Como Diferenciar a Ferrugem de Outras Doenças


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Publicado em: 01/12/2004

Como diferenciar a ferrugem de outras doenças?

A Ferrugem Asiática da soja, Phakopsora pachyrhizi, é a doença que atualmente causa maior preocupação aos agricultores brasileiros. Sua identificação e diferenciação de outras doenças pode ser feita com o auxílio de lupa manual, com 20 aumentos, através do exame da face inferior da folha.

O sinal causado por bacterioses, Pseudomonas ou Xanthomonas (Figura 1) predomina nas lavouras e apresenta coloração preta e brilhante, superfície plana e contorno angular (PPA: preta, plana e angular). Com o desenvolvimento da doença, a área infectada rompe, resultando em aparência de folha rasgada. As bacterioses são transmitidas pela semente e não tem controle satisfatório.

A mancha-parda ou septoriose, causada pelo fungo Septoria glycines (Figura 2), apresenta coloração parda (palha), superfície plana e contorno angular (PPA: parda, plana e angular). O fungo é transmitido pela semente e a proteção de plantas pode ser feita com a aplicação de fungicidas.

A Ferrugem Asiática da soja, no início do desenvolvimento, causa pequenas manchas de coloração negra e sem alo amarelo, na face superior da folha (Figura 3). Na face inferior da folha aparecem estruturas rugosas (Figuras 3 e 4) com elevação na superfície e orifício na extremidade superior. A lesão apresenta pequeno diâmetro (1 mm) sem bordas definidas, superfície rugosa e coloração pardo-clara a marrom-escuro (Figura 4).

As plantas atacadas desenvolvem a doença, rapidamente, adquirindo coloração par-do-escura a negra e queda de folhas, aparentando fim de ciclo de desenvolvimento da planta.

É importante monitorar as lavouras, identificar o agente causal das manchas foliares e adotar as práticas recomendadas de proteção de plantas de soja.Uso correto de lupa manual para identificação de doenças A identificação de sintomas causados por patógenos em plantas é a premissa básica para a adoção de estratégias de manejo de doenças. Nesse sentido, o uso de lentes de aumento é necessário para diagnosticar os sintomas e sinais dos patógenos. O uso eficiente de lupas manuais exige manuseio adequado para a obtenção de melhores resultados.

Como usar a lupa manual:

1. Posicionar a lupa junto ao olho (Figura 1).

2. Posicionar a folha ou parte da planta para ser analisada até a distância de foco (3 a 4 cm).

3. Não colocar a lupa sobre a folha e distante do olho.

A magnificação ou o número de vezes que a lupa aumenta o objeto focado é a primeira definição de escolha. Lupas com 10 aumentos não permitem identificação clara de sintomas de tamanho menor como os causados pela ferrugem da soja. Lupas com 40 aumentos dificultam a localização (foco) dos sintomas nas plantas. A maioria dos fitopatologistas indica a lupa manual de 20 aumentos coma a que melhor atende a necessidade de identificação de sintomas causados por patógenos.

As reclamações sobre as dificuldades de uso da lupa manual e na identificação de sintomas nas plantas estão relacionadas ao modo inadequado de uso de lupas.

Entre as doenças foliares freqüentes em soja que permitem a identificação sem o uso de lupa pode-se destacar o oídio e o míldio.

A identificação de sintomas causados por bacterioses, septoriose (mancha-parda) ou ferrugem exige o uso de lupa com 20 aumentos. As folhas devem ser sempre examinadas na face inferior.

As características de contorno do sintoma, de textura e de coloração permitem a diferenciação, a campo, dos sintomas causados por alguns patógenos.

Revista Plantio Direto, edição nº 84, novembro/dezembro de 2004, Aldeia Norte Editora, Passo Fundo - RS.