Redução no Espaçamento entre Linhas e Potencial de Rendimento da Soja


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Publicado em: 01/04/2002

Redução no espaçamento entre linhas e potencial de rendimento da soja

José antonio Costa1 ; João Leonardo Fernandes Pires2;Lisandro Rambo3 ; André Luis Thomas4 1 Eng°. Agr°., Ph.D., Professor do Departamento de Plantas de Lavoura da FA/UFRGS.Caixa Postal 776, CEP 91501-970, Porto Alegre-RS. E-mail: jamc@vortex.ufrgs.br. Autor para correspondência.2 Eng°. Agr°., M.Sc., aluno de doutorado do curso de Pós-Graduação em Fitotecnia da FA/UFRGS.Bolsista do CNPq. E-mail: piresjl@vortex.ufrgs.br3 Eng°. Agr°., aluno de mestrado do curso de Pós-Graduação em Fitotecnia da FA/UFRGS.Bolsista do CNPq. E-mail: lisandro@vortex.ufrgs.br4 Eng°. Agr°., M. Sc., Professor do Departamento de Plantas de Lavoura da FA/UFRGS. 1. Introdução

A radiação solar incidente estabelece o potencial de rendimento de uma área. Entretanto, o potencial alcançável, que é menor, é dependente da disponibilidade hídrica. Para evidenciarmos esta verdade é só lembrarmos das áreas desérticas, onde a radiação é abundante e a limitação é a água.A massa seca total acumulada pelas plantas, que fazem parte da população de uma cultura, é o resultado da fotossíntese que se processa no dossel, o que, associado com o índice de colheita (que é a divisão da massa acumulada entre as partes da planta), determinará o rendimento de grãos. Embora se esteja dando ênfase a radiação solar e à disponibilidade hídrica, sabemos que inúmeros fatores determinam o rendimento das culturas. O conjunto destes fatores e suas interações, no tempo e no espaço, constituem o ambiente de produção. Um ambiente de produção pode ser mais ou menos favorável. A melhor representação de um ambiente favorável para a obtenção de altos rendimentos é o plantio direto consolidado, conduzido e mantido com base nos conhecimentos da ciência agronômica, constituindo-se, desta forma, em uma utilização agrícola ambientalmente aceitável e, ao mesmo tempo, viável economicamente para o produtor.É pensando no ambiente acima caracterizado, que vamos fazer algumas considerações sobre o arranjo ou distribuição espacial, de plantas de soja na lavoura, objetivando a obtenção de rendimentos elevados. Uma nova disposição das plantas, com a redução do espaçamento entre linhas, vem sendo estudada há vários anos pelo Departamento de Plantas de Lavoura da Faculdade de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e tem mostrado elevação no rendimento (Tabela 1).

Tabela 1. Rendimento de grãos da soja em dois espaçamentos entre linhas. EEA/UFRGS, Eldorado do Sul, RS, 1996/97, 2000/01(1)

Espaçamento entre linhas

1996/97

Safra 1997/98

2000/01

20 cm

5420 a*

3783 a**

5014 a

40 cm

4322 b

3362 b

4322 b

* Médias seguidas de mesma letra, na coluna, não diferem pelo teste de Tukey (p<0,05).** Semeadura tardia (19/12/97).(1) Fonte: Pires et al. (1998); Thomas et al. (1998); Rambo et al. (2002).

Como veremos mais adiante, existem pré-requisitos para que se possa usufruir das vantagens desta nova filosofia de arranjo das plantas. Já conseguimos resultados que permitem a indicação desta prática, que culmina em mais lucro para o sojicultor, desde que ele proporcione à sua lavoura um ambiente favorável para que as cultivares possam expressar seu potencial.

2. Radiação, fotossíntese e rendimento

Como já foi referido anteriormente, a matéria seca acumulada pelas plantas em determinada área, é o resultado da transformação da radiação incidente, pela fotossíntese. A radiação é interceptada pelas folhas, o que só ocorre plenamente após a cobertura total do solo, pelo fechamento do espaço entre as linhas. Quanto mais próximas as linhas, mais cedo ocorre o fechamento (como mostrado na Figura 1 e Tabela 2). As lavouras, semeadas em linhas mais próximas, aproveitam mais cedo a radiação incidente o que resulta em mais fotossíntese e, consequentemente, mais reservas são acumuladas pelas plantas durante a fase vegetativa e que, durante o período reprodutivo, as translocam e são usadas para a formação e fixação de flores e legumes e para o enchimento dos grãos. Também, as plantas, nestes espaçamentos menores, são mais vigorosas, como pode ser visto na Tabela 3. Quando a competição por luz, água, CO2 e nutrientes se intensifica, o vigor das plantas se torna mais importante. Plantas com crescimento vigoroso competem com sucesso, mesmo em condições menos favoráveis, influenciando a sobrevivência, mantendo uma população de plantas produtivas, aumentando as chances de rendimentos elevados.

