Carbono, CO2 e Plantio Direto


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Publicado em: 01/10/2000

Carbono, CO2 e plantio direto

Dirceu N. Gassen Cooplantio - Passo Fundo-RS Nos últimos anos a agricultura experimentou mudanças profundas, destacando a crise financeira, as demandas do consumidor e as exigências relacionadas ao impacto ambiental. O modelo de desenvolvimento preconiza produzir mais por unidade de recurso natural e reduzir o efeito negativo sobre a natureza. O fator novo nas questões relacionadas à poluição é a inclusão de carbono e de CO2 como importantes fatores de impacto ambiental, causado pela aração e gradagem de solos. Estudos desenvolvidos por Donald Reicosky, nos Estados Unidos, demonstraram a perda de CO2, estimando que a atividade agrícola poderia causar perdas de gás para a atmosfera superiores às emanadas do consumo de combustíveis fósseis por automóveis em todo o mundo. Dados experimentais indicam que a perda de carbono, nas primeiras horas após a aração, chega a 67 g/m2 , enquanto sob plantio direto a perda é de 0,8 g. Em períodos mais longos, a perda de carbono nos solos arados é de seis a oito vezes superior à áreas sob plantio direto. O carbono é considerado o ”ouro negro” do solo. Na natureza, ele caracteriza terras férteis e a sua manutenção deveria ser a meta principal dos agricultores que planejam obter rendimentos elevados a médio e longo prazos. O plantio direto é a prática de semeadura que ”seqüestra” o carbono no solo, por isso também considerado altamente desejável. A adição de carbono ao solo ocorre através da decomposição de material orgânico produzido pelas plantas e a perda com a aração e a gradagem da terra. Quanto maior a intensidade de revolvimento do solo, maior será a perda de carbono na forma de CO2. A recuperação de 1 % no teor de matéria orgânica no solo, em 3,6 milhões de hectares cultivados sob plantio direto no RS corresponde a extração ou ”seqüestro” de 26,6 milhões de toneladas de carbono da atmosfera fixadas (seqüestradas) na camada superficial da terra. O plantio direto constitui a maior revolução constatada na agricultura nos últimos anos. Resultou na redução do uso de tratores, do consumo de combustíveis fósseis, da erosão do solo e da contaminação da água e, principalmente, no aumento do seqüestro de carbono na terra. Portanto, os agricultores e os profissionais de agronomia têm importante fato a comemorar no Brasil: liderança no conhecimento sobre plantio direto em regiões tropicais e subtropicais no mundo. A adoção dessa prática é superior a 90 % em vários municípios do RS e representa relevante contribuição para melhorar a qualidade do ambiente e para reduzir a perda de solos, a poluição de águas e o efeito estufa, através do seqüestro de carbono nas lavouras conduzidas sob plantio direto.