. O livro é o resultado de pesquisas e observações que refletem não só os trabalhos de experimentação a nível de campo e uma ampla revisão bibliográfica, mas também o reconhecimento de um trabalho de quase duas décadas de plantio direto nos Campos Gerais do Paraná, na área de fertilidade.

Êxito no Curso Intensivo

Patrocinado pela Cyanamid, o I Curso Intensivo de Plantio Direto, organizado pelo Jornal do Plantio Direto e realizado em Cruz Alta e Passo Fundo, nos dias 21 a 25 de setembro de 1992, reuniu 400 participantes, entre assistentes técnicos e produtores de várias regiões do país e do Paraguai. O apoio da Fundacep, Embrapa Trigo, Clubes Amigos da Terra e outras instituições foi importante para o sucesso do evento, que abordou diversos aspectos do sistema plantio direto.

Frases que ficaram

”O homem não está acima da natureza. Ele é parte integrante dela” Henry Thoreau

”A base para a agricultura sustentável é a não ocorrência de erosão. Em qualquer circunstância, a solução do problema passa pela cobertura do solo com culturas ou resíduos vegetais. Qualquer coisa que deixemos na superfície é melhor que enterrar. Temos que mudar a mentalidade de que o solo precisa ser preparado para produzir.” Rolf Derpsch GTZ – Paraguai

O QUE FOI NOTÍCIA

Fundacep lança Manejo Integrado de Plantas Daninhas

Semeato Ganha Medalha de Ouro na Itália

Simpósio Internacional de Castro Ultrapassou Expectativas

Assinado Convênio do Projeto Metas

93/94

Sucesso no Encontro de Plantio Direto na Pequena Propriedade

Cerca de 400 participantes de vários países estiveram em Ponta Grossa/PR, durante o I Encontro Latino Americano Sobre Plantio Direto na Pequena Propriedade, em novembro de 1993, e consolidaram a abertura de uma nova e importante fronteira do plantio direto: a pequena propriedade. ”Começamos a fazer plantio direto para cobertura de solo, como forma de controle da erosão, mas o sistema é benéfico também por outras questões, como a economia de mão-de-obra, pois não precisa arar nem gradear”, afirmou o pequeno produtor Félix Krupek, de Irati/PR. Ele esteve presente no Encontro e, entre outras informações, disse que a produtividade de feijão passou de 10 para 18 s/ha na sua área, com a adoção do plantio direto.

Brasil Arranca para a Agricultura do III Milênio

Encontro de Cruz Alta supera Expectativas e Projeta Grande Aumento na Área de Plantio Direto O IV Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha, realizado em Cruz Alta/RS, de 28 de fevereiro a 3 de março de 1994, foi uma rara unanimidade: superou todas as expectativas de público, da qualidade dos trabalhos e da organização apresentada. Após três semanas do evento, continuavam a chegar visitantes para ver o campo experimental plantado para o Encontro, na fazenda da família Arns, a 15 km da cidade. O número de pessoas que visitaram o campo ultrapassou a 15.000, pois somente nos dias do evento circularam 12.000 participantes. ”Se a promoção alcançou tanto sucesso é porque os produtores acreditam nesta nova agricultura e no seu futuro”, disse o engenheiro agrônomo e produtor Kurt Arns, presidente do Clube Amigos da Terra de Cruz Alta, coordenador do IV Encontro Nacional. O interesse demonstrado pelos participantes é sintomático do crescimento que o plantio direto deve experimentar. Não será surpresa se a área de plantio direto alcançar entre três e quatro milhões de ha em todo o país, na próxima safra de verão. ”A explosão do plantio direto não assusta, pelo contrário”, afirmou o pesquisador Rolf Derpsch, da GTZ/Paraguai. Para ele, isso significa que o pessoal despertou para tratar o solo de outra forma, utilizando o plantio direto, que é a única maneira de fazer agricultura sustentável e garantir que as futuras gerações possam continuar produzindo.

