Gestão Ambiental — Exigência e Oportunidade para o Agronegócio


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Publicado em: 01/02/2001

Gestão Ambiental

Exigência e oportunidade para o Agronegócio

Giovanno Pretto1 e Aziz Galvão da Silva Junior2

1graduando de Agronomia/UFV,2Prof. do Departamento de Economia Rural/UFV

A conscientização ambiental da população é uma realidade, e traz consigo a necessidade das empresas se estruturarem em função disso. Os consumidores estão cada vez mais preocupados com os efeitos que os produtos e a própria produção agrícola têm sobre o Meio Ambiente, graças aos meios de comunicação que divulgam desastres ambientais em todo o mundo. Portanto, é fundamental que as empresas que querem se manter no mercado adotem sistemas para gerenciar os impactos ambientais de sua atividade, pois estes impactos serão um fator restritivo à sua atividade. Hoje, empresas são pressionadas a desenvolver técnicas e processos que demandem menos energia, que minimizem a produção de subprodutos e que tenham um impacto ambiental mínimo ou nulo. Por isso, os especialista afirmam que as normas proteção e preservação do Meio Ambiente não são apenas modismo mas já fazem parte da realidade das empresas, estando hoje muito mais próxima da economia que da ecologia, que lhe dá orientação técnica (IHL, Gestão Ambiental, Gazeta Mercantil, 1996). Os Sistemas de Gestão Ambiental, nas pequenas indústrias e nas propriedades rurais ainda são pouco adotados, muitas vezes por desconhecimento de sua existência pelo setor administrativo e, outras vezes, por falta de informações técnicas corretas. A adoção desses sistemas é voluntária, não havendo qualquer norma ou lei que obrigue as empresas a implantá-los, entretanto, existem inúmeras vantagens intrínsecas aos sistemas, como: diferencial no mercado, otimização na adoção e utilização de recursos, redução expressiva da possibilidade de dano ambiental, identificação de oportunidade de melhorias e identificação, ao longo do tempo, de custos e benefícios intangíveis. As normas técnicas do Sistema de Gestão Ambiental uniformizaram a linguagem entre clientes e fornecedores em todas as etapas do processo produtivo e podem ser aplicadas em qualquer atividade, especialmente àquelas que apresentam riscos potenciais ou gerem impactos. Para a Bahia Sul, primeira empresa brasileira a receber a certificação ISO 14001, a Gestão Ambiental não cria burocracias e sim procedimentos e disciplinas, e o correto equacionamento/levantamento dos custos ambientais da empresa revela custos que jamais se imaginou (desperdícios substanciais). A implantação de um Sistema de Gestão Ambiental deve ser feita de forma orientada para evitar correções posteriores, utilizando do conceito de ”Engenharia Simultânea”, ou seja, cada etapa do ciclo de vida do produto e seus efeitos no Meio Ambiente devem ser analisados e discutidos na fase do design (IHL, Gestão Ambiental, Gazeta Mercantil, 1996). Durante a implantação do Sistema, deve-se responder a três questões básicas: ”Onde estamos?”, ”Onde queremos chegar?” e ”Como chegar lá?” e, adotar uma metodologia coerente e simplificada, onde os dados mensuráveis sejam facilmente coletados e os parâmetros comparativos não dêem margem a conclusões dúbias. Além disso, para manter sua característica de melhoria contínua, o Sistema necessita de revisões constantes na política de Meio Ambiente e nos objetivos e metas. É imprescindível a mobilização e a conscientização dos funcionários de todos os níveis hierárquicos da empresa pois são eles que estão participando mais intimamente do dia-a-dia da empresa. Para tanto, é importante a realização de treinamentos, palestras, debates e gratificações, deixando-os sempre livres para sugerirem e comentarem as decisões que lhes afetem. Por fim, deve-se lembrar que, para obter a qualidade no processo produtivo e do Meio Ambiente não é necessário propriamente uma ”revolução” nos procedimentos da empresa. Os resultados advêm de um processo evolutivo contínuo, que passa pela avaliação, implantação, controle e revisão (IHL, Gestão Ambiental, Gazeta Mercantil, 1996). Existem centenas de certificados, programas de rotulagem e sistemas de gerenciamento. Independente de qual for adotado pela empresa, o fundamental é seguir todas as recomendações e implantá-lo de forma integral, independente das dificuldades encontradas. Hoje, a ISO série 14000, é a principal certificação ambiental mundial, e é uma importante exigência de mercado, principalmente para exportação de produtos de potencial poluidor destinados aos países desenvolvidos. Para Maurício Reis (Coordenador Geral do ABTN/GANA), a ISO 14000 é um importante fator de competitividade, pois se uma empresa oferece um excelente produto, mas cuja produção cause um significativo impacto ambiental, essa empresa corre sério risco de ver sua posição no mercado afetada, pois seus próprios concorrentes serão os primeiros a condená-la publicamente. Regionalmente existem os programas de rotulagem ambiental, ou simplesmente Selos Verdes. Esses selos informam ao consumidor que um produto atende aos padrões ambientais requeridos para sua concessão, eles incentivam o consumo de produtos ambientalmente corretos e, por conseguinte, podem ser considerados motivadores da proteção do Meio Ambiente. Estes programas podem ser criados e concedidos por entidades privadas ou órgãos governamentais e seu reconhecimento internacional requer esforço dos governos para popularizar seus selos de forma efetiva e através de suas fronteiras. Palavras como desenvolvimento sustentável, recursos naturais não renováveis, impacto ambiental, entre outras que até poucos anos eram de domínio exclusivo dos meios acadêmicos, hoje já fazem parte do vocabulário cotidiano, não só de empresas, mas da população em geral, o que nos faz acreditar que o Meio Ambiente está sendo tratado com o cuidado e o respeito que merece. Contudo, muito ainda precisa ser feito para recuperar parte da destruição causada por décadas de agressões à natureza, pois existem danos que jamais poderão ser reparados. Por fim, vale ressaltar que a implantação de Sistemas de Gestão Ambiental em propriedades rurais ainda requer estudos e pesquisas mais aprofundadas para desenvolver um sistema que se enquadre à realidade agrária do país, entretanto, a adoção, mesmo que adaptada, de algum Sistema atual é de grande valia para preservação do Meio Ambiente.