O Momento do Diálogo com a Sociedade (8º Encontro Nacional de PD na Palha — Ivo Mello FEBRAPDP)


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Publicado em: 01/08/2002

O momento do diálogo com a sociedade

Mais de 1.300 pessoas, entre engenheiros agrônomos, técnicos agrícolas, produtores, estudantes e outras categorias participaram do 8º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha, realizado em Águas de Lindóia/SP, de 17 a 21 de junho. O evento, promovido em conjunto pela Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha e pela Secretaria Estadual de Agricultura de São Paulo, com apoio de outras instituições e empresas, foi um marco histórico em termos técnicos, pela qualidade das apresentações e dos debates realizados. O 8º Encontro também foi importante no sentido da projeção dos próximos passos e das perspectivas do sistema, principalmente na busca de uma relação de conhecimento com a sociedade urbana, que não possui uma visão mínima do que os agricultores de plantio direto estão fazendo pelo ambiente, e as novas fronteiras físicas e técnicas, representadas principalmente pelo potencial do Estado de São Paulo e do Cerrado brasileiro. “ No momento em que o mundo se dispõe a elaborar estratégias para diminuir a degradação do ambiente, gastando grandes somas de recursos financeiros, devemos valorizar nosso trabalho, oferecendo nossas virtudes em troca de parte desses recursos, que seriam importantes para o desenvolvimento do país.” A afirmação é do engenheiro agrônomo e produtor Ivo Mello, que foi eleito presidente da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha para o próximo biênio. A eleição aconteceu durante assembléia geral ordinária realizada no 8º Encontro Nacional da Entidade, com a presença de empresas e instituições associadas. Ivo Mello substitui o produtor rural Herbert Bartz, pioneiro do plantio direto no Brasil e na América Latina, que ocupou o cargo nos últimos quatro anos, realizando um trabalho importante de consolidação da Federação. A nova diretoria assume em um momento em que existe uma grande expectativa sobre os rumos que o plantio direto, e a própria agricultura como um todo, tomarão nos próximos anos. A importância do diálogo com a sociedade e com o segmento político foi ressaltada pelo novo presidente da Federação, durante a assembléia da Entidade, em Águas de Lindóia. “Nossa mensagem é de que o produtor de plantio direto valorize essa situação perante a comunidade na qual ele vive, extrapolando também para a relação com a sociedade em geral e com a classe dirigente do país, cobrando posicionamentos que nos permitam melhores condições para a continuidade do sistema, que tantos benefícios traz à sociedade como um todo”, afirmou Ivo Mello, em Águas de Lindóia. Entre os projetos da nova diretoria estão a realização do Congresso Internacional de Agricultura Conservacionista, em agosto de 2003, e a criação de certificados de origem para grãos produzidos sob plantio direto. CAAPAS tem novo presidenteRepresentantes dos países que fazem parte da CAAPAS – Confederação das Associações Americanas de Produtores para uma Agropecuária Sustentável estiveram reunidos durante o 8º Encontro Nacional de Plantio Direto, quando foi feito um balanço da situação do plantio direto em cada país, bem como as perspectivas para os próximos tempos. No final da reunião, o engenheiro agrônomo e produtor Roberto Peiretti (foto), da Argentina, foi eleito o novo presidente da Entidade. Ele substitui o produtor Manoel Henrique Pereira, que dirigiu a Entidade por quatro anos, buscando uma integração entre todos os países membros. Roberto Peiretti é um nome de projeção entre a comunidade ligada ao Plantio Direto não só na Argentina, mas também no Brasil e em outros países do mundo, onde tem atuado como um dos mais prestigiados conferencistas sobre plantio direto e agricultura sustentável. HomenagemDurante a realização do 8º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha, a Revista Plantio Direto prestou uma homenagem aos engenheiros agrônomos Lucien Séguy, do CIRAD, Rolf Derpsch, da GTZ, e John Landers, da APDC, pesquisadores e difusores de tecnologia, cujos nomes estão ligados à história do Plantio Direto no Brasil e em outros países. Rolf Derpsch participou das primeiras pesquisas com plantio direto, realizadas na região de Londrina, em 1971. John Landers assumiu o Plantio Direto no Cerrado desde o início da década de 1980 e foi um dos principais difusores do sistema no Brasil Central. Lucien Séguy, com uma mobilidade indescritível, trabalha no desenvolvimento do Plantio Direto em regiões tão distantes e distintas como Lucas do Rio Verde, São Paulo, Madagascar, França e Vietnã. Os três, jovens e bonitos, continuam com toda a força na luta por uma agricultura sustentável. Trabalho sobre plantio direto em cana-de-açúcar vence concursoOs engenheiros agrônomos Oswaldo Siroshi Tanimoto e Denizart Bolonhezi, da cidade paulista de Aramina, foram os vencedores do 3º Concurso Técnicas de Plantio Direto Brasil, promovido pelo Grupo Plantio Direto, com apoio da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha. O trabalho vitorioso abordou o tema “Plantio Direto de Soja sobre Palhada de Cana-de-Açúcar” e os autores receberam o prêmio durante o 8º Encontro Nacional, em Águas de Lindóia. Oswaldo Tanimoto, assistente técnico da CATI, também é produtor de cana-de-açúcar e soja, e um dos principais difusores dessa nova fronteira do plantio direto, que utiliza os resíduos da cultura da cana, cerca de 15 t/ha, como cobertura antecessora para o plantio de soja, adubos verdes e outros cultivos. O 3º Concurso Técnicas de Plantio Direto Brasil proporcionou um prêmio de cinco mil reais e certificados aos vencedores. O Grupo Plantio Direto (GPD), promotor do evento, é formado por uma aliança de empresas interessadas na difusão do plantio direto entre os produtores de todo o país. Fazem parte do GPD as empresas Dow AgroSciences, Manah, Monsanto e Syngenta.O trabalho vencedor destaca a importância do plantio direto de soja na rotação com a cultura da cana-de-açúcar, o que permite o controle da erosão e uma melhoria paulatina das qualidades químicas, físicas e biológicas do solo. O plantio direto de soja sobre a palhada de cana surge como técnica expressiva e inovadora, proporcionando aumento na produção e redução de custos em ambas as culturas, além de ajudar na resolução da questão da queima dos canaviais, que já possui uma data para ser definitivamente proibida, de acordo com a legislação.