Alternativa à Coleta de uma Secção Transversal com Pá de Corte na Rajada da Entrelinha — Amostragem do Solo em Lavouras com Adubação em Linha no Sistema PD (Fertilidade)


Autores:
Publicado em: 01/06/2002

Alternativa à coleta de uma secção transversal, com pá de corte, na largura da entrelinha, na amostragem do solo em lavouras com adubação em linha no sistema plantio direto

Margarete Nicolodi2, Ibanor Anghinoni3, Roberto Luiz Salet41Desenvolvido com recursos do CNPq Pronex2Eng. Agr., aluna de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Ciência do Solo, UFRGS, Av. Bento Gonçalves, 7712, Caixa Postal 776, 90001-970, Porto Alegre - RS. Bolsista CNPq. E-mail: mnicolodi@bol.com.br.3 Eng. Agr., Ph.D., Professor Adjunto da Faculdade de Agronomia, UFRGS. Bolsista do CNPq.4 Eng. Agr., Dr., Professor da Faculdade de Agronomia, UNICRUZ. Introdução

Variabilidade do solo e representatividade da amostraOs procedimentos de coleta de amostras de solo para a avaliação de sua fertilidade consideram o tipo e a magnitude da variabilidade dos índices que a representam. Até recentemente, os manuais técnicos se atinham ao sistema convencional de cultivo, com a recomendação de coleta de uma amostra de solo, composta de 10 a 20 subamostras, retirada de forma aleatória por área de lavoura considerada uniforme, procurando representar o estado de fertilidade da camada de solo de 0 a 20 cm, homogeinizada pelas operações de preparo do solo, antecedendo os cultivos. Nesse sistema, as amostras podem ser retiradas com qualquer um dos seguintes equipamentos: trado de rosca, trado calador (sonda), “trado caneca”, trado holandês ou pá de corte, utilizando, neste último, a fatia central. A definição do número de subamostras (n) para formar uma amostra que represente a fertilidade do solo considera a magnitude da variabilidade dos índices de fertilidade e limites de inferência estatística. Esse número é calculado pela equação:

n = (ta/2. CV/e)2

[1]

onde, CV é o coeficiente de variação (%), t é o valor da tabela de distribuição de Student para o nível de probabilidade a/2 (bilateral), e e é o erro admitido (permitido) em torno da média (%). Os limites de inferência estatística são, então, definidos pela probabilidade de erro a (precisão) e erro e (exatidão). Pesquisas (Salet et al., 1996; Souza, 1992), a respeito da variabilidade dos índices de fertilidade utilizados pela Rede Oficial dos Laboratórios de Análises de Solos RS/SC (ROLAS), mostram que a recomendação da retirada de 20 subamostras implicam na utilização do erro a de 5 % e da variação em torno da média de 20 %, ao contrário dos 10 %, como a literatura (Peterson & Calvin, 1986; Santos & Vasconcelos, 1987; Souza, 1992) e o senso comum indicavam.

Amostragem do solo no sistema plantio direto

A amostragem do solo assume maior importância no sistema plantio direto, pela ação residual das linhas de adubação (variabilidade horizontal) e pelo acúmulo de resíduos, deposição de calcário e adubos na superfície do solo e ciclagem dos nutrientes (variabilidade vertical). Além disto, gradientes de acidez também podem ocorrer no perfil do solo com o tempo no sistema. Isso tem gerado o desenvolvimento de estudos no Rio Grande do Sul (Salet et al.,1996; Kray et al., 1998; Schlindwein & Anghinoni, 1998; 2000; Nicolodi et al., 2000a, b, c; Salet et al., 2000) para conhecer a variabilidade da fertilidade do solo e, assim, obter subsídios para a definição de procedimentos de coleta de amostras representativas do solo no sistema plantio direto.O trado de rosca, por sua praticidade, é o equipamento mais utilizado para a retirada de amostras de solos. No entanto, não é adequado no sistema plantio direto pela perda da camada superficial, especialmente em solos secos, que pode resultar em valores de análises (fósforo disponível e matéria orgânica) de até 30 % menores, superestimando a recomendação de adubação (Schlindwein & Anghinoni, 1998). Além disto, por coletar um pequeno volume de solo, requer a retirada de um número muito elevado de subamostras (> 50), devido à maior variabilidade dos índices de fertilidade do solo (Salet et al., 1996; Schlindwein & Anghinoni, 1998; 2000), causados pela aplicação dos adubos em linha (Kray et al., 1998). Da mesma forma, o trado holandês, pelo seu formato e tamanho, não retira uma amostra uniforme em profundidade, subestima a fertilidade do solo e, também, requer um grande número de subamostras para formar uma amostra representativa em lavouras em plantio direto, variando de 53, em soja, a 344, em milho, com adubação em linha (Nicolodi et al., 2000a , c).A utilização de calador (trado calador), quando comparado com a amostragem com trado (trado de rosca), apresenta vantagem de não haver perda da camada superficial, apesar de também coletar pequeno volume de solo. Segundo Anghinoni & Salet (1998), a retirada de subamostras aleatórias, em lavouras com adubação em linha, para formar amostra representativa, com trado ou calador, implica em coletar um número elevado de subamostras, o que, na prática, se torna pouco viável.