Lançado ”Plantio Direto no Brasil’1993”

”O lançamento do Compêndio ”Plantio Direto no Brasil’1993”, de vários autores e instituições de pesquisa, oficiais e privadas, é o reflexo de um momento de expansão e crescimento técnico do sistema, não só no Brasil como em toda a América Latina. Trata-se de uma obra que vem ao encontro das necessidades daqueles que já praticam o sistema em suas propriedades e também dos que estão se preparando para fazer um novo tipo de agricultura.” Manoel Henrique Pereira, Presidente da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha

Frases que ficaram

”A Tecnologia do plantio direto tem um impacto favorável sobre múltiplos aspectos. Porém, sem dúvida, os grandes beneficiários deste sistema são o solo e o homem.” Victor Trucco, Rosário/Argentina

”Entrar no plantio direto é uma virada na vida que demanda muito treinamento, exige repensar e reeducar-se. É preciso mudar de atitude e você tem que se aprimorar.” Jim Kinsella, Lexington, Illinois/ Estados Unidos

”Para fazer plantio direto é preciso confiar no sistema. O problema da compactação do solo era uma dúvida muito grande que tínhamos. Muitos produtores ainda questionam, pensando que não preparar o solo possa acarretar compactação. Na verdade, é o contrário.” Ademir Baumeller, Brasília/DF

94/95

1994, A Grande Explosão

”Depois que o Sistema Plantio Direto recomeçou sua caminhada ascendente, no início da década de 80, visto de uma forma geral, talvez nenhum ano tenha sido tão importante para o seu desenvolvimento como 1994. Nesse ano, um número significativo de produtores e técnicos começaram a participar, não mais para saber se dava certo mas para buscar os caminhos adequados à sua realidade. ”Dezenas de encontros, seminários, cursos e dias de campo explodiram em várias latitudes, sempre com participação acima da expectativa. É difícil catalogar tudo o que aconteceu de importante nesse fértil período. Porém, o momento maior, sem dúvidas, foi o IV Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha, de Cruz Alta, um ponto de partida, um referencial básico, que gerou uma onda uniforme, que gerou novos impulsos e/ou ajudou aqueles que já possuíam movimentos próprios. ”Finalmente, há de se notar a explosão de siembra directa nos vizinhos do Mercosul, principalmente na Argentina e no Paraguai, onde existe uma área mais extensiva de lavouras.

A Vez dos Pequenos ”Os setores preocupados com o desenvolvimento da agricultura dos pequenos e médios proprietários rurais sempre questionaram o plantio direto, nesses 20 anos de debates, encontros e dias de campo, que se realizaram por todas as regiões. Agora, quando entidades importantes como Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha, Embrapa, Iapar, Emater, Clubes Amigos da Terra, empresas privadas e outros segmentos assumem o desenvolvimento do sistema também para os pequenos, está cada vez mais claro que este modelo conservacionista é muito importante para eles. A grande vertente do plantio direto na pequena propriedade se firmou e 1994 foi um ano importante para mostrar que o sistema é viável também para os pequenos e que o alcance nessa faixa de produtores pode gerar uma revolução no campo brasileiro e latino americano. As experiências demonstram que, sem ter que gastar tempo e energia em lavrações e gradagens desnecessárias, os agricultores podem se dedicar também a outras atividades, que trazem retorno econômico e uma melhoria de vida.

