Redução nas Emissões de CO2 na Atmosfera


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Publicado em: 01/12/2004

Redução nas emissões de CO2 na atmosfera

Charles Rice, Coordenador Nacional do Consortium for Agricultural Soils Mitigation of Greenhouse Gases (CASMGS), nos Estados Unidos, consórcio que estuda o efeito de gases estufa e sua diminuição através da agricultura. O pesquisador veio ao Brasil a convite da Universidade Federal de Santa Maria e da Universidade Estadual de Ponta Grossa para interagir no programa de seqüestro de carbono e participar da XV Reunião Brasileira Sobre Manejo e Conservação de Solos e Àgua (XV RBMCSA), que aconteceu em Santa Maria (RS) no mês de julho. Após a XV RBMCSA foi para Ponta Grossa visitar a região dos Campos Gerais com o Prof. João Carlos de Moraes Sá – Juca, para discutir projetos de parceria entre a UEPG e a Kansas State University.

Charles Rice coordena um grupo de 70 pessoas entre cientistas do solo, agrônomos, economistas, profissionais ligados à extensão, cujo objetivo é produzir artigos e difundir as estratégias para o seqüestro de carbono em sistemas agropecuários e seus resultados para toda a sociedade. Rice é microbiologista do solo e sua linha de pesquisa é verificar quanto o manejo afeta os processos microbiológicos do solo e como isso se relaciona com o seqüestro de carbono. Outra função de Rice dentro do consórcio é coordenar junto aos legisladores e pessoas ligas às políticas governamentais a definição de estratégias que venham a viabilizar o uso das técnicas para redução das emissões de CO2. Além disso, o pesquisador ainda faz a representação em nível nacional e internacional do Consórcio, fomentando a interação entre instituições que tratam do tema no mundo.

Segundo Charles Rice, o programa é muito importante para quantificar e identificar o potencial de emissão de gás carbônico para a atmosfera, pois através disso, o governo e as empresas privadas poderão realizar investimentos eficientes visando solucionar o problema. O programa também pode embasar discussões dos cientistas e governos em nível global, buscando alternativas para a redução das emissões de dióxido de carbono.

Duas razões trouxeram Rice ao Brasil, a primeira foi o convite da Coordenação da XV Reunião Brasileira Sobre Manejo e Conservação de Solos e Água, onde ele apresentou suas idéias sobre como a microbiologia é afetada pelo manejo do ciclo do carbono e do nitrogênio em uma palestra e em um mini-curso. A segunda razão foi procurar interagir com os cientistas brasileiros, em Santa Maria e Ponta Grossa, através de visitas e reuniões. Na visita a Ponta Grossa, Rice conheceu os trabalhos sobre o seqüestro de carbono desenvolvidos pelo Prof. João Carlos de Moraes Sá e proferiu uma palestra na Fundação ABC, instituição parceira desses trabalhos.

Segundo o pesquisador, nos Estados Unidos o foco do consórcio é desenvolver um programa de seqüestro de carbono para a agricultura e para os agricultores que se sentem atraídos pela possibilidade de obter renda extra através do armazenamento do gás carbônico no solo. Como exemplo ele cita as companhias elétricas que incentivariam os agricultores a estocar o carbono pagando por isso. O governo americano quer desenvolver políticas que tornem possível que isso seja realizado na prática e em diversas situações. Rice considera que nos Estados Unidos aproximadamente 15% das emissões podem retornar via seqüestro de carbono através dos solos.

Ele comenta que o produtor tem uma expectativa de renda extra superior ao que se configura atualmente no mercado. Os números apontam um ganho de US$ 1,00/acre (US$ 2,50/hectare). Existe essa variação porque os mercados não são homogêneos e isto gera uma certa expectativa dos produtores em querer receber valores maiores do que efetivamente está sendo oferecido.

Na Europa esse Programa de Seqüestro de Carbono esta sendo incentivado e o valor no mercado europeu pode ser dez vezes superior ao mercado americano. Essa é uma diferença muito importante, mas para Rice, o que deve ser levado em consideração é que mesmo pagando valores superiores aos dos EUA, a Europa ainda não está apta a abraçar o programa de agricultura com base em seqüestro de carbono e colocá-lo em prática.

Para Charles Rice, o Brasil tem elevado potencial para agricultura, mas ele não sabe dizer se o governo ou as políticas governamentais incentivariam mais a agricultura, programas florestais e industriais, dando suporte para a questão do seqüestro de carbono no país. Nesse sentido, ele salienta o importante papel do cientista brasileiro, do pesquisador em solos, que precisa documentar e usar os dados para motivar e desenvolver políticas que realmente possibilitem a implantação de sistemas que beneficiem quem esta estocando carbono.

O seqüestro de carbono tem outros benefícios, sendo que o principal é exatamente o aumento da qualidade do solo e isto se reflete na melhoria da qualidade de vida e do ambiente, não impactando somente sobre quem vive da atividade, que é o agricultor, mas em toda a sociedade. Para Rice, muitas vezes a atenção é direcionada somente para o aspecto do carbono, e o cenário maior, a visão global dos múltiplos benefícios na cadeia que envolve a sociedade e a natureza são esquecidos.

Um ponto importante destacado por Rice é integração entre produtores, agrônomos e pesquisadores brasileiros, ele afirma essa integração cria uma excelente oportunidade para o desenvolvimento de um programa com bases sólidas.

Sendo essa a terceira viagem de Charles Rice ao Brasil, em três meses, ele teve oportunidade de fazer contatos importantes para o desenvolvimento de um programa de seqüestro de carbono em nível internacional, pois o Brasil irá participar do CASMGS através da coordenação da Embrapa.

Revista Plantio Direto, edição nº 84, novembro/dezembro de 2004, Aldeia Norte Editora, Passo Fundo-RS.