Acúmulo de Matéria Seca e Supressão de Plantas Daninhas por Culturas para Cobertura do Solo


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Publicado em: 01/06/2002

Acúmulo de matéria seca e supressão de plantas daninhas por culturas para cobertura do solo

Walter Boller1, Carlos Antonio Gamero2 1Eng.-Agr. Dr., Prof. da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Passo Fundo. CP 611 CEP 99.001-970 Passo Fundo, RS. e-mail: boller@upf.tche.br2Eng.-Agr. Dr., Prof. Titular da Faculdade de Ciências Agronômicas da Universidade Estadual Paulista,Campus de Botucatu, SP. e-mail: gamero@fca.unesp.brA utilização de culturas para a cobertura do solo é condição indispensável para a implantação de sistemas de manejo conservacionista do solo. Com o objetivo de avaliar o acúmulo de biomassa seca das culturas de aveia preta, centeio e nabo forrageiro e os seus efeitos sobre a supressão de plantas daninhas antes da implantação da cultura do feijão, conduziu-se um experimento de campo, no ano de 1993. O experimento foi instalado na Fazenda Experimental Lageado da Faculdade de Ciências Agronômicas da Universidade Estadual Paulista (FCA/UNESP), Campus de Botucatu, SP, cujas coordenadas geográficas são: 22º 49’ Latitude Sul, 48º 25’ Longitude Oeste e altitude de 770 m. O solo do local foi classificado como Terra Roxa Estruturada, apresentando 0,58 g.g-1 de argila, 0,25 g.g-1 de silte e 0,17 g.g-1 de areia. A análise química indicou pH em CaCl = 5,1; teor de matéria orgânica de 3,4 %; P (resina) 17 µg/cm³; H+ + Al3+ 3,8; K+ 0,41; Ca2+ 3,9; Mg2+ 1,8; soma de bases = 6,1; CTC = 9,9 meq /100 g de terra fina seca ao ar e V(%) = 61. O solo foi preparado com arado de discos e descompactado com escarificador, nos dias 04/03 e 17/03. No dia 05/04 realizou-se uma gradagem com grade leve de discos, sendo realizada a semeadura das culturas de inverno no dia 06/04. As sementes foram distribuídas à lanço (100 kg.ha-1 de aveia preta cv. Comum, 80 kg.ha-1 de centeio cv. BR-1 e 20 kg.ha-1 de nabo forrageiro cv. Seletina). Estas, foram incorporadas ao solo com o auxílio de uma grade leve de discos, regulada com ângulo de travamento mínimo necessário para promover a sua cobertura. Não foi utilizada adubação. As precipitações pluviais registradas durante o período do experimento foram de 115,9 mm em março, 80,0 mm em abril, 162,9 mm em maio, 77,1 mm em junho, 8,5 mm em julho, 59,6 mm em agosto e 240,6 mm em setembro. O delineamento experimental foi de blocos casualizados, com 15 repetições, medindo as parcelas 6 m x 20 m. Foi utilizada uma testemunha sem cobertura do solo durante o inverno (pousio), mantida limpa através de capinas manuais, até meados de julho. Aos 30, 60, 90 e 120 dias após a emergência das culturas de inverno determinou-se a biomassa seca acumulada pela parte aérea das culturas de cobertura (duas amostras de 0,25 m² por parcela, secas em estufa a 60 ºC até atingir massa constante). Aos 120 dias após a emergência, foi realizado o manejo mecânico da biomassa vegetal, através de um triturador de palha tratorizado (Tritton 2300). No dia 14/08 determinou-se o número de caules ou de afilhos/m², realizando-se duas amostras com o auxílio de um quadrado de 0,50 m x 0,50 m em cada parcela. Aos 60 dias após o manejo mecânico das plantas de cobertura, utilizando um quadrado medindo 0,50 m x 0,50 m, determinou-se a biomassa seca remanescente das culturas de cobertura e restos vegetais de culturas anteriores e das plantas daninhas emergidas após o manejo mecânico das palhadas. Também estimou-se a percentagem de controle de plantas daninhas, através do método visual de avaliação de cobertura do solo por espécie. Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância e ao teste de Tukey (p£0,05). A Figura 1 ilustra a evolução do acúmulo de matéria seca pelas três culturas de cobertura ao longo de 120 dias, observando-se a maior precocidade do nabo forrageiro e o maior acúmulo de matéria seca pela aveia preta. A aveia preta, o centeio e o nabo forrageiro acumularam, respectivamente, 8,83; 7,17 e 5,27 t.ha-1 de biomassa seca aos 120 dias após a emergência. Na mesma data, a aveia e o centeio apresentaram 453 e 366 afilhos/m², enquanto que o nabo forrageiro manteve uma população de 95 plantas/m². Aos 60 dias após o manejo mecânico das palhadas, as quantidades remanescentes de biomassa seca das culturas de aveia, centeio e nabo forrageiro corresponderam, respectivamente, a 40,59 %, 42,92 % e 55,92 % da massa acumulada aos 120 dias após a emergência. Nesta mesma data, a composição florística das parcelas sob pousio apresentava 53 % de plantas daninhas monocotiledôneas (30 % de Brachiaria plantaginea (Linck) Hitch., 20 % de Cenchrus echinatus L. e 3 % de Digitaria spp.) e 41 % de plantas daninhas dicotiledôneas (15 % de Bidens pilosa L., 9 % de Galinsoga parviflora Cav., 8 % de Emilia sonchifolia DC, 5 % de Ipomoea spp., 2 % de Euphorbia heterophylla L. e 2 % de Sida spp.), totalizando 94 % de cobertura do solo. Os níveis de controle geral das plantas daninhas, pela biomassa das culturas de cobertura, considerando a cobertura visual do solo, as quantidades de matéria seca acumuladas pelas plantas daninhas aos 60 dias após o manejo mecânico das palhadas e da matéria seca remanescente das culturas de cobertura e restos de culturas anteriores encontram-se na Tabela 1. Concluiu-se que as três culturas evidenciaram seu potencial de produção de biomassa para a cobertura do solo, destacando-se o nabo forrageiro pela sua precocidade e a aveia preta, pela quantidade de matéria seca acumulada e pela maior capacidade de supressão de plantas daninhas.

Tabela 1. Quantidade de matéria seca (kg.ha-1) das coberturas vegetais verde, morta e total e níveis de controle visual de plantas daninhas aos 60 dias após o manejo mecânico da biomassa das culturas de cobertura do solo, em Botucatu, SP, 1993

Condições de

Máteria seca da cobertura vegetal

Controle

Coberturas

Verde

Morta

Total

visual (%)

Aveia preta

800 b

3584a

4385a

91,33 a

Centeio

795 b

3078 b

3873ab

76,47 b

Nabo forrageiro

669 b

2947 b

3616 b

57,53 c

Pousio

3435a

531 c

3966ab

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Médias

1425

2335

3960

Médias seguidas pelas mesmas letras, dentro das colunas, não diferem significativamente entre si pelo teste de Tukey a 5%

Dados para citação em referências bibliográficas:REVISTA PLANTIO DIRETO, edição nº 69, maio/junho de 2002, Aldeia Norte Editora, Passo Fundo-RS, 40 páginas.