Amostragem do solo em lavouras com adubação em linha

Para contornar os problemas gerados pela variabilidade, horizontal e vertical, na representatividade da amostra do solo no sistema plantio direto e suas implicações nas recomendações de adubação e calagem, a Comissão de Fertilidade do Solo RS/SC (Comissão, 1995), vem recomendando, a partir dessa data, a coleta de uma secção transversal (fatia de solo com 3 a 5 cm de espessura), com pá de corte, na largura das entrelinhas, em 6 a 8 locais (subamostras) por gleba nas lavouras com adubação em linha. Embora sem, ainda, uma sustentação em resultados de pesquisa em relação ao número de subamostras, a coleta dessa secção transversal, com pá de corte, é muito eficiente, pois contempla as meso e microvariações da região de abrangência do ponto de coleta (Schlindwein & Anghinoni, 1998; 2000). Assim, por exemplo, a coleta de 10 subamostras , com pá de corte, representou melhor a fertilidade do solo do que a coleta de 20 subamostras coletadas com trado de rosca de uma mesma gleba com adubação em linha (Salet et al., 2000). O número mínimo de subamostras (n), determinado por Schlindwein & Anghinoni (2000), coletado com pá de corte, entre 3 e 24 (na média 13), é próximo da faixa de 10 a 20, recomendado pelos boletins técnicos e contempla as macrovariações da gleba, principalmente as resultantes da formação pedogenética.

Os problemas do uso da pá de corte na amostragem do solo em lavouras com adubação em linha

A coleta de uma secção transversal do solo na largura das entrelinhas, embora a mais indicada por sua acuracia, é bastante trabalhosa e envolve um grande volume de solo, especialmente em culturas com maior espaçamento entre as linhas de semeadura, como o milho. Acaba se tornando pouco prática e, em muitos casos, não representativa, pela coleta de um número menor de subamostras do que o mínimo necessário ou, mesmo, pela opção de utilizar equipamentos não adequados, como trado de rosca. Diante disso, foi desenvolvido o presente trabalho com o objetivo de encontrar um procedimento alternativo, mais prático, porém, com mesma confiabilidade da coleta, com pá de corte, da secção na largura das entrelinhas e transversal às linhas de adubação em lavouras em plantio direto.Metodologia

Foram selecionadas três áreas de lavoura, uma com trigo (20 ha), no município de Ibirubá RS, e as outras duas, com soja e milho (50ha) , no município do Cruz Alta, RS. Todas as lavouras eram conduzidas sobre um Latossolo Vermelho Distrófico (Embrapa 1999) sob sistema plantio direto há mais de 6 anos. As amostras de solo foram coletadas: no trigo, com espaçamento entre as linhas de semeadura de 17,5 cm (safra inverno 2001), na soja, com espaçamento entrelinhas de 40 cm, cinquenta dias após plantio, e no milho, com espaçamento entrelinhas de 60 cm, no final do ciclo (estes na safra verão 2001/2002). Nas três culturas, foi utilizado como padrão, uma secção (fatia) de 5 cm de solo,coletada com pá de corte, transversalmente às linhas de semeadura em toda largura da entrelinha, de acordo com a recomendação da Comissão... (1995) (Figura 1). Os demais tratamentos (Tabela 1) correspondem às coletas com trado calador (sonda), também transversalmente às linhas de semeadura, compostas por um número variável de pontos para formar as amostras individuais (subamostras) em 15 locais por tratamento dentro de cada lavoura (Tabela 1 e Figura 2). As amostras de solo foram coletadas na camada de 0 a 10 cm.As amostras individuais foram secas, moídas e passadas em peneiras 2 mm. Foram determinados o pH em água e fósforo e potássio disponíveis, pelo método Mehlich 1 (Tedesco et al., 1995). Com os resultados das análises das amostras individuais (subamostras), foram determinados a média, o coeficiente de variação (CV) e o número de subamostras para formar uma amostra representativa, através da Equação (1), com uma variação de 20% em torno da média (e) e grau de confiança de 95% (a = 0,05).

