Universidade no Desenvolvimento do Plantio Direto (UFU Uberlândia)


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Publicado em: 01/02/2001

Universidade no desenvolvimento do plantio direto

Curso de Pós-Graduação para engenheiros agrônomos da UFU propõe uma nova visão do sistema produtivo regional, baseado no não revolvimento do solo e na rotação de culturas.

Alunos e professores do Curso de Pós Graduação em Plantio Direto da UFU

Coordenado pelo Professor Waldo Lara, a Faculdade de Agronomia da Universidade de Uberlândia/MG realizou, durante o ano de 2000, um curso de pós graduação para engenheiros agrônomos denominado ”Sistema de produção em Plantio Direto”, com o objetivo de proporcionar aos estudantes uma nova visão da política agrícola, quando manejada dentro dessa nova proposta tecnológica. ”O balanço do curso foi muito positivo, a avaliação dos participantes é extremamente favorável, pois eles tiveram a chance de desenvolver um trabalho prático, deixando de lado a passividade convencional, onde o estudante recebe uma carga sistemática de conhecimentos, sem uma interface produtiva com a realidade” , afirmou o professor e pesquisador Waldo Lara, que trabalha com plantio direto na região de Uberlândia desde 1994, responsável pela programação de palestras e demais atividades do curso realizado na UFU. Neste semestre, na Faculdade de Agronomia, o plantio direto estará sendo implementado a nível de graduação, para os alunos do 9º período. No 2º semestre, a direção pretende continuar com outra fase do curso de pós-graduação, trazendo novos enfoques e novos palestrantes, além de produzir um fascículo contendo todas as matérias apresentadas no período. ”Existe uma explosão no desenvolvimento do plantio direto na região de Uberlândia”, afirmou o professor Waldo Lara, que realiza pesquisas na área de manejo de nitrogênio na cultura do milho e é um dos maiores defensores do sistema no Cerrado. Segundo ele, apesar das dificuldades na formação de palhada, em função da ausência de chuvas no inverno, existe uma tendência no aumento de áreas cobertas com plantio direto. ”Ainda precisamos encontrar o melhor caminho, a melhor tecnologia de semeadura”, disse o professor da UFU, em Uberlândia. A erosão continua a ser um problema na região, pois a chuva pode cair de forma concentrada, principalmente nos meses de outubro, novembro e dezembro. Em determinadas ocasiões, ocorrem chuvas de 100 a 150 mm em questão de poucas horas. ”As pessoas pensam que se trata de um jogo que a natureza oferece e é preciso aceitar. Eles plantam como aprenderam e, se vier uma enxurrada e levar o solo, é porque o destino quis”, frisou Waldo Lara.

Professor Waldo Lara, coordenador do curso

Curso

Pesquisadores e assistentes técnicos de várias instituições do Brasil estiveram palestrando no Curso sobre ”Sistema de produção em Plantio Direto”, da UFU, no segundo semestre de 2000. Entre eles, falaram aos estudantes do curso os pesquisadores Djalma Martinhão Gomes de Souza, da Embrapa Cerrado, Jeferson da Costa, da Embrapa Arroz e Feijão, Dirceu Gassen, da Embrapa Trigo e Volnei Pauletti, da Fundação ABC. As palestras de encerramento foram proferidas pelos engenheiros agrônomos John Landers, da APDC - Associação de Plantio Direto do Cerrado, que falou sobre as perspectivas do sistema na região e no Brasil, e Gilberto Borges, editor da Revista Plantio Direto, que abordou o tema ”Plantio Direto e a Sustentabilidade da Agricultura”. ”Foram feitas diversas abordagens, desde micronutrientes e fitopatologia até fertilidade e correção do solo. Os alunos e demais participantes começaram a entender que o universo do plantio direto é amplo e pode existir a possibilidade de uma pós-graduação específica no assunto”, afirmou o coordenador do Evento em Uberlândia. Durante quatro meses, os alunos fizeram uma pesquisa junto a produtores e esse trabalho consistiu na única forma de avaliação dos estudantes.” O resultado dessa pesquisa apresenta dados muito interessantes e que estamos pensando em publicá-los, pois ela reflete uma realidade objetiva dos produtores rurais que estão fazendo plantio direto na região de Uberlândia”, finalizou o professor Waldo Lara.