Romeo Kohlrausch, pioneiro do plantio direto na Cotrijal
Uma das gratas surpresas da Expodireto Cotrijal’2002 foi o conhecimento e a breve convivência com Romeo Kohlrausch, primeiro agricultor a adotar, de forma definitiva, o sistema plantio direto na área de abrangência da Cotrijal. Com a assessoria da engenheira agrônoma Lígia Guse, ele apresentou uma palestra na Casa do Plantio Direto, onde relatou aspectos principais de sua história na agricultura e os pontos que o levaram a adotar o plantio direto, firmando sua utilização desde a safra 1985/1986.Acompanhamos a sua emoção, a partir do momento em que se dispôs a falar em público, passando pela estruturação da palestra, até o instante final em que relatou o seu caso. Mas, ele não ficou apenas nisso. Sua inquietude germânica fizeram com que trouxesse para o ambiente da Casa do Plantio Direto um aparelho que ele mesmo montou, utilizando finos condutos de plástico para simular raízes de milho e demonstrar a sua importância na infiltração de água no solo. O mecanismo, ligado à eletricidade, fazia com que a água circulasse de forma permanente, demonstrando o processo. “Vejam porque vocês não devem lavrar ou gradear: isso provoca o corte desses condutos e a água não pode infiltrar”, demonstrava ele, de forma objetiva, para os produtores e técnicos que visitaram a Casa do Plantio Direto.
História e vantagens
Romeo Kohlrausch já tinha uma noção da importância da palha desde o tempo de criança, quando o seu pai incentivava o aproveitamento de vários tipos de resíduos orgânicos, como materiais resultantes da limpeza dos pátios e de outros locais, que eram coletados e colocados nas lavouras. “Nós já notávamos que, nesses lugares, a produtividade do milho e de outras culturas era melhor do que nos demais”, relata o produtor da Cotrijal. Mais tarde, quando já administrava sua lavoura, ele lembra a safra de verão 1985/86, que foi marcante na história de sua propriedade. Naquele ano, uma forte estiagem castigou a região, e as áreas de lavoura de soja, que possuíam cobertura remanescente do inverno, tiveram rendimento três vezes maior do que aquelas simplesmente plantadas com monocultura. “Naquele momento”, narra Romeo Kohlrausch, “tive consciência de que o caminho da produtividade e da sustentabilidade passava por um novo modelo de agricultura, e que não era mais possível continuar lavrando e gradeando o solo.”Com o auxílio permanente do Departamento Técnico da Cotrijal, Kohlrausch tornou-se um produtor modelo, em cuja propriedade são realizados experimentos demonstrativos de novas tecnologias. Com o aumento da matéria orgânica de 2,5% para 5%, e a estabilização dos níveis dos demais nutrientes do solo de sua fazenda, localizada em Linha Glória, no município de Victor Graeff, próximo a Não-Me-Toque, ele tem colhido uma média de 3.000 kg/ha na cultura da soja, 3.000 kg/ha na de trigo, e 7.500 kg/ha no cultivo de milho, produtividades significativamente superiores àquelas obtidas quando praticava o preparo convencional, há 16 anos atrás. Na safra 2001/2002, essas médias não foram alcançadas, em função de uma nova seca que castigou parte da região Sul. Mas, a lavoura de 450 ha caminha para uma estabilidade técnica e econômica, possibilitando uma notável redução de custos em praticamente todos os itens, como fertilizantes, corretivos, óleo diesel, mão-de-obra e tempo. “Anteriormente, nós utilizávamos até 4 t/ha de calcário a cada três anos, além de aumentar os níveis de fertilizantes de forma sistemática, o que não redundava obrigatoriamente em aumento da produtividade”, enfatizou Romeo Kohlrausch. Hoje, segundo ele, com o pleno desenvolvimento do plantio direto, a correção é realizada a cada três anos, sem necessidade de incorporação, e a produtividade tem melhorado progressivamente. Uma de suas maiores preocupações, que remonta aos ensinamentos recebidos na infância, é com a cobertura e a estrutura do solo. “A palha, deixada sobre a superfície, protege contra a erosão e também ajuda a manter a umidade e a temperatura do solo, favorecendo a vida e o desenvolvimento das culturas”, afirmava ele aos que visitavam seu estande improvisado, na Casa do Plantio Direto. Na sua lavoura, Kohlrausch dá toda a importância necessária à rotação de culturas, semeando sempre 1/3 da área com milho, utilizando centeio, ervilhaca e nabo forrageiro, durante o período de inverno, além de trigo, cevada e aveia, para explorar o benefício dos sistemas radiculares diferenciados de todas esses cultivos. Tal procedimento proporciona uma estruturação arquitetônica positiva do solo, favorecendo a aeração, a infiltração de água, o desempenho de minhocas e outras formas de vida, além de facilitar o trabalho das raízes das culturas plantadas em seqüência.