Tabela 2. Fechamento do espaço entre linhas pela cultivar BRS 137, em dois espaçamentos. EEA/UFRGS, Eldorado do Sul, RS, 2000/01(1)

Estádio fenológico e DAE*

Fechamento entre linhas (%)

Espaçamento entre linhas

V4** (24)

32 a**

23 b

V6 (33)

52 a

40 b

V9 (54)

91 a

72 b

*DAE=dias após a emergência.**V4 = quarto nó; V6 = sexto nó; V9 = nono nó.***Médias seguidas de mesma letra, na linha, não diferem pelo teste de Duncan (p<0,05).(1) Fonte: Rambo et al. (2002)

Tabela 3. Índice de área foliar (IAF), massa seca da parte aérea (MS) e taxa de crescimento da cultura (TCC) da cultivar BRS 137, em dois espaçamentos entre linhas, com população de 20 plantas/m2. EEA/UFRGS, Eldorado do Sul, RS, 2000/01(1)

Estádio fenológico

Parâmetros de crescimento

IAF

MS (g/m2)

TCC* (g/m2/dia)

20 cm

40 cm

20 cm

40 cm

20 cm

40 cm

V6

1,3 a*

1,1 b

84 a

67 b

2,5 a

2,0 b

V9

3,5 a

2,2 b

274 a

169 b

13,1 a

8,0 b

V11

5,4 a

4,0 b

396 a

267 b

22,0 a

14,8 b

**Médias seguidas de mesma letra na linha, dentro de cada parâmetro de crescimento, não diferem pelo teste de Duncan p<0,05). V6, V9, V11 = sexto, nono e décimo primeiro nó, respectivamente. * TCC no estádio V6 corresponde ao período VE (emergência) – V6, V9 corresponde ao período V6-V9 e V11 corresponde ao período V9-V11.(1) Fonte: Rambo et al. (2002).

3. Água e rendimento

O fator mais limitante do rendimento da soja é a disponibilidade de água no solo. Isto é particularmente verdadeiro para o Rio Grande do Sul, onde as maiores perdas ocorrem na metade sul e na parte oeste, comparativamente às da metade norte e às da parte leste do estado. A deficiência de umidade durante o período vegetativo da soja provoca redução da taxa de crescimento, da atividade fotossintética, da fixação de nitrogênio e do metabolismo da planta. Durante o período reprodutivo, a falta de quantidade adequada de água provoca a diminuição da atividade simbiótica, queda de flores, de legumes, abortamento de grãos, grãos de menor tamanho e com teores de óleo e proteína diminuídos. Como resultado final temos a redução do rendimento e da qualidade da matéria prima produzida.Duas são as maneiras possíveis de aumentar a disponibilidade de água para a soja. Uma é por meio da irrigação, que se constitui em uma prática dispendiosa e nem sempre possível de ser utilizada, principalmente pela competição do uso da água na agricultura com destinações mais nobres desta riqueza natural. A segunda maneira é pela conservação, no solo, da maior parte possível da precipitação, o que pode ser feito de forma racional e benéfica, com o plantio direto, ou ainda, pelo fechamento precoce da entre linha pela cultura, que ameniza a perda de água por evaporação. Como já discutido anteriormente, a redução do espaçamento entre linhas proporciona maior e mais rápido fechamento da entre linha (Tabela 2).

4. Fertilidade e rendimento

Uma vez satisfeitas ou minimizadas as exigências hídricas, o próximo fator a ser considerado é a fertilidade do solo. Embora este seja um problema que pode ser facilmente resolvido com as técnicas de adubação amplamente conhecidas, não devemos esquecer que a quantidade de fertilizantes a ser aplicada deve levar em consideração o nível de rendimento almejado. Se, por exemplo, o objetivo é produzir 70 a 80 sacos de soja por hectare (4200 a 4800 kg/ha) a adubação deve ser compatível com este nível de rendimento.

Tabela 4. Rendimento de grãos (kg/ha), em dois espaçamentos entre linhas e dois teores de fósforo no solo, média das cultivares OCEPAR 14 e FT Saray. EEA/UFRGS, Eldorado do Sul, RS, 19994/95(1)

Espaçamento entre linhas

Teores de fósforo do solo

Muito baixo

Suficiente

20 cm

B* 1520 b

A 4104 a

40 cm

B 1843 a

A 3554 b

* Médias precedidas de mesma letra maiúscula na linha ou seguidas de minúscula na coluna não diferem significativamente pelo teste de Dunnett (p<0,05).(1)Fonte: Ventimiglia (1996).

