A Física do Solo na Produção Agrícola e na Qualidade Ambiental (Vilson Klein UPF)


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Publicado em: 01/02/2001

A física do solo na produção agrícola e na qualidade ambiental

Vilson Antonio Klein

Eng.-Agr., Professor de Máquinas Agrícolas do Curso de Agronomia da Universidade de Passo Fundo, Passo Fundo-RS

A física do solo, uma das sub-áreas da ciência do solo, nunca despertou muito interesse por parte dos profissionais das ciências agrárias. Isto ocorre, primeiramente, em função das abordagens muito básicas (física e matemática), isto é, pouco aplicadas, realizadas pelos físicos do solo; em segundo lugar, o fato desta ser muito complexa e o efeito dela sobre as plantas estar muito vinculada as condições climáticas; e em terceiro lugar o fato de nesta área não se utilizar nenhum ”insumo moderno” o que alija esta área de interesses econômicos e por conseguinte de investimentos em pesquisa e de divulgação mais ampla. A física do solo trata das complexas interações que ocorrem entre solo-água-planta. Neste contexto, as alterações na estrutura do solo, que sempre ocorrem em solos manejados (em qualquer sistema) para fins agrícolas e essas sempre afetam as interações de forma negativa em relação a condição natural do solo (mata). Os principais fatores físicos do solo que afetam o desenvolvimento das plantas são: 1º disponibilidade de água às plantas (e não água armazenada); 2º condições de enraizamento, representada pela resistência mecânica do solo à penetração das raízes e 3º a aeração do sistema radicular, isto é, porosidade de aeração do solo. Estes fatores são afetados pelas alterações na estrutura do solo, especificamente pela densidade do solo (que é a reação entre massa de solo seco pelo seu volume) a qual altera o volume e a distribuição do diâmetro dos poros do solo. Essas alterações na porosidade alteram a dinâmica da água no solo, aumentando a energia com que essa está retida, dificultando a absorção dessa pelas raízes, além de diminuir o fluxo de água no solo na fase saturada (infiltração) e não saturada do solo, diminuindo o transporte de nutrientes até os pêlos absorventes das raízes. Toda a planta possui uma distribuição harmoniosa entre tamanho da parte aérea e sistema radicular. Nesse sentido, quando ocorre algum impedimento que impossibilita o crescimento das raízes, como excesso de resistência mecânica, fitoreguladores provocam a redução ou paralisação do crescimento da parte aérea da planta. A resistência à penetração é afetada pela densidade e umidade do solo. Solos com densidade elevada, desde que a umidade se mantenha elevada não apresentam, normalmente, problemas ao crescimento das plantas, o mesmo não ocorrendo quando da ocorrência de períodos com déficit hídrico. Daí se explica, porque as plantas têm sua produtividade consideravelmente afetada em áreas sob plantio direto em anos agrícolas em que ocorrem estiagens. O terceiro fator considerado é o fluxo de gases no solo, que ocorre nos poros livres de água. Havendo alteração na distribuição do tamanho dos poros, normalmente os macroporos que são os responsáveis por este fluxo são os mais afetados. Esta diminuição, em situações drásticas, pode acarretar a anaerobiose do sistema radicular, podendo levar a planta a morte ou afetar seriamente o desenvolvimento das plantas diminuindo a sua produção. Esta condição é particularmente delicada em sistemas de produção irrigados, onde um excesso de irrigação poderá ocasionar deficiência de aeração. Estas alterações na estrutura do solo afetam também o habitat da fauna e dos microorganismos (Fusarium) no solo, principalmente em função da maior retenção de água, ocasionada pelas alterações na distribuição dos poros, essas condições proporcionam um ambiente ideal para o desenvolvimento de muitos microorganismos e insetos e conseqüente ataque às plantas. As questões ambientais na agricultura têm cada vez assumido maior importância, as cobranças são muitas, mas também muitos avanços foram obtidos com a adoção em grande escala do sistema plantio direto. No entanto, achar que todos os problemas estão resolvidos é um grande engano. É consenso que um dos grandes benefícios que o sistema plantio direto trouxe foi a conservação do solo, no entanto a questão da conservação da qualidade da água ainda não foi satisfatoriamente equacionada. A retirada indiscriminada de terraços e o cultivo morro abaixo têm acarretado o careamento, junto com a enxurrada, de considerável volume de ”insumos modernos” para os rios e barragens, poluindo-os. O que a física do solo têm a ver com isso? Tudo. O estudo e o entendimento da dinâmica da água no perfil do solo permite maximizar a infiltração da água na superfície do solo, que é um filtro excepcional, retendo e adsorvendo os nutrientes ou outros resíduos químicos. Neste sentido, o estudo da física do solo assume cada vez maior importância num sistema de produção que almeja a máxima produção com mínimo custo e impacto ambiental.