Recall 10 anos Quando fizemos uma síntese dos principais acontecimentos que o “Jornal do Plantio Direto” e depois a “Revista Plantio Direto” registraram durante os últimos dez anos, publicada em nossa edição de aniversario, não tinhamos como objetivo um rigor que contemplasse a totalidade do quadro histórico vivido pelo sistema nesse período, até porque seriam necessarias inumeras edições para atingir essa meta. Felizmente, o grupo de pessoas, Instituições e empresas que merecem ser lembrados, é imenso. Portanto, tudo o que pudermos revisar e acertar em termos da história, será feito sem constrangimento.
A primeira lacuna que gostaríamos de corrigir é aquela referente ao desenvolvimento do plantio direto na região do Cerrado Brasileiro, quando, ao fazermos a resenha do que registramos nos 10 anos da nossa publicação, não anotamos, entre outros, os nomes e os trabalhos importantes de pessoas como Munefume Matsubara, de Lucas do Rio Verde/MT, de Valdir Tafarel, de Sinop/MT e dos engenheiros agrônomos Lucién Seguy e Sérge Bouzinac, do Cirad, e Luiz Albino Bonamigo, de Bandeirantes/MS.
Matsubara é um produtor pioneiro do plantio direto no Mato Grosso e grande incentivador de inovações tecnológicas na área agrícola, com reconhecimento nacional. Tafarel é um gaúcho que foi fazer lavoura nas fraldas da Amazônia, numa região totalmente distinta daquela da qual imigrou, mas que perseverou e obteve 18 Revista Plantio Direto Novembro/Dezembro de 2000 Luíz Albino Bonamigo bons resultados na lavoura utilizando a semeadura direta.
Luiz Albino Bonamigo, filho de Nilo Bonamigo, pioneiro na produção de sementes e novas variedades no Mato Grosso do Sul, é um profissional bastante conhecido em diversos estados brasileiros e os resultados de suas pesquisas foram vitais para o desenvolvimento do plantio direto na região. Ele conduz várias frentes de trasenvolvimento de novas Coberturas, uma questão crucial para O Cerrado. Em 1998, quando conversamos sobre alguns aspectos de suas atrvidades, em Goiânia, ele comentou sobre a implantação e desenvolvimento dos chamados “Campos Demonstrativos para Recuperação de Pastagens”, que estavam sendo conduzidos desde oO Paraná até Goiás, passando por São Paulo e Mato Grosso do Sul. “Existem 50 milhões de ha de pastagens degradadas somente no Cerrado, segundo a Embrapa”, disse ele na ocasião. Para Bonamigo, a utilização de um consórcio com guandu é uma das fórmulas para, através do plantio direto, renovar essas pastagens de forma econômica. Segundo Luiz Albino Bonamigo manifestou na ocasião, o carro chefe em termos de cobertura de solo no Cerrado continua sendo o milheto, cultura da qual eles criaram algumas variedades das mais utilizadas pêlos produtores, que é a melhor opção na proteção do solo na região, além de outras vantagens conhecidas, com o potencial de pastoreio.
Lucién Seguy é, provavelmente, o técnico que mais corre mundo, incentivando o plantio direto e uma agricultura racional, sem agressão aos recursos naturais. Neste ano, além das vastidões do Cerrado, ele já esteve incentivando o sistema em diversos países da Ásia e da África. “Sou um cidadão do mundo”, disse ele em Rio Verde, em maio de 1998, quando foi palestrante de um curso Ssobre fertilidade do solo. Juntamente com Sérge Bouzinac e Outros assistentes técnicos, ele tem sua Importância reconhecida como um dos grandes Incentivadores da utilização de tecnologias agrícolas balho na área de criação e de- | sustentáveis, que passam pelo plantio direto, na região do Cerrado Brasileiro. O CIRAD é um Centro de Cooperação Internacional em Pes. quisas Agronômicas, com sede na Franca, que tem cerca de mil pesquisadores trabalhando em vários países do mundo, em diversas culturas.
Wrd o O... Luciên Seguy Seguy escolheu o Brasil porque, entre outras coisas, é fascinado pelos trópicos e porque se considera agricultor, pois seu pai possuía uma pequena propriedade na Franca e ele encontrou semelhancas nas propriedades familiares do Sul do Paraná.
“No Cerrado, o plantio direto é um pouco diferente”, disse ele em Rio Verde. Para Lucién Seguy, é preciso adicionar biomassa ao solo porque somente com restos de colheita o sistema não funciona naquela região. O gran de desafio, no seu entendimento, é integrar diversas culturas, além da soja, com milheto, sorgo, arroz e pecu' ária. “Nestes termos, o plantio direto não terá fronteiras « enfatizou.
Para a cultura do algo dão somente o plantio direto pode significar uma saída técnica e econômica, segun” do ele, que coordena O desenvolvimento do sistemã em várias lavouras.