Os dados da Tabela 4, mostram que, para obter o máximo benefício do melhor arranjo de plantas, é necessário que a fertilidade, neste caso exemplificada pelo fósforo, esteja compatível com o rendimento pretendido. É sempre bom lembrar que para produzir 5000 kg/ha de grãos de soja, por exemplo, é necessário que a planta metabolize (considerando caules, folhas e grãos) 403 kg de nitrogênio, 71 kg de P2O5, 205 kg de K2O, 7,5 kg de cálcio, 8,8 kg de magnésio, 15,4 kg de enxofre, 3,4 kg de ferro, 1,6 kg de boro, 0,5 kg de cobre, 1,8 kg de zinco e 1,4 kg de manganês.5. População e rendimento

Dados recentes (Figura 2) mostraram associação linear positiva, entre o espaçamento de 20 cm entre linhas e população de plantas. Neste trabalho, o rendimento aumentou com a diminuição da população de 40 para 20 plantas/m2. Este efeito pode ser atribuído a distribuição quase equidistante das plantas na área, minimizando a competição intraespecífica e maximizando o aproveitamento dos recursos do ambiente, neste arranjo (Figura 3). No entanto, deve-se levar em consideração que estes resultados são de uma cultivar e de um ano agrícola. Portanto, sugere-se que este trabalho seja conduzido utilizando outras cultivares indicadas para o Rio Grande do Sul, bem como em outros ambientes.

6. Perda de área foliar e rendimento

Alem da formação da área foliar, o mais rápido possível, objetivando cobrir o solo e interceptar mais cedo a radiação solar incidente, é importante, também, a manutenção das folhas. Com a utilização do manejo integrado de pragas “MIP”, prática altamente salutar para o ambiente e ecologicamente correta, uma certa quantidade de área foliar é normalmente perdida. Também nesse ponto a adoção de linhas semeadas mais próximas é vantajosa, pois o rendimento se mantém em patamares mais elevados em linhas afastadas de 20 cm do que de 40 cm (Figura 4).

7. Cultivares e rendimentoDas cultivares indicadas para cultivo, nem todas respondem ao arranjo espacial proposto. O maior número possível deve ser testado para que os agentes de fomento e extensão possam dar opções aos agricultores. De uma maneira geral, se pode dizer que as cultivares de ciclo precoce respondem melhor do que as de outros ciclos.

8. Qual a explicação para as vantagens?

A grande maioria dos produtores de soja usa 40 a 50 cm de distância entre as linhas. Considerando o espaçamento de 50 cm, e a população de 40 plantas por metro quadrado (400 mil plantas por hectare), cada planta, teoricamente, se elas estivessem dispostas à mesma distância uma da outra na linha, e, ainda, considerando que as raízes alcançariam a metade da distância entre as linhas antes de iniciar o crescimento vertical, aprofundando-se no perfil do solo, teria disponível um retângulo medindo 5 cm por 50 cm, ou uma área de 250 cm quadrados. Estas raízes, lateralmente, cresceriam 2,5 cm para cada lado da planta, dentro da linha, e o maior espaço disponível estaria em direção ao meio das linhas ou seja, 25 cm para cada lado, até alcançar a metade da distância (Figura 5). Considerando que o tempo para atingir o meio da linha pelas raízes, é o mesmo que a parte aérea leva para fechar o espaço entre as linhas, as raízes demorariam mais tempo para começar o crescimento vertical, explorando camadas mais profundas do solo.Por outro lado, quando as linhas são plantadas a 20 cm de distância, cada planta se desenvolve em um retângulo de 12,5 cm X 20 cm, ou seja, na mesma área por planta do caso anterior, 250 cm quadrados. No entanto, o desenvolvimento morfológico desta planta, tanto da parte aérea como das raízes, será completamente mudado, o que desencadeará um funcionamento diferenciado da economia de água no solo, por exemplo. Senão vejamos: as plantas levarão menor tempo para cobrir o espaço entre as linhas, sombreando mais rapidamente o solo, ao mesmo tempo que as raízes, ao atingirem o centro da linha, também iniciarão, muito mais cedo, o crescimento vertical e a utilização de camadas mais profundas do solo (também, de uma maneira mais uniforme).A maior disponibilidade de água, por sua vez, promoverá a solubilização de mais nutrientes, que serão absorvidos e metabolizados pelas plantas, formando mais área foliar, o que irá resultar em mais fotossíntese e, como conseqüência, maior exportação de cadeias carbonadas para os nódulos, o que aumentará a fixação de nitrogênio, havendo formação de maior quantidade de proteínas, resultando em maior teor de clorofila, maior fixação de carbono e redistribuição das reservas para toda a planta, aumentando o vigor e, por via de conseqüência, dando origem, constantemente, a novos ciclos favoráveis de crescimento. Não se pode perder de vista, também, que plantas mais vigorosas possuem metabolismo mais intenso, resultando na exsudação de maior quantidade de substâncias de melhor qualidade, que serão liberadas para a solução do solo e que vão influir favoravelmente na microflora e microfauna que habitam este ambiente, resultando na melhoria de todas as condições da rizosfera, o que irá influenciar favoravelmente o metabolismo das plantas, fechando, assim, o ciclo. Estes ciclos irão se repetindo e qualificando cada vez mais o microambiente produtivo, dando lugar ao surgimento de condições favoráveis para a expressão do potencial de rendimento das cultivares. O manejo racional da lavoura se constitui de um conjunto interminável de interações favoráveis, facilitando a expressão do potencial de rendimento de grãos, aproximando este do rendimento potencial teórico.

