Biotecnologia moderna enterra a teoria malthusiana
Luiz Alberto Silveira MairesseEngenheiro-agrônomo, Dr. em Agronomia e conselheiro da Pró-Terra (Associação Brasileira de Tecnologia, Meio Ambiente e Agronegócios) (www.proterra.org.br) E-mail: mairesse@terra.com.br.
Segundo a teoria de Malthus, a fome seria sempre inevitável, já que, para ele, a população humana aumenta em progressão geométrica e a produção de alimentos em progressão aritmética. É a tentativa de explicar a desigualdade social como natural e mantida por ”leis restritivas da natureza”.
Para uma melhor compreensão da questão, podemos dividir a evolução da sociedade humana em cinco estágios principais. O primeiro estágio corresponde aos milhões de anos de sociedade comuno-primitiva, com uma população estritamente determinada pelas condições ambientais, com pouquíssima interferência do homem.
O segundo estágio só foi possível com a maior das revoluções de todos os tempos: o surgimento da agricultura. O segundo estágio da agricultura primitiva possibilitou chegarmos às centenas de milhões de habitantes e ao desenvolvimento da primeira sociedade organizada de nossa civilização: a sociedade escravagista.
Começa a surgir então o terceiro estágio determinante do avanço social: a agricultura empírica. Mesmo sem muita compreensão dos fenômenos naturais era evidente para os agricultores que certas práticas proporcionavam o aumento de produção. Entretanto, mais evidente ainda, era a conseqüente depauperação dos solos e do ambiente, com a destruição das matas para o plantio. Primordialmente, a humanidade viveu nesse tempo a sociedade feudal.
Francis Bacon, ao afirmar que ”só a dúvida conduz à verdade”, não só descobriu o porquê o homem, depois de milhões de anos, saiu das cavernas para construir uma civilização, como também lançou os princípios da ciência experimental, que determinaram o quarto estágio tecnológico da sociedade humana, marcado pelo aparecimento da burguesia.
Desafios para o futuro
No primeiro estágio que descrevemos, uma mesma área necessária para alimentar uma pessoa, hoje, em média, poderia alimentar em torno de 40 mil pessoas. É praticamente unânime a compreensão de que a fome atualmente é resultante de condições político-sócio-econômicas, do que da falta de tecnologias adequadas para se produzir alimentos.
A teoria malthusiana está, então, completamente ultrapassada, pois se dentro de um estágio, a produção de alimentos cresce em progressão aritmética, não resta dúvidas de que de um estágio para outro o crescimento é em progressão geométrica, com razão elevadíssima.
Certamente, jamais chegaremos a um patamar definitivo no avanço do conhecimento científico. Novas formas de desigualdade estarão sempre despontando, em razão das novas exigências e dos novos desafios que sempre advirão.
Atualmente, o grande desafio para a humanidade, em relação à agricultura, é o de produzir cada vez mais alimentos em áreas cada vez menores, pelo avanço da urbanização e pela necessidade de reservar mais áreas para conservação da biodiversidade e do equilíbrio ambiental. Creio que isto só será possível com o avanço da ciência e da tecnologia, que está proporcionando a chegada do quinto estágio de desenvolvimento da sociedade humana: a era da biotecnologia.
É a agricultura biotecnológica que está chegando para estabelecer um novo patamar de produtividade e, definitivamente, enterrar a Teoria Malthusiana.