A evolução do sistema plantio direto no Rio Grande do Sul
Eng.-Agr. Aurelino Dutra de Farias e Eng.-Agr. Tabajara Nunes Ferreira
Emater/RS
O uso do sistema plantio direto no Rio Grande do Sul iniciou em 1972, com a EMBRAPA Trigo, Secretaria da Agricultura e Abastecimento e ICI-Cia Imperial. A partir de 1973 alguns agricultores das regiões do Planalto e Missões começaram a exercitar esta nova forma de semear as culturas anuais. Até 1993 foram 20 anos de agricultura sem que tenha ocorrido expansão significativa na área cultivada com plantio direto. Este fato ocorreu porque todas as incursões realizadas foram feitas de forma isolada e independente, umas das outras. As entidades de pesquisa, de extensão e a iniciativa privada atuavam em faixas próprias, trabalhando de forma segmentada os diversos aspectos do sistema, como a mecanização, a rotação de culturas, a fertilidade do solo, os agroquímicos e a cobertura do solo.
De 1993 até 1998 a área cultivada com plantio direto aumentou em mais de 1000%, chegando a representar 64% da área física total cultivada no Rio Grande do Sul (5.900.000 hectares) em 1998. O crescimento da área cultivada com plantio direto foi mais expressivo em função do fenômeno El Niño,oportunidade em que a Extensão Rural difundiu de forma intensiva a redução da mobilização do solo ou nenhuma mobilização, para evitar os problemas de erosão. Os produtores entenderam as mensagens e priorizaram o Sistema Plantio Direto. Já nas safras 1998/99 e 1999/00 houve um pequeno recuo na área de plantio direto, influenciado por alguns fatores de ordem técnica e econômica, segundo informações de técnicos e agricultores, tais como: 1. Alto custo dos herbicidas dessecantes, devido a elevação da cotação do dólar; 2. Adensamento do solo provocado pela pequena quantidade de palha e, conseqüentemente, pouca cobertura e proteção do solo; 3. Redirecionamento para uma agricultura limpa, com redução de dessecantes e uso de métodos mecânicos para o manejo das plantas de cobertura do solo.