Mapeamento de Plantas Daninhas


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Publicado em: 01/08/2002

Mapeamento de plantas daninhas

Ulisses Rocha Antuniassi1 , André Salvador2 , Fábio Henrique Rojo Baio21 Professor Adjunto, Departamento de Engenharia Rural, Faculdade de Ciências Agronômicas,UNESP, Botucatu/SP, Fone: (14) 6802-7118, e-mail: ulisses@fca.unesp.br2 Engenheiro Agrônomo, MSc, aluno de Doutorado da Faculdade de Ciências Agronômicas, UNESP.Introdução

Sabe-se que as plantas daninhas competem com as culturas comerciais por diversos fatores, causando enormes prejuízos, sendo o seu controle um dos componentes de produção de maior custo para o agricultor. A pesquisa agronômica tem centrado esforços no estudo de técnicas para diminuir a utilização de herbicidas, contribuindo assim para a redução de custos e do impacto ambiental da agricultura. A maioria das plantas daninhas não se desenvolvem uniformemente em toda a área e possuem mobilidade limitada. As manchas ocorrem em função de diversos fatores, como os mecanismos de dispersão de sementes, sobrevivência, emergência e dormência, bem como fatores relacionados às propriedades do solo, entre outros. Esta variabilidade espacial é passível de ser mapeada, permitindo a tomada de decisão sobre o melhor manejo para cada local do campo. A possibilidade da detecção e mapeamento de manchas de plantas daninhas cria a oportunidade de otimizar o controle nestas áreas, utilizando tecnologias como a aplicação localizada de defensivos.

Aplicação localizada de defensivos

Com o conhecimento prévio detalhado sobre a distribuição especial das diversas espécies de plantas daninhas nas área de produção é possível planejar e definir antecipadamente, sob o ponto de vista técnico e econômico, os herbicidas, as doses, as épocas de aplicação e os equipamentos a serem utilizados. A aplicação localizada se justifica, portanto, pela própria distribuição em manchas de plantas daninhas.A aplicação localizada pode ser realizada em tempo real ou de acordo com um mapa de georreferenciados. Quando realizada em tempo real, sensores acoplados ao pulverizador reconhecem as plantas mandando sinais ao computador que interpreta os dados e comanda a aplicação dos herbicidas. Para a aplicação baseada em mapas utiliza-se pulverizadores com sistema de posicionamento via satélite (GPS) permitindo o controle da aplicação de acordo com o deslocamento do equipamento no campo, alterando a dose e/ou o tipo de herbicida em locais predeterminados no mapa.A tecnologia para a aplicação localizada de defensivos baseada em mapeamento já está disponível no mercado. Entretanto, sua plena utilização pelos agricultores ainda depende de um maior desenvolvimento da tecnologia agronômica para a determinação da variabilidade espacial das plantas daninhas.Métodos utilizados para o mapeamento de plantas daninhasUm dos métodos bastante utilizado pelos pesquisadores para a descrição da variabilidade espacial das plantas daninhas é o de amostragens sistemáticas. Este método consiste em coletar informações sobre as espécies presentes numa área amostral georreferenciada, localizada em pontos previamente estabelecidos por uma grade. Após esta etapa, os mapas de plantas daninhas podem ser obtidos por processos de interpolações das informações coletadas nas áreas amostrais. Esta é uma metodologia muito demorada, porém, os mapas obtidos são bem detalhados. Um outro método bastante simples, no entanto mais subjetivo, é o do caminhamento no contorno das manchas. Este método consiste em percorrer os perímetros das manchas de ocorrência de plantas daninhas, localizando visualmente as espécies presentes e o estágio de desenvolvimento, auxiliado por um sistema de posicionamento (GPS, por exemplo). Uma mancha ou reboleira de plantas daninhas pode ser definida como um conjunto de plantas daninhas com presença contínua numa certa área, formando um polígono de limite conhecido. A adoção desta metodologia se torna complexa quando a distribuição espacial das plantas daninhas é bastante homogênea. O mapeamento de plantas daninhas também pode ser realizado aproveitando-se uma das diversas atividades mecanizadas que ocorrem na propriedade (subsolagem, aplicação de defensivos, adubação de cobertura, colheita, etc), com a vantagem de se reduzir os custos operacionais de uma atividade extra para o mapeamento. Este método é chamado método linear de mapeamento, que é realizado pelo caminhamento em linhas na área, marcando-se os locais onde a presença de plantas daninhas é detectada. O operador apenas pressiona um botão no equipamento utilizado para o mapeamento, indicando a espécie ou grupo de plantas daninhas, conforme o mesmo passa por uma mancha. Uma outra forma de mapeamento das plantas daninhas é pela utilização de técnicas de sensoriamento remoto. Fotografias e videografias aéreas são utilizadas para auxiliar na delimitação das manchas de plantas daninhas em campos cultivados ou em pousio. A coleta das informações a campo é bastante rápida, porém, necessita de condições ambientais adequadas, como a ausência de nuvens e boa luminosidade. Necessita também do processamento das imagens obtidas para se chegar aos mapas de plantas daninhas, processo este que deve ser realizado por um técnico treinado. Mapeamento de plantas daninhas no Brasil