Tabela 1. Equipamentos e número e distância entre pontos de coleta do solo com calador em diferentes culturas, com adubação em linha, em Latossolo Vermelho Distrófico no RS.

TRIGO1

SOJA2

MILHO3

EQUIP.

Número

Distância

Número

Distância

Número

Distância

(cm)

Pá de corte

1

17,5

1

40

1

60

Calador

7

2,5

15

2,6

21

2,8

5

3,5

11

3,6

13

4,6

3

5,8

7

5,7

7

8,6

1

17,5

3

13,3

3

20

---

1

40

1

60

Distância entre as linhas de semeadura: (1)17,5cm; (2)40cm; (3) 60cm;

Resultados

Variabilidade do pH do solo

A variabilidade dos valores de pH do solo foi muito baixa, não importando o tipo de equipamento (pá de corte ou trado calador) ou o número de pontos coletados com o calador (Tabela 2). A baixa variabilidade do pH confirma outros resultados (Souza, 1992; Salet et al., 1996; Schlindwein & Anghinoni, 2000; Salet et al., 2000; Nicolodi et al., 2000a, b) obtidos em lavouras no sistema plantio direto no Rio Grande do Sul. Um número muito pequeno de subamostras (somente uma) é suficiente para representar o pH da lavoura com alto grau de confiabilidade nas culturas de trigo, soja e milho, mesmo com adubação em linha.Variabilidade de potássio e fósforo disponíveis, número de subamostras e pontos de coleta

A variabilidade dos teores disponíveis de potássio e fósforo foi elevada, principalmente para fósforo (Figuras 3 a 8). Foi maior nas subamostras coletadas com calador e formadas por um baixo número de pontos, resultando em alto número de subamostras para formar amostras representativas. Como critério para a definição do procedimento alternativo à coleta com pá de corte na amostragem do solo, com adubação em linha no sistema plantio direto, foi admitida uma variação de 20 % dos valores médios para ambos, potássio e fósforo disponíveis, das amostras coletadas com calador, também no sentido transversal às linhas de semeadura, em relação à pá de corte (padrão), para contemplar o atributo da exatidão, em conjunto com a variabilidade (coeficiente de variação) similar á pá de corte, para contemplar o atributo precisão, em cada uma das culturas utilizadas. O número de subamostras (n) é determinado pelo(s) nutriente(s) que apresenta(m) maior variabilidade, no caso presente, ou seja o n mínimo foi determinado, para cada tratamento, ao nutriente, fósforo ou potássio disponível, que apresentou o maior coeficiente de variação.

Tabela 2. Valores médios de pH e respectivos coeficientes de variação de amostras de solo coletadas com pá de corte (padrão) e com número variável de pontos, com calador, em lavouras com adubação em linha, no sistema plantio direto.

TRIGO

SOJA

MILHO

EQUIP

Pontos3

pH4

CV5

Pontos

pH

CV

Pontos

pH

CV

Pá de corte1

1

6,0

5,6

1

5,4

2,4

1

5,2

2,7

Calador2

7

5,9

5,1

15

5,4

2,2

21

5,2

3,4

5

6,0

4,8

11

5,4

2,7

13

5,2

3,6

3

5,9

5,0

7

5,4

3,0

7

5,2

3,0

1

5,9

4,8

3

5,4

2,9

3

5,2

3,6

---

1

5,3

3,4

1

5,2

4,2

(1)Padrão, de acordo com recomendação Comissão... (1995); (2)Diâmetro de 2,5 cm; (3)Número de pontos para formar as subamostras; (4)Média de 15 subamostras; (5)Coeficiente de variação (%).

