Evolução da Agroecologia (Stephen R. Gliessman UCSC)


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Publicado em: 01/12/2000

Evolução da Agroecologia

Agroecologia é uma proposta de agricultura que o governo do Estado do Rio Grande do Sul está propondo e levando na prática para o segmento de agricultura familiar. No final de novembro, com a presença de aproximadamente mil pessoas, entre produtores e técnicos, foi realizado em Porto Alegre o 1º Seminário Internacional sobre Agroecologia, onde diversos palestrantes abordaram questões relativas à produção orgânica de alimentos, um nicho de mercado que cresce de forma significativa em todo o mundo. No registro da imprensa, o principal aspecto ressaltado no evento foi a rejeição unânime dos participantes ao cultivo de plantas transgênicas. A agricultura ecológica tem um desenvolvimento mais significativo na América Latina. Na região Sul do Paraná, cerca de 5,5 mil famílias estão envolvidas com a transição da agricultura tradicional para a agricultura agroecológica, um trabalho coordenado pela organização não-governamental AS-PTA (Assessoria e Serviços a Projetos Agrícolas Alternativos). Segundo Paulo Petersen, coordenador estadual do projeto, cerca de 250 famílias já converteram totalmente suas lavouras para o sistema orgânico, alcançando uma redução de custos de 50%. No Rio Grande do Sul, segundo Renato Ferreira, secretário executivo do programa Pró-Guaíba, mais de 3,6 agricultores estão desenvolvendo a agroecologia na região da bacia hidrográfica do rio Guaíba. Mas o que é agroecologia? Quais as diferenças entre agricultura ecológica e agricultura orgânica? ”A agricultura ecológica é a chave do desenvolvimento da agricultura familiar, pois não enfatiza ”pacotes tecnológicos”, enquanto o cultivo orgânico depende da certificação de agências certificadoras, normalmente do Hemisfério Norte, o que encarece o processo.” A distinção foi feita pelo pesquisador chileno Miguel Altieri, da Universidade da Califórnia, especialista em agricultura ecológica, um dos palestrantes internacionais do 1º Seminário sobre Agroecologia.

Gliessman

”Existe uma certa confusão entre agricultura orgânica, agricultura ecológica e agroecologia”, afirmou o pesquisador Stephen R. Gliessman, professor da Universidade da Califórnia, que visitou o Rio Grande do Sul no mês de junho, quando fez uma série de palestras sobre agroecologia e agricultura sustentável, justamente o tema que ele aborda no livro ”Agroecologia: Processos Ecológicos em Agricultura Sustentável”, lançado pela Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Gliessman é Diretor Fundador do Programa de Agroecologia da Universidade da Califórnia, um dos primeiros programas de agroecologia formais do mundo, ocupando a cátedra Alfred Heller de Agroecologia, no Departamento de Estudos Ambientais da UCSC. Além disso, Gliessman cultiva, sem irrigação, uvas para vinho e azeitonas orgânicas, no município de Santa Bárbara, na Califórnia. Em junho, quando ele palestrou em Passo Fundo, na Embrapa, conversamos sobre sua história e sobre a sua visão de agricultura, agroecologia, plantio direto e outros itens.

Revista Plantio Direto – A agroecologia é similar à agricultura orgânica ou existem diferenças? A agroecologia é uma ciência aplicável a todos os ramos da agricultura?

Stephen R. Gliessman - Agroecologia não é uma tecnologia, mas um conceito, uma forma de ver a agricultura. Sim, ela pode ser aplicada a todo tipo de agricultura. Se estamos falando de algo maior, que incorpora a base de nossos conhecimentos econômicos e sociais, dentro de um ecossistema que inclui o ser humano, a agroecologia nos fornece essa capacidade de integrar tudo, buscando uma prática que vise o desenvolvimento sustentável levando em consideração a pessoa humana.

Stephen R. Gliessman

RPD - Como você avalia o plantio direto?

Gliessman - O plantio direto é uma das técnicas e componentes ecológicos mais importantes, porque estamos reduzindo insumos, melhorando as condições do solo, reduzindo necessidade do uso de fertilizantes. Os elementos do plantio direto tem componentes agroecológicos muito importantes. De outro lado, existem aspectos no sistema, como o custo de máquinas, que são muito caras, e precisam ser adequadas para atender a todos.Na granja experimental que temos na Universidade, trabalhamos matéria orgânica em plantio direto. Enfrentamos problemas com ervas e doenças. Temos que aprender a manejar o que chamamos de banco de sementes, estudar os aspectos de alelopatia, adubação verde, densidade de plantas, sombreamento, etc.

RPD – De onde vem o termo agroecologia?

Gliessman – Eu comecei a utiliza-lo pessoalmente em cursos na nossa escola em 1977, mas o termo já existia antes. Podemos encontra-lo na literatura, alguns ecólogos já o utilizavam nos anos 30. Até recentemente a divisão entre agronomia e ecologia era muito grande. Hoje, existem muitos programas de agricultura, de biologia, de manejo de recursos naturais que estão incorporando a agroecologia como um enfoque básico, buscando incorporar esses conceitos ao desenvolvimento de agroecossistemas sustentáveis. Mesmo a agricultura de grande escala está incorporando esse conceito, porque está vendo a necessidade de substituir o desenho, o modelo baseado na revolução verde