Salvador (2002) realizou uma comparação de diferentes métodos de mapeamento de plantas daninhas (Figura 1) e verificou que o mapeamento pelo caminhamento em grade de amostragem se mostrou eficiente para a identificação da variabilidade espacial das plantas daninhas mono e dicotiledôneas. Verificou também que no mapeamento pelo caminhamento em grade a coleta de atributos como porcentagem de cobertura foi útil para a visualização da variabilidade espacial de dicotiledôneas. O autor observou que o mapeamento pelo caminhamento no contorno das manchas somente foi viável para plantas perenes de distribuição agregada, notadamente as monocotiledôneas. Neste mesmo trabalho, a identificação de áreas de interesse de controle de plantas daninhas pela análise de imagens aéreas convencionais obtidas em baixa altitude de vôo foi possível imediatamente antes da colheita. Em uma análise da variabilidade espacial e temporal da infestação, os mapas obtidos em diferentes etapas de avaliação mostrou que a infestação de monocotiledôneas permaneceu no mesmo local, ao longo de uma safra, em 15 % de toda a área.Baio (2001) comparou duas metodologias para o mapeamento de plantas daninhas, por amostragens sistemáticas (Figura 2) e pelo contorno das manchas de plantas daninhas, e fez a aplicação localizada de um herbicida em uma área comercial de plantio direto alcançando uma redução de 31,6% do herbicida aplicado. O autor verificou que a metodologia de mapeamento de plantas daninhas por amostragens sistemáticas se mostrou muito demorada em campo e exigiu um maior tempo para a obtenção dos seus mapas, devido à necessidade da realização das análises estatística e geoestatística. Porém, proporcionou um maior detalhamento da variabilidade espacial das plantas daninhas no campo. Já a metodologia de mapeamento de plantas daninhas pelo contorno das manchas de ocorrência mostrou-se rápida para o levantamento dos dados em campo e para a elaboração dos mapas. Entretanto, se mostrou uma metodologia subjetiva, devido à necessidade da habilidade do executor do mapeamento em delimitar o perímetro da mancha da planta daninha. O autor verificou também que, neste trabalho, o padrão da distribuição espacial das espécies de plantas daninhas seguiu o padrão de semeadura das fileiras das culturas.Shiratsuchi (2001) realizou o mapeamento do banco de sementes e de plantas daninhas em uma cultura de milho. O autor aplicou herbicida pós-emergente em uma sub-área e herbicida pré-emergente em outra sub-área, baseado no mapeamento do banco de sementes, alcançando uma economia significativa de herbicida. Esquerdo (2002) realizou mapeamento de plantas daninhas pelo método do contorno das manchas em uma área de reforma de cana e, com a aplicação localizada, alcançou uma redução de 69,5% do herbicida aplicado. Considerações finaisApesar de ainda haver grande necessidade de desenvolvimento no que se refere às técnicas para mapeamento das plantas daninhas, os resultados de pesquisa obtidos até o momento mostram que esta tecnologia apresenta grande potencial para colaborar com a redução dos custos e do impacto ambiental da agricultura. Diversos agricultores já estão adotando práticas de mapeamento e identificação de plantas daninhas por talhão, possibilitando a variação de doses e/ou produtos em diferentes áreas das fazendas. Estes procedimentos simplificados de mapeamento servirão certamente como incentivo para a evolução do controle localizado das plantas daninhas. Outro fator importante é a constante evolução tecnológica dos equipamento de aplicação, os quais já apresentam recursos otimizados de navegação e coleta de informações. A popularização do uso destas técnicas também terá como resultado a redução de custos de equipamentos e de mão-de-obra, melhorando a competitividade econômica destas práticas de agricultura de precisão.Bibliografia consultada

ANTUNIASSI, U.R. Agricultura de precisão: aplicação localizada de agrotóxicos. In: Tecnologia e Segurança na Aplicação de Agrotóxicos, Santa Maria, 1998. Anais. Santa Maria: UFSM, 1998. p.53-63.BAIO, F.H.R. Aplicação localizada de defensivos baseada na variabilidade espacial das plantas daninhas. Piracicaba, 2001. 125p. Dissertação (Mestrado) – ESALQ, USP.eSQUERDO, J.C.D.M. Adaptação de um pulverizador convencional para a aplicação localizada de defensivos agrícolas. Piracicaba, 2002. 98p. Dissertação (Mestrado) – ESALQ, USP.salvador, a. Comparação de métodos de mapeamento da distribuição espacial da infestação de plantas daninhas. Botucatu, 2002. 109p. Dissertação (Mestrado) – FCA, UNESPSHIRATSUCHI, l.s. Mapeamento da variabilidade espacial das plantas daninhas com a utilização de ferramentas da agricultura de precisão. Piracicaba, 2001. 96p. Dissertação (Mestrado) – ESALQ, USP.

Dados para citação em referências bibliográficas:Revista Plantio Direto, edição nº 70.Aldeia Norte Editora, Julho/Agosto de 2002, 40 páginas.