Cultura do trigo

Na lavoura de trigo, os teores de potássio e fósforo disponíveis das amostras coletadas com calador foram próximos aos da amostra padrão, coletada com pá de corte (Figura 3). O único tratamento a não satisfazer o critério de exatidão adotado (variação de 20 % em relação ao padrão) foi o fósforo disponível da amostra formada por, somente, 1 (um) ponto (Figura 3). Da mesma forma, o coeficiente de variação do fósforo disponível foi muito elevado (160 % - Figura 4), determinando um número de subamostras (n), para compor uma amostra representativa, também muito elevado (225), muito acima do estabelecido como aceitável (20) do ponto de vista prático.Dessa forma, com base nos critérios estabelecidos, a mesma representatividade da amostra composta pode ser obtida coletando-se 16 locais (subamostras) com pá de corte ou diferentes combinações entre o número de locais na lavoura, utilizando o calador, até o limite mínimo de 3 por local: 16 subamostras com calador com 7 pontos por subamostra, 12 subamostras com 5 pontos por local ou 20 subamostras com 3 pontos por local, desde que observada a disposição dos pontos, transversalmente às linhas de semeadura (Tabela 2 e Figuras 3 e 4).

Tabela 3. Definição dos tratamentos, na cultura do trigo, que satisfazem os critérios de exatidão e precisão estabelecidos.

Número de pontos do calador

Critérios de decisão

Nutrientes

7

5

3

1

Exatidão

K

S

P

S

N

Precisão

K

S

P

S

N

S = Satisfaz; N = Não satisfaz

Cultura da soja

Na coleta de um ponto, com o calador, os teores de potássio e fósforo disponíveis, e de 3 pontos, os de fósforo disponível, na lavoura de soja, foram elevados, além dos limites previamente estabelecidos em relação à média das subamostras coletadas com pá de corte (Figura 5). O coeficiente de variação para fósforo disponível foi também elevado, ultrapassando o limite estabelecido, na coleta de 1 (um) e 3 pontos, com calador (Figura 6), necessitando-se coletar, respectivamente, 49 e 37 subamostras (locais na lavoura) para formar amostra representativa.Da mesma forma, como apresentado na cultura do trigo, e com base nos critérios estabelecidos, a mesma representatividade na lavoura de soja pode ser obtida coletando-se 9 subamostras com pá de corte ou com 13 submostras coletando 15 pontos com o calador ou 16 subamostras com 11 pontos ou, ainda, 10 subamostras com 7 pontos (Tabela 4).

Tabela 4. Definição dos tratamentos, na cultura da soja, que satisfazem os critérios de exatidão e precisão estabelecidos.

Número de pontos calador

Critério de decisão

Nutrientes

15

11

7

3

1

Exatidão

K

S

N

P

S

N

Precisão

K

S

P

S

N

S = Satisfaz; N = Não satisfaz.

Cultura do milho

O teor de potássio disponível, na amostra em que foi coletado somente um (1) ponto, e os teores de fósforo disponível, nas mostras compostas de 1 (um), 3 e 7 pontos com o calador, foram altos e fora dos limites admitidos de erro em torno do valor da amostra retirada com pá de corte (Figura 8). O coeficiente de variação das amostras formadas por 1 (um) e sete pontos apresentaram coeficientes de variação acima do limite estabelecido, determinando a coleta de 58 e 35 subamostras, respectivamente.Assim, a mesma confiança na amostragem pode ser obtida pela coleta de 9 subasmostras com pá de corte ou 11 subamostras com 21 pontos coletados com calador ou 19 subamostras formadas por 13 pontos (Tabela 5).

Tabela 5. Definição dos tratamentos, na cultura do milho, que satisfazem os critérios de exatidão e precisão estabelecidos.

Número de pontos calador

Critério de decisão

Nutrientes

21

13

7

3

1

Exatidão

K

S

N

P

S

N

Precisão

K

S

N

P

S

N

S

N

S = Satisfaz; N = Não satisfaz.

