IAPAR Avalia Desempenho de Semeadoras (Primeiro de Maio/PR)


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Publicado em: 01/12/2000

IAPAR avalia desempenho de semeadoras

Ruy Casão Junior1; Rubens Siqueira1;Augusto Guilherme1 de Araújo e Ricardo Ralisch2

1IAPAR e 2Universidade Estadual de Londrina Londrina-PR - E-mail: ruycasao@pr.gov.br

Entre os dias 23 e 25 de agosto, na Agrodinâmica do município de Primeiro de Maio no Paraná, foi realizado uma exposição dinâmica de máquinas semeadoras para plantio direto. Trata-se de um evento inédito a nível nacional pois, além das máquinas trabalharem no dia, foram apresentados os resultados de avaliações realizadas previamente pela equipe da Área de Engenharia Agrícola do IAPAR (Instituto Agronômico do Paraná).

Foram dez modelos de semeadoras-adubadoras de última geração de oito das mais importantes indústrias nacionais que participaram dos testes de avaliação durante os dias 7 e 8 de agosto, cujos resultados foram expostos aos visitantes da Agrodinâmica. A relação das máquinas avaliadas na Tabela 1. O evento, patrocinado pela Prefeitura municipal, teve nessa atividade a responsabilidade técnica do IAPAR, disponibilizando três pesquisadores, além da colaboração de um professor da UEL, dos técnicos agrícolas Alexandre Leôncio da Silva, Audilei de Souza Ladeira, José Carlos da Silva, Paulo Roberto Ponvequi, Pedro Machado e Ronaldo Rossetto e demais funcionários de apoio técnico do Instituto.

Trata-se de um evento inovador e oportuno, pois o plantio direto está em franca expansão no país e a região do médio Paranapanema, onde foi realizado o evento, ainda possui mais de 50% da sua área agricultável com preparo convencional de solo. As semeadoras diretas, por sua vez, estão em constante aperfeiçoamento e são nesses solos, com elevado teor de argila, onde ocorrem as maiores dificuldades para sua adoção e expansão ao sistema plantio direto. Considerando o fato das empresas exporem pela primeira vez o potencial de seu produto, avaliado de modo independente, queremos parabenizar os participantes e convidá-los juntamente com outros fabricantes que não estiveram presentes nessa oportunidade, para participarem de outros eventos semelhantes a serem realizados em vários municípios do Paraná como o de Marechal Cândido Rondon e Entre Rios do Oeste. Foram 90 parâmetros técnicos utilizados para a avaliação do desempenho das semeadoras-adubadoras tratando-se, portanto, de um trabalho detalhado e de interesse direto do produtor. Ao disponibilizar esses resultados, os pesquisadores esperam que o produtor se torne mais demandante e exigente, pois poderá analisar os fatores mais importantes e restritivos de uma máquina para suas condições de trabalho. As empresas, por sua vez, de posse desses resultados, poderão caracterizar o estado da arte de seu produto e, com mais rapidez, adequá-lo às necessidades do produtor nessa região. Queremos lembrar que este trabalho, embora detalhado, ainda não é considerado completo, pois, não analisa parâmetros de confiabilidade que determinam a vida útil e a qualidade de fabricação da semeadora, além de não considerar aspectos relativos à assistência técnica pós-venda. A avaliação foi realizada sobre um solo muito argiloso, com 65% de argila, baixo teor de matéria orgânica (2,2%) na camada superficial (até 10 cm de profundidade) e elevada resistência à penetração, com média de 2300 kPascal na umidade do solo a 29,1%, correspondendo a uma consistência friável. Havia, portanto, uma grande resistência ao trabalho mecânico das máquinas, o que se constitui numa situação típica da região de abrangência do evento.

Tabela 1: Marca, modelo e número de linhas das semeadoras adubadoras que praticiparam dos testes em primeiro de Maio.

