Diversidade na cultura da soja orgânica em sistema de plantio direto e convencional no município de Tenente Portela - RS
Élio Alfredo Tamiozzo1 & Ubiratã Soares Jacobi21Pós-Graduando em Ciências Biológicas: Interações Bióticas e Biodiversidade2Professor Dr. do Departamento de Ciências Morfo-Biológicas da FURG – RS
1. Introdução
Cresce a cada dia o consumo de produtos orgânicos na sociedade. Atualmente, são produzidos desde legumes, frutas até carne orgânica. A soja é um dos produtos que vem conquistando consumidores europeus e, mais recentemente, brasileiros (SOJA..., 2004).
Cultivada livre de produtos químicos como herbicidas, fungicidas e inseticidas, a soja orgânica também é um bom investimento para pequenos produtores, tendo custo de produção menor do que no sistema convencional. O cultivo de soja para consumo humano é a alternativa para pequenos agricultores, além de o sistema orgânico proporcionar inúmeros benefícios para o meio ambiente (VARGAS & ROMAN, 2000).
A soja já foi considerada um grão sagrado ao lado do arroz, trigo, cevada e milheto, pelos chineses no período entre 2883 e 2838 AC, devido aos benefícios para alimentação e à saúde. Porém somente nos últimos anos, os ocidentais passaram a considerar a soja como alimento funcional, aquele que, além das funções nutricionais básicas, produz efeitos benéficos à saúde, sendo seguro para o consumo sem supervisão médica (EMBRAPA SOJA, 2004).
A diversidade de plantas daninhas no cultivo da soja tem sido ao longo dos anos a maior preocupação dos agricultores para conseguir aumentar a produtividade e conseqüentemente obter maior rentabilidade. Desta forma os agricultores têm trabalhado muito no controle das plantas competidoras da cultura, o que determinou uma diminuição da competitividade da soja frente a outras plantas que venham a ocupar o mesmo espaço acarretando reflexos diretos na sua produtividade.
Planta daninha é qualquer ser vegetal que cresce onde não é desejado. Dentro dessa definição ampla também deve ser enquadrada como tal a ”tigüera” de outras culturas que vegetam espontaneamente em lavouras subseqüentes (LORENZI, 1994).
As plantas invasoras podem permanecer durante anos em baixas densidades e caso ocorra perturbações, podem proliferar continuamente, transformando-se em pragas (MYERS et al., 2000).
Uma planta invasora é uma exótica que se propaga naturalmente em habitat natural ou seminatural. Esta pode ser capaz de alterar a composição, estrutura e processos naturais do ecossistema (CRONK & FULLER, 1995).
Não existem receitas ou pacotes prontos em agricultura orgânica, e a cada safra a estratégia de controle das infestantes pode ser alterada em função de variáveis como clima, nível de infestação, quantidade de cobertura, variedade utilizada, mercado, etc.
Fazer plantio direto sem o uso de herbicidas é um dos grandes desafios da atualidade para a pesquisa, a assistência técnica e aos agricultores. Uma das principais críticas de quem defende o plantio direto é a de que os agricultores orgânicos costumam revolver demasiadamente o solo no cultivo convencional. Os produtores orgânicos fazem uso de implementos para a descompactação e gradagem que movimentam excessivamente o solo, o que não está totalmente de acordo com os princípios orgânicos (DAROLT, 2000).
De outro lado, os agricultores orgânicos criticam os usuários do sistema plantio direto pelo uso exagerado de herbicidas, a grande dependência de empresas químicas, a possibilidade de contaminação das fontes de água com agroquímicos e o possível uso de sementes transgênicas. Em verdade, a melhor saída para atender os preceitos da sustentabilidade seria a prática do plantio direto seguindo os princípios orgânicos. Muitos agricultores, que têm trabalhado com plantio direto no sentido de reduzir a utilização de agroquímicos, já se aproximam, em certa medida, do ideário da agricultura orgânica. Para se tornarem efetivamente orgânicos será necessário que a unidade de produção passe por um período de conversão (SKORA NETO, 1998).
