Alternativas para Controlar o Arroz-Vermelho em Milho Cultivado no Sistema Plantio Direto (Plantas Daninhas)


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Publicado em: 01/06/2002

Alternativas para controlar arroz-vermelho em milho cultivado em áreas de várzea

Nilson Gilberto Fleck1; Mauro Antônio Rizzardi2; Dirceu Agostinetto3; Alvadi Antônio Balbinot Jr.31 Engo. Agro., Ph.D., Professor do Departamento de Plantas de Lavoura da Faculdade de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FA/UFRGS) – E-mail: fleck@ufrgs.br.2Engo. Agro., Dr., Professor da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Passo Fundo (UPF) – E-mail: rizzardi@upf.tche.br. 3 Engo. Agro., M.Sc., aluno de doutorado do Curso de Pós-Graduação em Fitotecnia da FA/UFRGS. Importância do problema

A produtividade média de arroz no RS está bem abaixo do seu potencial de rendimento. Dentre as causas dessa baixa produtividade destaca-se a interferência exercida por plantas daninhas, como o arroz-vermelho. Estima-se que as perdas diretas decorrentes da competição dessa erva possam chegar a 20% do rendimento (Agostinetto et al., 2001).O fato do arroz-vermelho pertencer a mesma espécie botânica do arroz cultivado torna difícil obter-se seu controle seletivo com herbicidas. Isso leva à necessidade de se buscar alternativas de manejo que possibilitem a redução do nível populacional dessa planta daninha, diminuindo seu impacto negativo na cultura. Nesse contexto, a rotação de culturas constitui-se em alternativa para reduzir o banco de sementes e diminuir os níveis de infestação de arroz-vermelho em áreas de várzea. Para Andres & Merotto Jr. (2000), a rotação de culturas com milho, sorgo e soja, além de auxiliar na redução da infestação de arroz-vermelho, é uma alternativa de agregar outros produtos economicamente rentáveis nas áreas de arroz.Dentre as opções de culturas para utilização em sucessão ao arroz, destaca-se o milho, por ser uma espécie com elevado potencial produtivo e ampla adaptação às diferentes regiões edafoclimáticas, além de apresentar adaptação às condições de solos mal drenados. Para essa cultura, há diferentes alternativas de herbicidas para o controle de ervas, tanto mono quanto dicotiledôneas; porém, existe poucas informações sobre o efeito desses produtos no controle de arroz-vermelho. O objetivo desse trabalho foi avaliar a possibilidade de controle dessa infestante através do uso de herbicidas pré e pós-emergentes utilizados para controle de ervas na cultura do milho.

Experimentos realizados

Foram conduzidos experimentos em condições controladas, na Faculdade de Agronomia da UFRGS, em Porto Alegre. Os bioensaios foram realizados em vasos com capacidade para 1 kg de solo. O solo utilizado foi coletado na EEA/IRGA, o qual possuía 18% de argila e 1,2% de M.O.No primeiro experimento, os tratamentos constaram de 10 herbicidas aplicados em pré-emergência e uma testemunha sem controle, dispostos em delineamento completamente casualizado, com três repetições. Os herbicidas e as doses utilizadas foram: atrazine, 2500 g ha-1 (Stauzina 500SC, 5 L ha-1); atrazine + isoxaflutole, 1245 + 50 g ha-1 (Alliance, 1,5 kg ha-1); atrazine + s-metolachlor, 1295 + 1015 g ha-1 (Primestra Gold, 3,5 L ha-1); atrazine + simazine, 1250 + 1250 g ha-1 (Controller, 5,0 L ha-1); acetochlor, 2520 g ha-1 (Kadett, 3,0 L ha-1); alachlor, 2400 g ha-1 (Alaclor Nortox, 5,0 L ha-1); s-metolachlor, 1680 g ha-1 (Dual Gold, 1,75 L ha-1); dimethenamid, 1125 g ha-1 (Zetta 900, 1,25 L ha-1); isoxaflutole, 60 g ha-1 (Provence, 80 g ha-1); pendimethalin, 1250 g ha-1 (Herbadox, 2,5 L ha-1). As aplicações dos herbicidas foram realizadas 1 dia após a semeadura de 20 sementes de arroz-vermelho por vaso.No segundo experimento, testou-se os mesmos herbicidas aplicados em pré-emergência no primeiro ensaio. Nesse experimento, simulando-se uma infestação de arroz-vermelho, foram semeadas 24 sementes de arroz cultivado por vaso (mistura de oito sementes de cada uma das cultivares IR 841, IRGA 418 e XL 6), utilizando-se cinco repetições. As aplicações herbicidas ocorreram 1 dia após a semeadura. No terceiro experimento, os tratamentos constaram de quatro herbicidas aplicados em pós-emergência e uma testemunha sem controle, usando-se cinco repetições. Os herbicidas e as doses utilizadas foram: nicosulfuron, 60 g ha-1 (Sanson, 1,5 L ha-1); sethoxydim, 230 g ha-1 (Poast, 1,25 L ha-1 + Assist 0,5 % v/v); imazethapyr, 100 g ha-1 (Pivot, 1,0 L ha-1); imazapic + imazapyr, 68,2 + 22,7 g ha-1 (Onduty, 130 g ha-1). A semeadura do arroz foi semelhante ao especificado no segundo experimento. A aplicação dos herbicidas foi realizada quando as plantas de arroz (10 por vaso) apresentavam três folhas desenvolvidas.Em todos os experimentos as aspersões herbicidas foram realizadas com aparelho costal de precisão, contendo bicos de jato leque Teejet XR 11004 VS, operando à pressão de 140 kPa , e aplicando o volume de 250 L ha-1 de calda herbicida.