Plantio Direto, Sobrevivência da Agricultura no Cerrado

”O Cerrado é a maior fronteira agrícola do mundo, com um potencial produtivo ainda inaproveitado, na sua maior parte. De 204 milhões de ha, cerca de 176 milhões, 2/3 da área total, são considerados aptos para a agricultura. Atualmente, 35 milhões de ha são explorados com pastagens, 10 milhões de ha com grãos e 2 milhões de ha com culturas diversas. Na Edição Especial que publicamos em agosto de 94, Manoel Henrique Pereira, Presidente da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha afirmava que estava surpreso com o avanço do plantio direto no Cerrado e a segurança com que estavam atuando os produtores e técnicos. Segundo ele, trata-se de uma região gigantesca, que engloba oito estados brasileiros, e o desenvolvimento do sistema descortina uma melhoria na produção de grãos a nível nacional. Para Nonô Pereira, um dos capítulos mais interessantes é ver como se consegue plantar soja sobre braquiária no sistema plantio direto, trazendo dois pontos positivos: o aumento da área com plantio direto e a renovação de pastagens degradadas.

O QUE FOI NOTÍCIA

Plantio Direto Aumenta Produtividade nas Pequenas Propriedades do Paraná

Plantio Direto na Terra dos Vulcões

Sucesso no I Seminário Internacional do Sistema Plantio Direto

Frases que ficaram

”A principal deficiência hoje para o estabelecimento do plantio direto no Cerrado é a falta de informação que o agricultor tem. A parte básica e conceitual está bem estabelecida, mas precisamos de coisas mais concretas, como qual a saturação de bases do solo e qual o tipo de bico para aplicar herbicidas dessecantes.” Márcio Scaléa, Monsanto, Cerrado.

”Só vai sobreviver na atividade aquele que criticar sua lavoura, entender que realmente o plantio direto é a alternativa viável para a atividade econômica no setor primário.” Mário Augusto do Nascimento,São Miguel das Missões/RS.

95/96

Estudos de vários anos, realizados por pesquisadores do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), demonstram que o preparo convencional de lavouras implica numa degradação progressiva da matéria orgânica e na perda de carbono para a atmosfera. Em contrapartida, o sistema plantio direto, que se baseia na manutenção de grandes quantidades de palha sobre a superfície das lavouras e o não revolvimento do solo, tende a aumentar progressivamente a matéria orgânica e, em consequência, a fixação de carbono. ”Nos últimos três anos, estamos dando ênfase à questão do sequestro de carbono no solo através do plantio direto, como uma forma de prestar contas à sociedade, ao público urbano, que não tem uma visão correta do que se passa na área agrícola”, afirmou o pesquisador D. Wayne Reeves, do Laboratório Nacional de Dinâmica do Solo, localizado em Auburn, Alabama, em palestra proferida durante o I Seminário Internacional sobre o Sistema Plantio Direto, realizado em Passo Fundo.

O Homem que Criava Solos

”Passei boa parte de minha vida ensinando pessoas a introduzirem o plantio direto em suas propriedades. Fiz isso porque estou convencido de que a siembra directa é um sistema bom para todos, para quem pratica e também para quem não tem nada a ver com o campo, pois estamos garantindo a alimentação de toda a humanidade.” Não é fácil descrever a pessoa de Carlos Crovetto, apesar da objetividade e da simplicidade de sua forma de ser, refletida em afirmações como essa, que também dá conta da amplitude do seu espírito. Produtor rural, em Concepción, na Cordilheira da Costa, no Chile, durante vários anos, ele buscou uma solução para produzir nas pendentes e degradadas áreas que herdou de sua família, no início da década de 50. A partir de sua volta de uma viagem de estudos nos Estados Unidos, em 1959, D. Carlos nunca mais arou o solo de sua propriedade, apesar de ter esperado mais 20 anos para iniciar verdadeiramente o plantio direto. Apaixonado como ninguém pelo aproveitamento da palha das culturas, num trabalho paciente, de várias safras, ele acabou criando um novo solo sobre as áreas degradadas por décadas de exploração irracional. ”É difícil mudar tão profundamente sistemas de manejo de solos que se fez durante séculos. O conhecimento que Carlos Crovetto apresenta, através de conferências, livros e incontáveis artigos que já publicou, está agregado de uma emoção e de uma força que alcança os limites do apostolado.