O principal entrave técnico do período de conversão é, sem dúvida, o controle das infestantes. O que deve ser compreendido é que as infestantes devem ser manejadas como parte integrante do sistema. Nesta perspectiva, a tarefa não é eliminá-las indistintamente, mas definir o limiar econômico da infestação e compreender os fatores que afetam o equilíbrio entre infestantes e culturas comerciais. Vale lembrar que em agricultura orgânica evita-se o termo ”planta daninha”, pois todas as plantas teriam uma função na natureza, como participação na teia de relações entre insetos e plantas (DAROLT e SKORA NETO, 2002).
O nível de controle de plantas invasoras depende da espécie infestante, da cultura e dos métodos empregados (LORENZI, 1994).
No caso da adubação, o que se busca não é simplesmente a nutrição da planta, mas, sobretudo a melhoria da alimentação do solo e do sistema. A fertilização orgânica é baseada na matéria orgânica e em fertilizantes minerais naturais pouco solúveis. O aporte de elementos fundamentais (P, K, Ca, Mg) é feito com uso de farinha de ossos, rochas moídas, semi-solubilizadas ou tratadas termicamente (fosfatos naturais, sulfato de potássio etc.), sendo estimulado o uso de calcário. No caso dos microelementos (Bo, Fe, Zn, Cu, Mn etc.) tem-se procedido a sua utilização na forma quelatizada, por meio da fermentação da matéria-prima em solução de água, esterco e aditivos energéticos, conhecidos como biofertilizantes (supermagro, biogel etc.) (DAROLT, 2000).
2. Metodologia
2.1 Execução
Esta pesquisa para verificar a diversidade e a interferência de plantas invasoras no cultivo da soja orgânica, foi realizada no município de Tenente Portela na localidade de São Pedro, situado entre as coordenadas geográficas: latitude sul 27º 20´ 17 a 27º 21´ 22´´ e longitude oeste 50º 49´20´´ a 60º 49´ 44´´. A altitude da área de estudo está entre 450 a 420 m.
Neste estudo foram analisadas oito áreas, sendo quatro destas cultivadas no sistema de plantio direto e as outras quatro no sistema de plantio convencional. Quanto ao manejo das espécies invasoras realizou-se capina manual e arranque destas para evitar a competição por nutrientes, água e outros fatores.
A cultivar utilizada nesta pesquisa foi Coodetec 201 e o seu cultivo foi realizado em espaçamentos uniformes entre linhas com aproximadamente 42 cm, variando o número de plantas nas linhas entre 12 a 20 indivíduos totalizando cerca de 50 plantas por m2. Os tamanhos das áreas analisadas variam de dois a quatro hectares de dimensão.
As áreas escolhidas para o experimento foram dentro de uma mesma região com clima, altitude, relevo e solo semelhantes.
As lavouras de pesquisa estão próximas ou intercaladas por lavouras de cultivo de soja convencional e transgênica; protegidas por barreiras de isolamento físico tentando evitar a dispersão de sementes de invasoras de forma anemocóricas e a polinização com outras culturas da mesma espécie.
O solo no plantio direto foi preparado com uma gradagem para eliminar as plantas invasoras e a cultura anterior (trigo) e para quebrar a massa verde do nabo forrageiro antes da maturação, logo após foi feito o plantio da cultivar de soja.
O solo no plantio convencional foi descompactado (aração), gradeado e em seguida plantado a soja orgânica.
A adubação orgânica foi através de cama de aviário, fosfato natural e restos culturais para os dois sistemas de plantio.
2.2. Coletas de dados
Nas oito áreas de estudos foi usado um quadro de arame de um metro quadrado para a contagem de indivíduos e espécies invasoras.
Foram realizadas três contagens: a primeira após o estágio de plântula, a segunda durante o estágio vegetativo ou de crescimento e a terceira na fase de maturação. O número de amostra de cada contagem foi de acordo com o tamanho da lavoura: de 10 a 20 amostras, com média final 15; totalizando 45 amostragens em cada área. Os locais das amostras foram escolhidos de forma aleatória.
As ocorrências das espécies foram listadas respectivamente: família, nome científico, autor, nome popular, código e ocorrência (tabela 2).
Os dados foram coletados antes das capinas e da catação (arranque).