Marca

Modelo

Nº de linhas

1

Jumil

Exata 2980 PD

9

2

Fankhauser

5040 mecânica

9

3

Metasa

PDM 9810

9

4

Imasa

Plantum 10/9

9

5

Marchesan

PST3

7

6

Baldan

Solografic Directa 4000

7

Jumil

Magnum 2580 PD

9

8

Planti Center

PC 7/4

7

9

Vence Tudo

Super SM 7040 Especial

7

10

Vence Tudo

SA 11500

5

É oportuno lembrar que, na década de 80 e nos solos muito argilosos, o plantio direto apresentou uma lenta expansão pela inadequação das máquinas semeadoras. O problema da compactação superficial nesses solos, devido ao baixo teor de matéria orgânica, baixa cobertura morta vegetal e tráfego intenso de máquinas, em especial com solo na consistência plástica, fez com que os produtores adaptassem suas semeadoras, introduzindo hastes sulcadoras ao invés de discos duplos para abertura de sulco de fertilizante, além do aperfeiçoamento, pelos fabricantes dos componentes de ataque ao solo para romper a camada compactada, posicionando o adubo abaixo das sementes e oferecendo um ambiente mais adequado para as culturas. Em função desses fatos, todas as semeadoras-adubadoras avaliadas em Primeiro de Maio, foram configuradas com hastes para fertilizantes, podendo-se observar algumas diferenças no desempenho das mesmas. Todas as máquinas trabalharam além dos dez centímetros de profundidade no sulco de fertilizante, valor requerido no teste. No entanto, a profundidade variou entre 12,9 a 19,9 cm, caracterizando a dificuldade na regulagem, pois a mesma foi realizada em área com teor de água no solo um pouco mais baixo A primeira recomendação generalizada às indústrias é o desenvolvimento de dispositivos para a manutenção da profundidade do sulco. Como as hastes respondem por uma parcela importante da força e potência exigidas para tracionar uma semeadora e considerando-se que foram observadas diferenças entre as dez máquinas avaliadas, recomenda-se, também aos fabricantes, que concentrem estudos para aperfeiçoar esses componentes. A força de tração específica, ou seja, força por linha a 10 cm de profundidade de trabalho variou de 156 a 215 kgf. Ressalta-se que a 15 cm de profundidade a força estimada será 50% superior a citada, resultando também no acréscimo da potência exigida pelo motor do trator.

Figura 2: Potência específica por linha da máquina e do motor do trator exigida pelas semeadoras-adubadoras em teste, considerando-se velocidade de 5 Km/h e 10 cm de profundidade do sulco.

Quanto à exigência de potência, foram observadas variações entre 5,3 e 7,2 cv por linha a 10 cm de profundidade, considerando uma velocidade constante de deslocamento para todas as semeadoras (5 km/h). Cabe lembrar que o peso da máquina influencia as exigências de força e potência, portanto é necessário projetá-la de forma que a mesma tenha peso suficiente para cumprir todas as suas funções sem prejudicar seu desempenho. Importante considerar, também, que, em geral, quanto maior o peso maior é o preço da máquina para o produtor rural. A potência exigida no motor do trator foi calculada, considerando velocidade constante, devendo-se lembrar que o número de linhas das máquinas variou entre 5 a 9. O destaque quanto às menores exigências de força de tração e potência foi a Super SM 7040 Especial que exigiu, respectivamente, 19,0 e 18,5% menos que a média desses parâmetros das demais semeadoras. Outro destaque foi a SA 11500, montada no trator, com somente 1250 kgf de peso e 5 linhas, que conseguiu efetuar o corte da vegetação, abrir um sulco de 15 cm de profundidade e ser a segunda em menor exigência de força e potência especifica entre todas as máquinas. Demonstrou-se, assim, que é possível realizar o corte adequado da cobertura vegetal e penetrar no solo mesmo com máquinas leves, mas projetadas adequadamente, pois as hastes sulcadoras podem ter um esforço vertical (puxando a máquina para dentro do solo), que reduz a necessidade de peso adicional. Esse fato já havia sido comprovado em estudos anteriores do IAPAR, concluindo-se que as hastes sulcadoras com ângulo de ataque de 200 e espessura da ponteira de 20 mm têm apresentado bons resultados. Quanto ao rendimento operacional, deve ser considerado o número de linhas das máquinas. Aquelas com 9 linhas apresentaram um rendimento de 2,03 ha/hora; com 7 linhas de 1,58 ha/hora e com 5 linhas de 1,13 ha/hora de trabalho, sempre à velocidade de 5 km/h. O preço das semeadoras-adubadoras de precisão, popularmente chamadas de ”plantadeiras”, variaram entre R$ 20.000,00 e R$ 32.000,00, dentre os modelos com 9 linhas e entre R$ 14.129,00 e R$ 22.800,00 para aquelas com 7 linhas. Somente o modelo com 5 linhas era uma semeadora-adubadora múltipla, ou seja, que realiza a semeadura em precisão e em fluxo contínuo, com um preço de R$ 7.800,00. Outro fator importante é o custo/hectare da operação. Para seu cálculo foi considerado o aluguel do trator de acordo com sua faixa de potência e a depreciação da semeadora, que corresponde ao custo/hora trabalhada, dividido pelo rendimento operacional. Observou-se uma variação entre R$ 23,12 e R$ 31,00 entre as máquinas avaliadas