Finalizando 2004 (Editorial)


Autores:
Publicado em: 01/12/2004

Finalizando 2004

Nesta última edição de 2004, além de outros temas, abordamos a ferrugem asiática e o seqüestro de carbono, dois assuntos importantes e atuais. O primeiro pelo que significou a doença até o momento, principalmente no centro oeste, onde houve grande perda nas lavouras. Somadas as duas últimas safras, o Brasil contabilizou um prejuízo superior a 2 bilhões de dólares e inicia uma cruzada de monitoramento e controle da doença das lavouras.

Foi notícia no início de novembro a detecção da presença do fungo Phakospora pachyrhizi em dois campos experimentais em Louisiana, nos Estados Unidos, a doença era esperada naquele país somente em 2006. Este cenário provoca a reestruturação no sistema de produção da oleaginosa, pois sua importância econômica não permite que a área cultivada diminua ou que ocorram perdas significativas na produção.

Para compensar os investimentos no controle da ferrugem, os agricultores apostam na eficiência do manejo e gerenciamento de suas propriedades, pois este item não será eliminado das planilhas de custo tão cedo, porque o fungo causador da ferrugem apresenta grande variabilidade genética, dificultando o desenvolvimento de cultivares resistentes.

Outro tema que merece destaque é o Sistema Plantio Direto como base no processo de seqüestro de carbono. No seu artigo, João Carlos de Moraes Sá (Juca) apresenta os resultados de sete anos de pesquisa da dinâmica da matéria orgânica. Este trabalho foi desenvolvido em parceria com várias instituições e seus resultados mostram que o plantio direto associado à rotação de culturas, faz com que o solo seja um dreno e não somente fonte de CO2.

Segundo Juca, o solo torna-se uma fonte de CO2 para a atmosfera quando as perdas por oxidação são maiores do que as adições de carbono na forma de palhada. Por isso os sistemas de manejo que usam o preparo do solo para a produção são o principal fator de perdas do gás.

Além disso, os resultados apontam à necessidade do manejo correto para que os produtores obtenham o máximo de rendimento com o sistema. A questão da matéria orgânica, volume e qualidade, a estrutura do solo, são itens básicos que caracterizam o plantio direto bem feito. Não é somente pela questão do carbono, que no primeiro momento é algo distante para a maioria dos agricultores, mas também pela sustentabilidade da produção e manutenção da fertilidade do solo, fator que os beneficia diretamente.

Esperamos que em 2005 tenhamos avanços no controle da ferrugem, no seqüestro de carbono através da prática do plantio direto de qualidade e também, em outras das inúmeras demandas de produtores e técnicos em nosso país.

Juliane Borges