Foram realizadas análises do solo de amostras de cada área estudada, com finalidade de avaliar fatores que podem interferir na ocorrência, desenvolvimento e seleção de plantas invasoras. Nestas análises foram verificados os pHs, percentual de matéria orgânica e argila. Ao mesmo tempo outros fatores também foram investigados como cuidados com a dispersão mecânica, cultivo utilizado no inverno, declividade do solo, cobertura de palha,nutrientes (P, K, Ca, Mg,Cu e Zn) (Tabela 1).
Para análise dos dados experimentais foi utilizado o programa estatístico SANEST, Sistema de Análise Estatística, desenvolvido na Universidade Federal de Pelotas, RS. Nos experimentos foi usado delineamento completamente casualisado (DCC) e com os dados foi processada análise de variância (ANOVA). As médias dos tratamentos foram comparadas pelo teste de Tukey, ao nível de significância de 5%.
3. Resultados
Os resultados deste trabalho representam o levantamento realizado entre os anos de 2003 e 2004 no cultivo de soja orgânica realizado na localidade de São Pedro, no município de Tenete Portela – RS.
As áreas estudadas que usaram o sistema de plantio direto não apresentam grandes diferenças entre si como pode ser observado na tabela 1, entretanto em metade destas não houve cuidado com a dispersão de sementes através de colheitadeiras. As áreas que usaram sistema convencional de plantio são mais uniformes, como mostra a Tabela 1, que as do sistema de plantio direto.
As espécies encontradas nas áreas analisadas estão listadas na Tabela 2, onde se pode observar a diversidade de espécies encontradas, observa-se porém que a maioria delas ocorre tanto no sistema de plantio direto como no convencional. Entretanto, algumas espécies de invasoras identificadas foram exclusivas para o plantio direto e outras para o plantio convencional.
As freqüências de ocorrência das plantas invasoras e cultivadas na cultura da soja orgânica são mostradas na Tab. 3, quando se refere às áreas plantadas com sistema de plantio direto e na Tab. 4, quando se refere às áreas em que o sistema utilizado foi o plantio pelo sistema convencional.
Pode-se observar pela Tab. 3, que a planta invasora mais freqüente em áreas em que se utilizou o sistema de plantio direto foi Euphorbia heterophylla (leiteira EPHHL), isto aconteceu no inicio, meio, fim e conseqüentemente em todo o ciclo da soja orgânica, diferindo significativamente das outras espécies. As outras plantas tiveram uma ocorrência menor observando todo o ciclo da soja.
Entretanto, como mostra a Tab. 3, algumas espécies foram mais freqüentes no inicio, mas ao longo do ciclo tiveram sua ocorrência diminuída como a Richardia brasiliensis (poaia-branca RCHBR), Sonchus oleraceus (serralha SONOL), Triticum aestivum (TRIGO) e Galinsoga parviflora (picão-branco GASPA).
É possível observar também na Tabela 3, que algumas plantas apresentaram uma baixa ocorrência ao longo de todo o ciclo da soja como Ipomoea grandifolia (campainha IOAGR), Talinum paniculatum (maria-gorda TALPA), Portulaca oleracea (beldroega POROL) e Cynodon dactylon (grama-seda CYNDA), sendo que esta última só apareceu no fim do ciclo da soja orgânica.
Em áreas onde foi utilizado o sistema de plantio convencional, mostrado na Tabela 4, não houve uma planta invasora mais dominante que outras, em termos de freqüência, o que ocorreu foi que várias espécies mostraram uma ocorrência significativa como Brachiaria plantaginea (papuã BRAPL), Euphorbia heterophylla (leiteira EPHHL), Ipomoea purperea (corriola PHBPU) e Digitaria horizontalis (capim-milhã DIGHO).
Outra observação que pode ser feita, olhando a Tabela 4, é que quase todas as plantas invasoras ou cultivadas tiveram suas freqüências diminuídas ao longo do ciclo, exceção feita a Euphorbia heterophylla (leiteiro EPHHL), Waltheria indica (malva-veludo WALAM) e Cynodon dactylon (grama-seda CYNDA).
As espécies menos freqüentes ao longo do ciclo da soja orgânica, mostrada na Tabela 4, foram Echinochloa crusgalli (capim-arroz ECHCG), Stachys arvensis (urtiga-mansa STAAR), Chamaesyce hyssopifolia (erva-andorinha EPHHS) e Cenchrus echinatus (timbête CCHEC), sendo que esta ultima aparece apenas no inicio do ciclo.