Frases que ficaram

”Existem vários fatores que influenciam na história do plantio direto.Eu destaco a questão da cabeça do agricultor, a saúde financeira da empresa, em função dos investimentos necessários, e também a dedicação ao projeto.” Cornélio Soulijee, Carazinho/RS

”A rotação de culturas é uma arma para viabilizar a semeadura direta. O segredo da rotação é o planejamento, é o estudo da sequência que irá trazer benefícios entre as culturas. Quanto maior forem os efeitos benéficos de uma cultura sobre a outra, maior será a eficiência do sistema.” Celso Gaudêncio, Embrapa Soja, Londrina/PR

O QUE FOI NOTÍCIA

Município Gaúcho Aumenta Produção de Grãos Com Plantio Direto

Plantio Direto em Campo Nativo, a Experiência de Nonô Pereira

20 Anos de Plantio Direto nos Campos Gerais do Paraná

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25 Anos de Plantio Direto no Brasil

A história do plantio direto no Brasil possui vários heróis, produtores e técnicos que dedicaram seu tempo e sua energia para conhecer melhor o sistema e também para repartir o conhecimento adquirido. Dentre as diversas pessoas que foram atores neste cenário, a partir do início da década de 70, Herbert Bartz possui um espaço especial porque, mesmo tendo iniciado as primeiras tentativas de plantio direto junto com outros produtores, ele foi o único que perseverou e conseguiu vencer as dificuldades iniciais de um sistema desconhecido. Para uma tarefa tão importante, a história selecionou um homem forte, temperado no horror da II Guerra Mundial, no frio e na fome do pós conflito. Lí e relí tudo o que me veio às mãos sobre Herbert Bartz. Dentre todos os fatos selecionados, não me sai da memória a descrição da noite de 13 de fevereiro de 1945, quando completava 8 anos, e estava na residência de sua avó, na cidade de Dresden, na Alemanha já derrotada pelas forças aliadas. O terror desceu do céu, na forma de toneladas de bombas, despejadas por aviões ingleses e americanos. Dresden foi arrasada e mais de 350 mil pessoas morreram. A casa onde o menino Herbert estava, junto com a avó, foi queimada, mas eles sobreviveram escondendo-se no porão, graças a um tonel de água, com o qual se refrescavam. No dia seguinte, quando se dirigia à casa da mãe, localizada num arrabalde de Dresden, no meio da multidão desatinada, vieram os aviões novamente e metralharam o povo indefeso. Ele lembra o som das balas atingindo o corpo das pessoas. Segundo Bartz, o pós guerra, com a falta de comida e de aquescimento, foram os piores momentos. Nesse rigor incomparável, formou-se a personalidade forte, mas ao mesmo tempo amena, de Herbert Bartz, que fizeram a perseverança com a qual ele nos ajudou a montar a tecnologia da semeadura direta e o manejo da palha, para estabelecer, sobre um quadro antes degenerativo, a agricultura do próximo milênio, baseada no conhecimento e no respeito à natureza.

A sabedoria do pioneiro

”A técnica do plantio direto na lavoura representa, de certo modo, uma reforma moral na maneira de trabalhar. Não podemos fugir do fato de que retiramos o nosso sustento da terra, mas nós somente chegaremos a uma agricultura sustentável se tivermos um trato honesto com a natureza. Aquele agricultor que pensa ter uma experiência e capacidade intelectual para enganar a natureza acabará descobrindo que ela reage de diversas maneiras e, mais cedo ou mais tarde, se vinga”. ”A palha é uma parte vital do sistema. Se o produtor não tem palha suficiente no início, as chances de sucesso são menores. Se a palha é abundante, acima de 6 ton/ha, o sistema vinga e é possível economizar em herbicidas e outros itens. Dessa forma, o plantio direto traz benefícios que o agricultor nem imaginava antes. É importante que ele se conscientize para a rotação de culturas, porque somente soja e trigo não proporcionam palha suficiente para garantir o controle da erosão, além de não permitir o manejo adequado da umidade e a elevação da fertilidade.”