Resultados obtidos

Verificou-se que, tanto no primeiro quanto no segundo experimento, os herbicidas aplicados em pré-emergência foram eficazes em controlar o arroz. Para massa seca, as maiores reduções ocorreram para tratamentos contendo herbicidas do grupo químico das amidas (tratamentos 3, 5, 6, 7 e 8) (Figura 1). Esses também foram os tratamentos que propiciaram as maiores reduções em plantas emergidas. Em relação ao grau de controle de arroz, os tratamentos 2, 3, 5, 6, 7 e 8 apresentaram maior eficiência, entre 87 e 100 % (Figura 2). A utilização isolada de atrazine (1) e a mistura atrazine + simazine (4) alcançaram níveis de controle de 98 e 96 %, respectivamente. Para Andres & Merotto Jr. (2000), herbicidas à base de atrazine e suas misturas com metolachlor e simazine são a principal ferramenta química para manejo de arroz- vermelho em pré-emergência em terras baixas. Nos dois bioensaios, pendimethalin apresentou controle médio de arroz-vermelho, ao redor de 60%. Deve-se alertar ao fato de que, com alguma freqüência, condições meteorológicas adversas ao estabelecimento e ao crescimento das plantas cultivadas podem favorecer o aparecimento de danos nas mesmas, provocados por certos grupos químicos herbicidas de aplicação ao solo em pré-emergência. Esse processo surge especialmente quando as plantas, na fase inicial do ciclo, estão submetidas a estresse decorrente de condições climáticas desfavoráveis, como excesso de chuva e frio prolongado, o que pode comprometer a seletividade de alguns herbicidas de ação através do solo (Fleck, 1990).Em plântulas de soja, por exemplo, os sintomas de injúria por herbicidas do grupo químico amidas (acetochlor, alachlor, metolachlor) podem aparecer quando elas estão submetidas à chuva excessiva ou temperatura baixa. Nesta cultura, os sintomas fitotóxicos são representados por enrugamento e encarquilhamento de folhas, principalmente nas unifolioladas ou na primeira trifoliolada (Roman, 2000).Na cultura do milho, as plantas danificadas por herbicidas amidas podem apresentar a parte aérea mal formada ou com crescimento parasitado. As folhas das plantas afetadas mostram redução de tamanho e enrolam-se de forma compacta. Tanto as plântulas como as plantas maiores podem apresentar folhas firmemente enroladas. Os sintomas são mais prováveis de ocorrer quando prevaleceram condições meteorológicas de frio e umidade excessivos antes da emergência da cultura (Skroch & Sheets, 1978).Também, em milho, herbicidas triazinas podem causar injúria, a qual se caracteriza por clorose entre as nervuras paralelas das folhas. A clorose foliar pode desenvolver durante condição meteorológica de frio, quando a taxa metabólica da planta de milho está baixa. Entretanto, a planta pode recuperar-se completamente após alguns dias sob condição de temperatura mais elevada (Skroch & Sheets, 1978).Esses relatos nos advertem no sentido de se tomar precaução na aplicação de determinados herbicidas em pré-emergência do milho (ou soja) em áreas de várzea, uma vez que as condições meteorológicas durante a primavera no Estado, com freqüência apresentam períodos favoráveis ao surgimento de estresses às plantas cultivadas, o que pode propiciar, por sua vez, o aparecimento de sintomas de danos por certos herbicidas. No experimento com herbicidas pós-emergentes, constatou-se, para massa seca da parte aérea e para controle, que os herbicidas imazethapyr (3) e imazapic + imazapyr (4) foram os mais eficientes no controle de arroz (Figura 3). Os herbicidas nicosulfuron e sethoxydim causaram sintomas acentuados de dano nas folhas de arroz que receberam tais produtos, causando redução no crescimento das plantas; porém, essas evidenciaram capacidade de recuperação. Essa recuperação não se manifestou nos demais tratamentos herbicidas em pós-emergência. É importante salientar que a utilização de herbicidas graminicidas em pós-emergência, como sethoxydim e nicosulfuron, possuem graus de seletividade diferenciais entre genótipos de milho (Andres & Merotto Jr., 2000). Considerações finais

