A Importância da Integração Lavoura (SPD) x Pecuária para a Conservação Produtiva


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Publicado em: 01/12/2004

A importância da integração lavoura SPD x Pecuária para a conservação produtiva do solo

Afonso Peche FilhoEngenheiro-agrônomo, Pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas - Centro de Engenharia e AutomaçãoE-mail: apeche@terra.com.br

Uma característica marcante nas áreas de pastagens brasileiras e particularmente as da região do planalto no Estado de São Paulo é a degradação do solo. É comum encontrar propriedades que exploram a pecuária de corte ou leiteira que tenham áreas compactadas, com pouca cobertura de solo e conseqüentemente com processos erosivos em estágio avançado. Uma outra característica marcante na pecuária brasileira e paulista é a convivência com a necessidade de reformar as pastagens pois as mesmas ”ficam cansadas” e precisam ser trabalhadas para recuperar as condições originais de produtividade.

Estudos mostram que logo após uma ”reforma” a capacidade produtiva da pastagem pode chegar acima de 20 arrobas de carne por hectare ao ano, e no segundo ano a produção cai para aproximadamente 12 arrobas, no terceiro para 8 e do quarto em diante para menos de 4 arrobas, mesmo apresentando cobertura vegetal o boi não engorda pois o capim é pobre em nutrientes principalmente em nitrogênio que é a base para formação da proteína.

A luz da moderna tecnologia de manejo de solos, a reforma da pastagem clássica, com aração profunda e sucessivas gradagens na entrada das águas, é considerada um violento impacto ambiental causando mais prejuízos do que benefícios, principalmente a longo prazo, e essa é uma das razões porque as áreas de pastagens se depauperam tão rapidamente após a reforma. O solo é invertido pelo arado trazendo para a superfície camadas com menor fertilidade e com baixa agregação entre as partículas de argila, areia, silte e matéria orgânica. Exposto, o solo fica muito vulnerável a ação das chuvas torrenciais do verão e mesmo com o desenvolvimento do capim cobrindo a superfície, a fragilidade é alta e imediatamente após o primeiro pastoreio boa parte da superfície volta a ficar exposta e a gota da chuva atinge fortemente o solo descobrindo as raízes superficiais causando um grande estresse na planta, prejudicando enormemente a capacidade de rebrote, limitando a expansão do sistema radicular, além de promover a destruição dos agregados e provocar o aparecimento de uma crosta superficial que impede a germinação da semente produzida pela planta, impedindo também a infiltração da água e conseqüentemente promovendo a erosão laminar.

Por estes e outros motivos técnicos afirmamos que não é possível aceitar a estratégia de reforma de pastagens da forma que está sendo feita. A reforma quando realmente necessária só deve ocorrer com o preparo do solo no inicio de outono quando o solo ainda tem umidade e as chuvas torrenciais já não ocorrem com freqüência, mesmo assim não há lugar para a aração, a mobilização de correção superficial de ser realizada verticalmente ser inverter a camada superficial e isso se faz com escarificadores trabalhando em uma profundidade suficiente para eliminar sulcos de erosão e camadas compactadas, a gradagem deve ocorrer imediatamente após a passagem do escarificador, para ser eficiente no destorroamento corrigindo a superfície e formando um bom leito para a semeadura.

A integração sistema plantio direto e pecuária é a solução técnica que acaba definitivamente com a reforma das pastagens, possibilitando uma exploração pecuária moderna sem o fardo de uma produção de carne alicerçada nos impactos ambientais gerados pela degradação do solo. Para realizar a integração com sucesso é importante diferenciar as áreas de pastagens depauperadas das áreas de pastagens degradadas.

Consideramos pastagem depauperada aquela que apresenta plantas forrageiras fracas porem ainda cobrindo toda a superfície do solo, a área não tem sulcos de erosão e é baixa a infestação de plantas invasoras. A pastagem degradada apresenta áreas caracterizadas pela presença de sulcos de erosão, altas infestações de plantas invasoras, principalmente as arbustivas e lenhosas substituindo boa parte do capim que desapareceu. Na integração lavoura em SPD e pecuária, o sucesso começa com a escolha correta da área e, nesse caso, vale uma premissa importante que é a instalação do plantio direto somente em áreas depauperadas. Jamais devemos começar em áreas degradadas, não podemos perenizar a erosão e comprometer a sustentabilidade do sistema. Áreas degradadas devem ser reestruturadas com preparo mínimo (escarificação e gradagem) realizado no início de outono, com cultura de inverno viabilizando o início do plantio direto no verão. Um outro ponto importante é a utilização da soja como cultura principal de verão, pois possibilita o enriquecimento do solo com nitrogênio, elemento fundamental para a qualidade da pastagem.

Por fim, a integração também deve ocorrer entre os produtores, pois o pecuarista normalmente tem grandes extensões de terra e nenhuma tradição em produção de grãos, o agricultor tem as máquinas necessárias e pouca terra, uma boa parceria é sucesso garantido. Um ajuda o outro, os dois saem ganhando, e o solo produtivo é produzido.

Revista Plantio Direto, edição nº 84, novembro/dezembro de 2004, Aldeia Norte Editora, Passo Fundo-RS