9. Como viabilizar

Por muito tempo, mesmo nos Estados Unidos da América do Norte, os equipamentos para a semeadura da soja foram o fator limitante para a adoção de espaçamentos reduzidos. Isto em virtude de que estes equipamentos eram direcionados para atender as necessidades da lavoura do milho e do algodão, sendo a soja considerada uma cultura de importância secundária. Com o reconhecimento do valor econômico da soja no cenário mundial, ela passou a ser tratada com igual prioridade dada as demais culturas, no que se refere à pesquisa para o desenvolvimento de semeadoras, apresentando como meta atender às necessidades do plantio direto e colocação de linhas mais próximas. Hoje já existem semeadoras de precisão para a soja, capazes de semear em linhas afastadas de 20 cm, distribuindo as sementes à profundidade uniforme e desejada, com a distância correta dentro das linhas. No Brasil também já existem semeadoras com as quais é possível fazer um bom trabalho, semeando a soja em linhas mais próximas, em plantio direto (Figura 6). Quando os agricultores se derem conta que é possível obter acréscimos de rendimento de 15 a 20%, apenas modificando o arranjo das plantas de soja na lavoura, o ramo industrial voltado para a agricultura, será o maior interessado em desenvolver equipamentos capazes de satisfazer estas novas exigências dos sojicultores de ponta, que estão sempre em busca de novidades, que os capacitem para aumentar a rentabilidade de seus empreendimentos.

10. Perguntas mais freqüentes

As perguntas mais freqüentes em relação a redução no espaçamento entre linhas em soja, feitas por produtores e técnicos, são a respeito de época de semeadura, cultivares, população de plantas, acamamento, amassamento, semeadoras, doenças e controle de plantas daninhas. A seguir serão comentados alguns tópicos sobre estas questões a fim de sanar as dúvidas que mais aparecem.

Época de semeadura: maiores vantagens com a redução no espaçamento são esperadas quando é necessário atrasar a semeadura. Isto ocorre pois, em semeaduras tardias (onde encurta o período vegetativo) o espaçamento estreito cobre o solo rapidamente, interceptando radiação o mais cedo no ciclo, compensando parcialmente os efeitos negativos da semeadura tardia (o que não ocorre em espaçamentos mais amplos).

Cultivares: de uma forma geral espera-se maior benefício, com a redução do espaçamento, em cultivares precoces do que nas médias e tardias, semeadas na mesma época. A explicação é a mesma que a da época de semeadura. A cultivar precoce, por ter, geralmente, um período vegetativo mais curto, se beneficia mais das mudanças provocadas pela redução no espaçamento, pois em curto período de tempo tem que desenvolver uma arquitetura de planta com estatura, área foliar e pontos de crescimento (nós) para suportar um número grande de flores e legumes e assim garantir um potencial de rendimento elevado.

População de plantas: é importante salientar que a redução do espaçamento dos tradicionais 40-50 cm para 20 cm não acarreta mudanças na população de plantas/m2. Deve-se manter o número atualmente recomendado (40 plantas/m2 ± 20 a 25%) fazendo-se somente o arranjo destas plantas na área de forma diferente. Se a população for muito baixa ou muito alta pode-se perder as vantagens da redução do espaçamento já comentada anteriormente, embora já se tenha obtidos resultados favoráveis com a diminuição do espaçamento, mesmo com a redução na população até 20 plantas/m2 (Figura 2).

