Danos do percevejo em trigo
Dirceu GassenGerente Técnico da Cooplantio (Cooperativa dos Agricultores de Plantio Direto)E-mail: dirceu@agri.com.brOs percevejos pentatomídeos são pragas importantes em soja. Na cultura do trigo e de outros cereais de inverno os percevejos Nezara viridula, Dichelops e Thianta perditor causam danos ocasionais.No inverno os percevejos reduzem as atividade e passam períodos de dormência. A ausência de plantas hospedeiras com atributos alimentares adequados para os percevejos induzem o inseto a migrar.Em busca de ambiente e de alimento favoráveis, os percevejos realizam vôos curtos. Estabelecem-se em plantas hospedeiras dentro das lavouras ou nas bordas.No Rio Grande do Sul (Maia, 1973), constatou-se injúrias entre 4 e 13 % das espigas, com infestação de 1 percevejo N. viridula/10 espigas, na fase de formação de grãos, sem especificar o efeito no rendimento de grãos. Infestações de três semanas, (Link e Panichi,1979), a partir do espigamento com aproximadamente 1 percevejo/4 espigas, causaram reduções no número de grãos nas cultivares CNT 9 e CNT 10, no peso de grãos na CNT 9 e ausência de danos na cultivar de trigo Vacaria.No Mato Grosso do Sul (Gomes, 1982), testou-se populações de até 2 percevejos Thianta perditor/espiga em diferentes fases da formação do grão, com reduções no peso de mil sementes.Estudos evidenciam que a fase crítica do trigo para o dano do pervevejo-verde, N. viridula, é a de emborrachamento, quando se alimentam da espiga em formação, dentro da bainha da folha. Nessa fase pode causar a morte de toda a espiga, parte dela ou de espiguetas (Figura 1). Infestações, realizadas em 1984 (Gassen), de 1 percevejo/colmo durante 14 dias, a partir da fase de emborrachamento, reduziram 95 % o rendimento de grãos.Os danos de percevejos sãos causados pela injeção de saliva no processo de alimentação. A saliva contém substâncias histolíticas para a solubilização de tecidos e para facilitar a extração de alimentos.A fase crítica do trigo para o dano de percevejos é a de emborrachamento. Entretanto, a população elevada de colmos (300/m2) e a distribuição errática do percevejo, em bordas ou manchas de lavouras, dificulta o estabelecimento de níveis de danos e de controle.Com base nos estudos realizados, sugere-se o nível de controle em torno de 10 percevejos/m2, com a fase mais crítica no emborrachamento do trigo.A amostragem da presença e da distribuição de percevejos na lavoura de trigo pode ser feita visualmente, na primeira hora da manhã, quando os percevejos sobem para as partes superiores da planta buscando ambiente com menor umidade e radiação solar para secar o corpo.