DiscussãoA baixa variabilidade dos valores de pH (Tabela 2), observada em outros trabalhos (Salet et al., 1996; Souza, 1998; Schlindwein et al., 2000), decorre da distribuição uniforme do calcário e da palhada no solo, o que não ocorre com a aplicação dos fertilizantes. Estes são aplicados predominantemente em sulcos, junto ou nas linhas de semeadura, e são responsáveis pela elevada variabilidade dos respectivos índices. (Figuras 4, 6 e 8).Em princípio, qualquer combinação do número de subamostras retiradas com o calador com o número de pontos, por local, até o limite mínimo de 3, para o trigo, de 7, para a soja e de 13, para o milho, fornece a mesma confiabilidade da amostragem dentro dos critérios estabelecidos no trabalho. No entanto, deve-se procurar a combinação que resulta na maior praticidade da coleta das amostras na lavoura. Assim, poder-se-ia recomendar: no trigo, 16 subamostras coletando 3 pontos com o calador; na soja, 10 subamostras com 7 pontos e no milho, 19 subamostras com 13 pontos. Assim, à medida que aumenta o espaçamento entre as linhas, aumenta o número de pontos por subamostra. No entanto, a intensidade de amostragem por local de coleta praticamente não é alterada, uma vez que a distância entre os pontos é de 5,8 cm no trigo, 5,7 cm na soja e 4,6 cm no milho (Tabela 1). Uma das vantagens da amostragem do solo realizado com calador é a coleta de, em média, um volume de solo 5,5 vezes menor do que quando realizada com a pá de corte, facilitando o processo de amostragem como um todo, inclusive a homogeneização da amostra.Devido à alta variabilidade espacial no sistema plantio direto, especialmente pela ação (imediata e residual) das aplicações localizadas dos fertilizantes, o número de subamostras para formar uma amostra composta representativa é elevado, especialmente na utilização de equipamentos que coletam um volume pequeno de amostra. Esse número é, ainda, maior nas culturas com maior espaçamento entre as linhas de semeadura (Salet et al., 2000). Este problema não ocorreu no presente trabalho, uma vez que, a coleta da secção transversal de solo, com pá de corte ou com o calador, retirando um número de pontos proporcional à distância entre as linhas de semeadura, determinaram uma variação do número de subamostras na faixa de 10 a 20, sem apresentar relação com o espaçamento entrelinhas das culturas. O valor médio de subamostras, considerando as culturas, de 14, com a pá de corte, e 15, com o calador, obtidos neste trabalho, estão muito próximos de 13 subamostras, coletadas com pá de corte, determinado por Schlinwein & Anghinoni (2000), na média de 8 lavouras no sistema plantio direto.Conclusões

Os resultados do trabalho indicam claramente a possibilidade de utilizar um procedimento mais prático, na amostragem do solo, com o trado calador, com a mesma confiabilidade da retirada, de secção transversal (fatia), com pá de corte, na largura, e transversalmente às entrelinhas em lavouras com adubação em sulcos no sistema plantio direto. Esse procedimento envolve a combinação do número de pontos por local de coleta e de subamostras (locais) por gleba uniforme de lavoura, até um número mínimo, que depende do espaçamento entre as linhas de semeadura da última cultura instalada na lavoura.

Recomendações

Utilizar, como uma alternativa prática à coleta de uma secção transversal, com pá de corte, na largura da entrelinha, o trado calador (2,5 cm de diâmetro), coletando em torno de 15 subamostras, ao acaso, dentro da gleba uniforme de lavoura, compostas de diferentes números de pontos, que dependem do espaçamento das culturas. Para culturas de pequeno espaçamento, como trigo, aveia e cevada (17,5 cm), coletar um ponto no centro da linha de adubação, mais uma de cada lado (total 3 pontos). Para culturas de médio espaçamento, como a soja (40 cm), coletar uma amostra no centro, mais 3 pontos de cada lado (total 7 pontos). Nas culturas de grande espaçamento, como o milho (60 a 80 cm), coletar uma amostra no centro, mais 6 de cada lado (total de 13 pontos). Este procedimento pode ser visualizado nas Figuras 9 (esquema), 10 (na soja) e 11 (no milho).Literatura Citada