Ao se analisar conjuntamente os resultados, constata-se que a aplicação de herbicidas recomendados para uso na cultura do milho representou uma alternativa eficiente para controlar arroz-vermelho em solos de várzea. Em geral, os herbicidas de aplicação em pré-emergência, exceto pendimethalin, foram mais eficazes no controle do que os herbicidas usados em pós-emergência. Dentre esses, destacaram-se, por sua eficiência, os herbicidas imidazolinonas; porém esses compostos, a exemplo de sethoxydim, não podem ser utilizados universalmente em todos os genótipos de milho, mas apenas naqueles que sejam tolerantes.Referências bibliográficas

AGOSTINETTO, D.; FLECK, N.G.; RIZZARDI, M.A.; MEROTTO JR., A.; VIDAL, R.A. Arroz-vermelho: ecofisiologia e estratégias de controle. Ciência Rural, Santa Maria, v.31, n.2, p.341-349, 2001.ANDRES, A.; MEROTTO JR., A. Manejo de plantas daninhas na cultura do milho em terras baixas. In: PARFITT, J.M.B. (Coord.). Produção de milho e sorgo em várzea. Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 2000. p.77-86. (Documentos n. 74).FLECK, N.G. Controle de plantas daninhas. In: EDITORA DA UNIVERSIDADE/UFRGS. Faculdade de Agronomia. Departamento de Fitotecnia. Secretaria da Agricultura. Departamento de Pesquisa. IPAGRO. Girassol: indicações para o cultivo no Rio Grande do Sul. 3.ed. Porto Alegre, 1990. p.37-41.RIZZARDI, M.A.; FLECK, N.G.; AGOSTINETTO, D.; BALBINOT Jr., A.A. Potencial de controle de arroz-vermelho com herbicidas em milho cultivado em solos de várzea. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ARROZ IRRIGADO, 2., REUNIÃO DA CULTURA DO ARROZ IRRIGADO, 24., 2001. Porto Alegre, RS. Anais... Porto Alegre: Instituto Rio-grandense do arroz, 2001. P.474-476.ROMAN, E.S. Estresses ocasionados por fitotoxicidade de herbicidas. In: BONATO, E.R. (Ed.). Estresses em soja. Passo Fundo: Embrapa Trigo, 2000. Cap.5. p.103-143.SKROCH, W.A.; SHEETS, T.J. (Eds.). Herbicide injury symptoms and diagnosis. Gainesville: Cooperative Extension Service/IFAS. United States Department of Agriculture, 1978. 31p.

Dados para citação em referências bibliográficas:REVISTA PLANTIO DIRETO, edição nº 69, maio/junho de 2002, Aldeia Norte Editora, Passo Fundo-RS, 40 páginas.