O QUE FOI NOTÍCIA

Enchentes no Sul Mostram Vantagens do Plantio Direto

Brasil Atinge 10 Milhões de ha em Plantio Direto

6º Encontro Nacional Lança Carta de Brasília

Bartz, Novo Presidente da Federação Brasileira

98/99

Expodireto’99, Sucesso Sinaliza para uma Grande Feira em 2000

Alcançou sucesso além do esperado a realização da Expodireto’99, I Exposição e Demonstração de Máquinas e Tecnologias para Plantio Direto, realizada em Carazinho/RS, na área do CRES (Centro Rural de Ensino Supletivo). Um público superior a 4.200 pessoas visitou o local do evento, que surprendeu a todos, pela organização e conteúdo técnico. ”A Expodireto consolida a região como um pólo difusor de tecnologias agrícolas, baseadas principalmente no plantio direto, tanto para grandes e médias como para pequenas propriedades”, afirmou Leonir Bonavigo, gerente regional da Emater, em Passo Fundo, uma das instituições promotoras do evento. Criada para suprir um espaço existente no interior do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, com uma área superior a 5 milhões de ha somente nas culturas de milho e soja, a Expodireto deixou um entusiasmo significativo entre as empresas fabricantes de máquinas, implementos, agroquímicos, fertilizantes e de outros setores, que participaram em Carazinho. ”Na verdade, nós ansiávamos por uma feira que pudesse atender à nossa região, levando aos produtores as melhores informações e tecnologias disponíveis. Creio que a Expodireto chegou no momento certo!” A afirmação é de Gilson Trennepohl, diretor da Stara, de Não-Me-Toque. Para Jorge Piva, da Castelmac, de Carazinho, representantes da John Deere/SLC, ficou provado que é possível fazer na região a grande feira estática e dinâmica do Rio Grande do Sul, pois somos o berço da mecanização agrícola e um pólo de difusão do plantio direto.

Viabilidade do PD na Pequena Propriedade

”O grande ganho do pequeno produtor com a adoção do Plantio Direto é a redução da mão de obra, da quantidade de trabalho. Conheço um agricultor da região Centro Sul do Paraná que diz o seguinte: com o plantio direto sobra mais tempo para pensar. Nas atuais circunstâncias, quem não gerenciar a propriedade, usando mais a cabeça e menos os músculos, estará fora da competição.” As afirmações são da pesquisadora Maria de Fátima dos Santos Ribeiro, do Iapar, uma das coordenadoras do III Encontro Latino Americano de Plantio Direto na Pequena Propriedade, que reuniu cerca de 800 participantes, em Pato Branco/PR, em outubro de 98. Segunda ela, existe uma diferença entre a visão do técnico e do produtor, em relação à tecnologia do plantio direto nas pequenas propriedades. ”Quando desenvolvemos o trabalho, pensamos no sistema como uma técnica para controlar a erosão. Porém, os agricultores estão aderindo ao programa primeiramente pela redução na mão de obra”. Presente no III Encontro, o produtor Félix Krupek, de Irati/PR, cuja propriedade é de 25 ha, afirmou que hoje é possível descansar, entre um trabalho e outro. No preparo convencional, disse ele, para colhermos uma lavoura de feijão, era preciso passar 12 vêzes sobre a área. E as produtividades foram melhorando, com o plantio direto. ”Na cultura do feijão, colhíamos 12 s/ha, hoje passamos de 30 s/ha. Na cultura do milho, onde utilizamos ervilhaca no inverno, a produtividade subiu de 30 para 80 s/ha.” Também participaram do evento de Pato Branco pequenos produtores ligados ao trabalho da AS-PTA (Assessoria e Serviços de Projetos em Agricultura Alternativa), uma entidade não governamental, com sede em União da Vitória/PR , que desenvolve ações para o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis para a agricultura familiar, com base no manejo ecológico do solo. Todos eles manifestaram satisfação pelos resultados obtidos com as mudanças, como aumento de produtividade e redução de custos nas lavouras de milho e feijão, principalmente com a eliminação do uso de herbicidas para o controle de plantas daninhas.

