Expodireto Cotrijal’2002 - A maturidade e sucesso da principal feira agrodinâmica do Rio Grande do Sul
Maturidade e sucesso da principal feira agrodinâmica do Rio Grande do SulA realização da Expodireto Cotrijal’2002, nos dias 19 a 22 de março, no Centro de Difusão Tecnológica da Cotrijal, em Não-Me-Toque/RS, superou todas as expectativas, nos aspectos da presença de público, organização, participação de empresas, volume de negócios realizados e as novidades proporcionadas em termos de encontros nacionais, internacionais e de novos espaços tecnológicos oferecidos aos visitantes. Esta descrição configura um sucesso sem precedentes e a constatação de que o evento alcançou sua plena maturidade em um reduzido espaço de tempo.O XIII Fórum Nacional da Soja, realizado no dia anterior à abertura da Feira ao público, trouxe a Não-Me-Toque especialistas e autoridades nacionais e estrangeiras, que debateram diversas questões relativas a mercados, logística e de outros aspectos importantes da nossa principal cultura, como aqueles relacionados à inserção do Brasil em novos organismos de comércio internacional e o protecionismo dos países desenvolvidos. Produtores e técnicos de várias regiões do Brasil, dos países do Mercosul, da Europa e Estados Unidos estiveram presentes no Fórum da Soja e na Expodireto Cotrijal, que demonstrou todo o seu caracter tecnológico e potencial cosmopolita.“Temos que admitir que a Expodireto Cotrijal’2002 conseguiu uma projeção que nem mesmo nós esperávamos. O que torna esta façanha ainda mais importante é o fato de que tudo aconteceu em um ano no qual a agricultura sofreu severamente com a estiagem, ocorrida de dezembro a fevereiro, com prejuízos principalmente na cultura do milho.” A afirmação é de Nei César Mânica, presidente da Cotrijal e coordenador da Feira, que atribui o sucesso do empreendimento a uma forte relação de parceria entre expositores, órgãos de pesquisa, universidades, entidades de classe, cooperativas, autoridades e os produtores, especialmente os associados da Cotrijal. Para ele, ocorreu uma consolidação definitiva do evento, num período de tempo relativamente curto. “Como prevíamos”, afirma Nei César Mânica, “com a colaboração de todos os segmentos envolvidos, estamos consolidando a Expodireto Cotrijal como a Feira Agrodinâmica do Mercosul. Nesta edição, ficou demonstrado que ela será um fórum de irradiação de tecnologias e negócios entre os países membros da Entidade. Acreditamos que a viabilidade do Mercosul também se constrói pelo conhecimento entre as pessoas e, por isso, é fundamental buscarmos uma aproximação objetiva com todos os segmentos da população dos demais países vizinhos, principalmente dentro de uma ótica que proporcione o desenvolvimento do cooperativismo.”Entre diversas autoridades e visitantes ilustres que estiveram presentes na Expodireto Cotrijal’2002, destaque para a presença de Olívio Dutra, governador do Rio Grande do Sul.
Números recordes
A realização da Expodireto Cotrijal’2002 significou uma quebra de recorde em todos os números relativos às edições anteriores. A primeira edição do evento, a Expodireto’99, realizada em 1999 pela Revista Plantio Direto, Emater e pelo CRES – Centro Regional de Ensino Supletivo, aconteceu em Carazinho, com apoio de inúmeras instituições e empresas, entre elas a Cotrijal, que assumiu a direção da promoção, a partir do ano 2000, quando a Feira passou a ser realizada no Centro de Difusão Tecnológica, em Não-Me-Toque, com a denominação de Expodireto Cotrijal. Os impulsos tecnológicos e econômicos proporcionados pela Cotrijal levaram, nesse período de três anos, a um resultado impressionante, que colocou o evento como a principal Feira Agrodinâmica do Rio Grande do Sul e uma das mais importantes mostras do setor agropecuário no Brasil e na América Latina.Nos quatro dias de exposição, o volume de negócios superou a 80 milhões de reais, numa evolução de 150% em relação ao ano anterior. Um público contabilizado de 96.600 pessoas, 36% a mais do que no ano passado, visitou o Parque de Exposições, apesar da chuva que ocorreu nos dois primeiros dias e trouxe dificuldades no funcionamento dos trabalhos, principalmente nas demonstrações dinâmicas de máquinas e implementos. O número de expositores também teve um crescimento significativo, passando de 172, na edição anterior, para 227, em 2002. Desde o final de janeiro, não existiam mais espaços para as empresas interessadas e que ainda tentavam participar do evento. “Consideramos os resultados extraordinários”, resume o presidente da Cotrijal. Para a Expodireto Cotrijal’2003, que acontecerá nos dias 17 a 21 de março, além do aumento no número de dias, haverá uma ampliação de vários setores, como aqueles que serão disponibilizados para máquinas e implementos, além de melhorias já programadas nas áreas de alimentação e outros itens de infra-estrutura.Tecnologia e ambiente
