Plantio Direto Mudou a História da Agricultura no Paraguai (Magin Meza + Ken Moriya + Rolf Derpsch MAG-GTZ)


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Publicado em: 01/10/2001

Plantio direto mudou a história da agricultura no Paraguai

”A utilização de áreas extensas para a atividade agrícola, sem nenhum tipo de cuidado, com destruição de matas valiosas, foi alarmante, ao longo da década de 1970 e 80, no Paraguai. O problema era grave. Tratava-se de terras férteis, porém, com a exploração extensiva e solos sem cobertura, era questão de esperar alguns anos para assistir a um verdadeiro desastre. O fator que mudou a história foi o plantio direto, tecnologia que adota a cobertura do solo, com a palha da cultura anterior ou com adubos verdes, para fazer a semeadura, sem preparar a terra. Em 1992, a área com plantio direto no Paraguai não superava 20 mil ha. Hoje, esse número chega a um milhão e cem mil ha, principalmente na cultura da soja, apresentando uma mudança radical na face da agricultura em nosso país.”Esta manifestação faz parte do editorial da Revista Campo Agropecuário, do Paraguai, publicada no mês de agosto, que aborda os resultados do Proyecto de Conservación de Suelos MAG-GTZ, cuja primeira fase foi encerrada este ano, com excelentes resultados, em termos dos objetivos propostos. O Projeto é um convênio do Ministério da Agricultura e Ganaderia com a GTZ, uma entidade

Os países com maior área sob plantio direto

País

milhões/ha

Estados Unidos

21.120.000

Brasil

14.330.000

Argentina

11.660.000

Austrália

8.640.000

Canadá

4.080.000

Paraguai

1.100.000

alemã que desenvolve atividades técnicas em diversos países, inclusive no Brasil, e que teve a gerência do engenheiro agrônomo Rolf Derpsch, pesquisador e difusor de plantio direto, cujo nome é ligado à história do sistema. Desde 1971, quando participou das primeiras pesquisas, na região de Londrina/PR, ele esteve sempre na linha de frente do desenvolvimento de uma agricultura moderna e sustentável, em todos os locais em que atuou. Em 1972, Derpsch participou da primeira experiência de plantio direto, na cultura do trigo, na fazenda de Herbert Bartz, em Rolândia/PR, que levou Bartz a assumir a idéia do plantio direto, levando-o a tornar-se o pioneiro dessa tecnologia em toda a América Latina. Agora, Rolf assumirá outras funções, principalmente em assessorias internacionais para o sistema plantio direto, em função do seu profundo conhecimento do assunto, além da facilidade que possui, em termos de comunicação, por ter o domínio de alemão, espanhol, português e inglês. Nascido no Chile, de pais alemães, ele estudou na Alemanha e trabalhou no Brasil e no Paraguai, além de outros países.

Naranjal

”Raras vezes, no Paraguai, um projeto termina de maneira tão exitosa e com a possibilidade de seguir adiante, no mesmo ritmo”, afirma o editorial da Revista Agropecuária. Na opinião do periódico agrícola paraguaio, os benefícios foram múltiplos, não só na conservação do solo mas, também, na redução de custos e no tempo empregado no trabalho, na melhoria da produtividade e da rentabilidade. ”Esse resultado, finaliza o editorial, foi conseguido com muito esforço, graças ao apoio das cooperativas, de outras instituições e empresas mas, principalmente, porque os produtores viram a importância de assegurar o futuro. ” A matéria também destaca o trabalho de Magín Meza e Ken Moriya que, entre outros técnicos e produtores, tiveram participação ativa no projeto.Em Naranjal, durante a realização do Seminário sobre Siembra Directa, nos primeiros dias de agosto, Rolf Derpsch e sua equipe receberam os cumprimentos de todos pelo êxito e o encerramento da atual etapa do projeto. ”Fomos honrados com a presença de toda a cúpula do Plantio Direto na América Latina”, afirmou ele. Um dos orgulhos de Rolf Derpsch é o alto percentual relativo da adoção do plantio direto no Paraguai, considerado o maior do mundo, em relação à área total de lavoura e das culturas. ” Os Estados Unidos possuem a maior área de plantio direto, mas esse total corresponde a apenas 17,5% da área cultivada naquele país”, afirma ele, no relatório do projeto. ”No Brasil, o percentual é de 39%, na Argentina 46% e no Paraguai 85% da área de agricultura mecanizada, principalmente entre os médios e grandes produtores.”

Benefícios econômicos

No sistema convencional de preparo do solo, ocorre uma perda média de 8,7 toneladas de solo por cada tonelada de soja produzida. No plantio direto, estas perdas são evitadas, o que representa uma economia importante. A semeadura direta de soja proporciona um aumento de 20% na produtividade e uma redução de 20,4 litros/ha, no consumo de combustíveis. Isto, somado com a economia de fertilizantes e de divisas para importá-los, representa um benefício econômico significativo para os produtores e para o país.Rolf Derpsch realizou um cálculo, para o ano de 1998, com uma área de 480 mil ha de plantio direto, no Paraguai, que apontou um total de 950 milhões de dólares, em termos de economia para o país. Com uma área superior a um milhão de ha, em 2001, os benefícios hoje superam a dois milhões de dólares/ano.No caso dos pequenos produtores que utilizam plantio direto, ocorre um resultado positivo com uma entrada líquida na propriedade de 1 mil a 2,87 mil dólares/ha/ano, o que significa um aumento de 35 a 236% em relação ao sistema convencional, que utiliza o arado. Ao mesmo tempo, segundo estudos de Sorrenson (2001), o retorno para a mão de obra dos produtores, aumentou de 1,5-10,8 dólares, no preparo convencional, para 12,5-24,1 dólares, no plantio direto, em função da redução da mão-de-obra necessária para a realização dos trabalhos na propriedade.

Vantagens gerais

As vantagens do plantio direto são amplamente conhecidas: detém a erosão do solo, aumenta a infiltração da água da chuva, melhora as características químicas, físicas e biológicas do solo, permite reduzir os custos de produção, diminui os danos ecológicos da agricultura convencional, como é a sedimentação de arroios, rios, lagos, etc., entre outras.Mediante o plantio direto, o Projeto gerou um aumento da produção de matérias primas, aumentando a atividade exportadora e agroindustrial, de transporte, de atividades bancárias, de seguros, etc. A confiança que se deposita neste sistema de produção está demonstrado principalmente pela ação das companhias de seguros agrícolas, que cobram taxas menores para cobertura das lavouras que utilizam o plantio direto.