O QUE FOI NOTÍCIA

Tecnologia Semeato no Desenvolvimento de Plantio Direto na Europa

A Polêmica das Plantas Transgênicas

Encontro de Piracicaba Acelera Adoção do Plantio Direto em São Paulo

Insetos de Solo através do Cerrado

99/00

Plantio Direto Global

O segundo semestre de 1999 teve momentos importantes, que demonstraram o significado do plantio direto brasileiro para o resto do mundo. No final de outubro, enquanto uma delegação de técnicos do Banco Mundial visitava a Região Sul, buscando informações sobre plantio direto na pequena propriedade, técnicos brasileiros participavam de um Congresso, seminários e dias de campo na Espanha e Portugal. O principal evento da área de agricultura de conservação nesses dois países, o Congreso Hispano-Luso de Agricultura de Conservación, teve palestras dos engenheiros agrônomos Luiz Graeff Teixeira, pioneiro do plantio direto no Planalto Gaúcho, e Dirceu Gassen, pesquisador da Embrapa Trigo, que fez a abertura. Na parte de campo do Congreso, houve demonstração de máquinas e implementos, com a presença destacada da Semeato. Nonô Pereira, presidente da CAAPAS, palestrou em Congresso similar, no México. No final do ano, estiveram visitando o Brasil delegações da Colômbia, da Costa Rica e pesquisadores de vários países. Nossa expectativa é de que a sociedade brasileira entenda a importância que o plantio direto significa não só para a agricultura nacional, mas para o país como um todo, ao preservar o solo, a qualidade da água e do ambiente em geral. Importância esta que outros países não cansam de ressaltar, vindo buscar nossa tecnologia como modelo.

Expodireto Cotrijal firmou-se como uma das maiores feiras agrodinâmicas do País

A Expodireto Cotrijal’2000, realizada através de uma parceria entre a Revista Plantio Direto e a Cotrijal, em Não-Me-Toque/RS, culminou com um sucesso muito além do esperado. Trinta milhões de reais foram negociados pelas 114 empresas e instituições expositoras. Uma quantidade superior a 41 mil pessoas visitou a Exposição durante os 4 dias. O sucesso de público e de organização, que impressionou a todos, foram garantidos através do empenho e trabalho de toda a equipe Cotrijal. Esse sucesso confirma a realização da Expodireto Cotrijal’2001, já com data definida para 20 a 23 de março, com o dobro de área e volume de expositores, firmando-se como uma das três grandes exposições agrodinâmicas do Brasil e a maior do Rio Grande do Sul. ”Nossa meta para a edição 2000 era a participação de 60 empresas aproximadamente, disse Nei César Mânica, presidente da Cotrijal e coordenador do Evento. No final, tivemos uma participação de 114 empresas e instituições de pesquisa, ensino e assistência técnica.” Segundo ele, a totalidade dos expositores que participaram em Não-Me-Toque manifestaram a intenção de participar da edição 2001, o que direciona para a realização da Expodireto Cotrijal’2001 com o dobro de tamanho e número de participantes. Para o engenheiro agrônomo Gelson Mello Lima, da Cotrijal, um dos coordenadores do evento, ” a base de todo o processo produtivo regional e da própria feira estão assentados no plantio direto. Para ele, o sistema estava exposto na feira, com inúmeras informações que deverão servir como ferramentas para a tomada de decisões a nível de propriedade.”

O QUE FOI NOTÍCIA

Proposta da Fundacep para uma Agricultura Sustentável

Subsídios, Pedras, Tradição e Ovelhas no Caminho do Plantio Direto na Europa

Embrapa Lança Semeadora para Pequenas Propriedades

Plantio Direto Une Instituições na Proteção do Lago de Itaipu