A preocupação com a prática de uma agricultura preservacionista e com o ambiente em geral estão nas origens da criação da Expodireto Cotrijal. Na edição 2002, estes aspectos foram bem destacados, com a apresentação de trabalhos e palestras que mostraram aos produtores, técnicos, estudantes e aos demais visitantes, formas de preservação e de um relacionamento harmônico com natureza. A Cotrijal, em conjunto com a Universidade Livre do Meio Ambiente, de Curitiba/PR, montou o Espaço Natureza Cotrijal, que consta de uma casa de 220 m2, construída com material reciclável, como garrafas plásticas. Dentro do ambiente, uma parte mostrou como a natureza é agredida. Ali, cheiros, sons, luzes e maquetes demonstravam o uso inadequado de defensivos e suas conseqüências, além de outras agressões ambientais. No espaço seguinte, a proposição era o inverso, aparecendo o ambiente, incluindo o trabalho de atores, para demonstrar o resultado da conservação. “Ensinamos a reutilizar um material que, muitas vezes, o agricultor não sabe que destino dar”, disse a bióloga Márcia Vieira, responsável pelo projeto, que poderá ser visitado em outras épocas do ano, num processo de educação ambiental permanente. Dentro dessa linha, a Emater/RS investiu na Expodireto Cotrijal’2002, criando espaços para demonstrar diversos aspectos da agricultura ecológica. Os visitantes puderam observar canteiros com demonstração de cultivo orgânico de soja, milho, feijão e culturas de cobertura, que também são utilizadas como recicladoras de nutrientes. Um horto de plantas medicinais fazia parte dos trabalhos apresentados pela instituição. Segundo o Engenheiro Agrônomo Rudimar Petter, coordenador do projeto da Emater na Expodireto Cotrijal’2000, mais de 20 mil pessoas passaram nos estandes da Empresa, onde puderam ver, na prática, informações técnicas sobre vantagens do não uso de produtos químicos e da conservação de solos, através do plantio direto, entre outros itens.
Plantio Direto e água
As águas do Rio Jacuí, que abastece a Barragem de Ernestina, no Planalto Gaúcho, está ficando mais clara nos últimos anos, segundo o produtor Elton Oppelt, que cultiva 47 ha, nas imediações do lago. Para ele, que visitou a Expodireto Cotrijal’2002, a causa dessa mudança é a evolução do sistema plantio direto, utilizado por praticamente 100% dos produtores da região. No dia 22 de março, último dia da Feira, comemorava-se o Dia Mundial da Água e, por isso, as palestras programadas no auditório principal do Evento abordaram esse importante tema.“Não há dúvida de que o plantio direto proporcionou uma transformação radical na agricultura, promovendo um aumento significativo na infiltração da água da chuva, diminuindo o escorrimento superficial, que provocava a erosão do solo”, disse Gustavo Merten, pesquisador do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que fez uma das palestras do programa. Segundo ele, o plantio direto evita a perda de água e também de solos, melhorando a sua qualidade.Para Lauro Bassi, Consultor da FAO, um dos palestrantes do evento, uma dos grandes preocupações da Entidade é com a utilização de água na agricultura, a maior fonte consumidora em todo o mundo. Segundo ele, que também trabalha como assessor na Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Rio Grande do Sul, os principais problemas estão no desmatamento, falta de proteção às nascentes e cabeceiras de rios, criação de animais perto de áreas ribeirinhas, destruição de banhados, erosão e uso intensivo de agrotóxicos. Para a FAO, a utilização de água na irrigação é o maior problema que enfrentamos. De acordo com Lauro Bassi, o agricultor, geralmente, joga mais água do que a planta pode aproveitar. A utilização do sistema de aspersão é um dos principais defeitos do sistema. “Enquanto os produtores brasileiros utilizam 18 mil metros cúbicos de água, os agricultores judeus usam proporcionalmente apenas 600 metros cúbicos, através do sistema de gotejamento”, sintetizou o consultor da FAO.