Acamamento: nesta questão há um conceito errôneo de que a redução no espaçamento aumenta o acamamento. Isto se deve, principalmente, ao fato de que, quando se visualiza uma lavoura com espaçamento reduzido, principalmente antes do florescimento, a maior cobertura do solo em relação a espaçamentos mais amplos, dá a falsa impressão de um maior número de plantas na área e do aumento nos riscos com acamamento. No entanto, a redução de espaçamento, mantendo a mesma população, causa justamente o contrário, pois distribuí as plantas na área de uma maneira mais uniforme e mais próxima da eqüidistância, onde a planta apresenta um crescimento mais harmônico e não necessita alongar seu caule em busca da luz como ocorre com plantas adensadas na linha.

Amassamento: o amassamento é outra questão bastante discutida quando da redução no espaçamento, pois se tem a idéia de maiores perdas pelo fato do rodado do trator e de implementos amassar mais linhas no espaçamento estreito. Entretanto, se pensarmos em termos de “área de amassamento”, esta é a mesma em lavouras de espaçamentos mais largos ou mais estreitos. Explicando melhor, mesmo em áreas com espaçamento de 40-50 cm, geralmente, pelo menos uma linha é amassada. Com a redução do espaçamento o amassamento é praticamente o mesmo, pois embora isto ocorra em duas ou três linhas, a área e o número de plantas amassadas é praticamente igual.

Semeadoras: algumas adaptações nos equipamentos podem ser feitas principalmente em áreas onde a adubação é realizada no inverno ou a lanço, onde se pode (em alguns equipamentos), substituir as linhas de distribuição de adubo por linhas de distribuição de sementes, de forma desencontrada, conseguindo-se implantar a cultura em espaçamento estreito, reduzindo problemas de embuchamento em plantio direto.

Doenças: outra questão bastante contraditória é o possível aumento na ocorrência de doenças, com a redução de espaçamento, pela mesma visão da área em espaçamento estreito ter uma cobertura de solo mais rápida, e ser considerada, por alguns, como mais propícia (umidade no interior do dossel) ao desenvolvimento de doenças. No entanto, não há dados consistentes que comprovem tal hipótese. Em defesa do espaçamento estreito, pode-se dizer que, para se ter este diferencial, as doenças mais importantes teriam que ser as doenças que ocorrem no período vegetativo, (onde se dá a diferença na cobertura do solo), pois após o florescimento, tanto o espaçamento mais largo como o mais estreito cobrem o solo completamente. Mesmo no período vegetativo se pensarmos em efeito do vento, espaçamentos mais largos podem ser mais prejudiciais, pois o adensamento maior das plantas na linha, em menor número de linhas, dependendo da direção predominante dos ventos, pode ter um efeito restritivo a ventilação do interior do dossel (efeito cortina), o que não ocorre em espaçamentos estreitos onde, tanto na direção transversal como longitudinal das linhas, ocorre a penetração do vento, pois as plantas estão melhor distribuídas (sem barreira adensada). Levando em conta a argumentação apresentada, não é coerente afirmar que o aumento de doenças seria um fator limitante na adoção de espaçamentos reduzidos.

Controle de plantas daninhas: no caso do controle de plantas daninhas existem cuidados importantes com a redução do espaçamento. Pelo fato desse método de semeadura resultar em maior número de linhas por área, há um maior revolvimento do solo no momento da semeadura, favorecendo o aparecimento de invasoras na linha. Por outro lado, o maior e mais rápido fechamento do solo no espaçamento estreito tem um efeito favorável na supressão de invasoras, podendo ser utilizado como um complemento do plantio direto e de aplicações de produtos químicos. No entanto, deve-se ter cuidado com a aplicação de pós-emergentes para que esta seja realizada mais cedo, e não quando as plantas de soja já atingiram níveis altos de fechamento, onde podem ocorrer problemas de “efeito guarda-chuva”, com pouca quantidade de produto atingindo as plantas daninhas, tendo-se um efeito negativo da redução no espaçamento.

11. Mensagem final

As condições favoráveis propiciadas pelo plantio direto consolidado, potencializam a expressão do potencial de rendimento, aumentando a produção, diminuindo os custos por unidade produzida, acrescendo rentabilidade ao investimento do produtor.O plantio direto, a semeadura da soja em linhas mais próximas, estabelecendo uma configuração mais favorável das plantas na lavoura, e nível de fertilidade adequado, são práticas de manejo complementares, que apontam para altos rendimentos.

12. Referências bibliográficas

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