ANGHINONI, I., SALET, R. L. Amostragem de solo e as recomendações de adubação e calagem sistema plantio direto. In: NUERNBERG, N. J. (Ed.). Conceitos e fundamentos do sistema plantio direto. Lages: Núcleo Regional Sul/SBCS, 1998. p.27-52.COMISSÃO DE FERTILIDADE DO SOLO - RS/SC. Recomendações de adubação e de calagem para os Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. 3 ed. Passo Fundo: Núcleo Regional Sul/SBCS, 1995. 224p.EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. CNPS. Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. Brasília: Embrapa – Produção de Informação; Rio de Janeiro: Embrapa-CNPS, 1999. 412p.KRAY, C.H.; SALET, R.L.; ANGHINONI, I. Variabilidade horizontal e amostragem dirigida do solo no sistema plantio direto. Porto Alegre: Departamento de Solos da Faculdade de Agronomia da UFRGS, 1998. 6p. (Relatório de Pesquisa).NICOLODI, M.; SALET, R. L.; BISSO, F. P. É possível fazer uma amostragem representativa de solo com trado, no sistema plantio direto? In: REUNIÃO SUL-BRASILEIRA DA CIÊNCIA DO SOLO, 3. 2000 Pelotas Resumos Expandidos. Pelotas: NRS/SBCS, 2000. CD ROM.NICOLODI, M; SALET, R. L.; BISSO, F. P. Existe repetibilidade entre as amostras compostas, coletadas com trado, no sistema plantio direto. In: REUNIÃO BRASILEIRA DE FERTILIDADE DO SOLO E NUTRIÇÃO DE PLANTAS, 24. FERTBIO 2000, UFSM. Resumos. Santa Maria, 2000. CD ROM.NICOLODI, M; SALET, R. L.; BISSO, F. P. Variabilidade da amostragem de solo com trado no sistema plantio direto. In: REUNIÃO BRASILEIRA DE FERTILIDADE DO SOLO E NUTRIÇÃO DE PLANTAS, 24. FERTBIO 2000, UFSM. Resumos. Santa Maria, 2000. CD ROM.PETERSEN, R.G.; CALVIN, L.D. Sampling. In: KLUTE, A. (Ed.). Methods of soil analysis: part 1 Phisycal and mineralogical methods. 2.ed. Madison: American Society of Agronomy, 1986. p.33-51.SALET, L.R.; KRAY, C.H.; FORNARI, T.G. et al. Variabilidade horizontal e amostragem de solo no sistema de plantio direto. In: REUNIÃO SUL BRASILEIRA DE CIÊNCIA DO SOLO, 1996 Lages. Resumos Expandidos. Lages: NRS/SBCS, 1996 p.74-76.SALET, R. L.; NICOLODI, M.; BISSO, F. P; DA ROS, C. O. Trado ou pá de corte: qual o mais eficiente para amostrar o solo no sistema plantio direto? In: REUNIÃO BRASILEIRA DE FERTILIDADE DO SOLO E NUTRIÇÃO DE PLANTAS, 24. FERTBIO 2000, UFSM. Resumos. Santa Maria, 2000. CD ROM.SANTOS, H.L. dos; VASCONCELLOS, C.A Determinação do número de amostras do solo para análise química em diferentes condições de manejo. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Campinas, v. 11, p.97-100, 1987.SCHLINDWEIN, J. A; ANGHINONI, I. Variabilidade dos índices de fertilidade do solo no sistema plantio direto e coleta de amostras representativas. In: REUNIÃO SUL BRASILEIRA DE CIÊNCIA DO SOLO – MANEJO SUTENTÁVEL DO SOLO, 2., 1998, Santa Maria. Resumos Expandidos. Santa Maria: NRS/SBCS, 1998. p.142-145.SCHLINDWEIN, J. A; ANGHINONI, I. Variabilidade horizontal de atributos de fertilidade e amostragem do solo no sistema plantio direto. R Bras Ci Solo, Campinas, n.24, p.85-91, 2000.SOUZA, L da S. Variabilidade espacial do solo em sistemas de manejo. Porto Alegre, 1992. 162f. Tese (Doutorado em Agronomia – Ciência do Solo) – Programa de Pós-Graduação em Agronomia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 1992.TEDESCO, M. J., GIANELLO, C., BISSANI, C. A, et al., Análise de solo, plantas e outros materiais. 2. Ed. Porto Alegre: Departamento de Solos da Faculdade de Agronomia da UFRGS, 1995. 147p. (Boletim Técnico, 5).

Dados para citação em referências bibliográficas:REVISTA PLANTIO DIRETO, edição nº 69, maio/junho de 2002, Aldeia Norte Editora, Passo Fundo-RS, 40 páginas.