Apesar da maioria das plantas invasoras serem as mesmas nos sistemas de plantio direto e convencional de soja orgânica, observando as Tabelas 3 e 4, nota-se que as espécies invasoras encontradas em maior freqüência nos dois tipos de manejos são diferentes, exceção feita a Euphorbia heterophylla (leiteira EPHHL). É importante salientar que o trigo encontrado como uma das espécies invasoras de maior freqüência encontrada no sistema de plantio direto, está ligado ao fato de ter sido usado como cobertura morta durante o inverno.
Pode-se observar olhando as Tabs. 3 e 4, que também as espécies invasoras menos freqüentes nos dois sistemas de plantio são diferentes, exceção apenas de Cynodon dactylon (grama-seda CYNDA).
Com os dados fornecidos pela Tabela 5 é possível verificar que ocorre uma diminuição significativa estatisticamente na diversidade das espécies e no número de plantas ao longo do ciclo da soja, este decréscimo ocorre tanto no sistema de plantio direto como no convencional. A diminuição tanto no número de espécies como no de plantas é maior no sistema de plantio direto do que no convencional.
Na Tabela 6 pode-se observar em termos totais o que ocorre na Tabela 5, onde é visível que a diversidade de espécies e o número de plantas sofrem maiores reduções, ao longo do ciclo, no sistema de plantio direto do que no plantio convencional. O sistema de plantio direto teve durante o ciclo inicial um número maior de espécies invasoras do que o convencional e nos ciclos seguintes inverteu-se os resultados.
Observando os números totais do ciclo da soja orgânica, mostrado na Tabela 7, é possível visualizar a diferença entre a diversidade de espécies e número de plantas entre os dois sistemas de plantio, entretanto esta diferença não parece interferir no rendimento, pois foi no sistema convencional que se obteve a maior tendência de produtividade de soja orgânica por hectare.
O plantio direto conteve mais a riqueza e a quantidade de plantas invasoras comparando com o sistema de plantio convencional, entretanto o sistema convencional proporcionou a maior produtividade.
4. Discussão
O cultivo da soja orgânica é praticado por pequenos agricultores desta região do Estado que contam com pequenos recursos e praticamente nenhuma ajuda governamental. A necessidade de produção e conseqüentemente de produtividade, para pagarem suas dívidas, levam os agricultores a procura de um sistema que propicie maiores rendimentos com sua colheita.
A utilização dos sistemas de plantio direto ou semeadura direta e convencional são dois manejos utilizados pelos agricultores para viabilizarem este tipo se agricultura. Entretanto, é difícil saber qual dos dois sistemas de manejo pode ser mais interessante e que propicie maiores rendimentos, isto é maior retorno financeiro.
Um dos maiores problemas do cultivo orgânico é a infestação das lavouras por plantas invasoras que acabam diminuindo drasticamente a produtividade e conseqüentemente o lucro dos pequenos agricultores.
Neste sentido o estudo da biodiversidade ou seu levantamento em áreas onde se pratique tal forma de cultivo é extremamente importante, pois possibilita outras formas de manejo que possam aumentar o controle de plantas invasoras e possa desta forma aumentar o rendimento da cultura.
Neste trabalho, procurou-se identificar nesta região do Estado quais as plantas invasoras do cultivo orgânico da soja em dois diferentes tipos de manejo, direto e convencional.
As plantas invasoras que mostraram maior freqüência no sistema de plantio direto foram Euphorbia heterophylla (leiteira EPHHL), Richardia brasiliensis (poaia-branca RCHBR), Sonchus oleraceus (serralha SONOL), Triticum aestivum (TRIGO) e Galinsoga parviflora (picão-branco GASPA), Entretanto, o trigo encontrado foi devido a seu cultivo como planta de cobertura durante o inverno.
As plantas invasoras mais freqüentes no sistema de plantio convencional foram Brachiaria plantaginea (papuã BRAPL), Euphorbia heterophylla (leiteira EPHHL), Ipomoea purperea (corriola PHBPU) e Digitaria horizontalis (capim-milhã DIGHO).
Pode-se observar que as plantas invasoras encontradas em maior quantidade diferiram nos dois sistemas de plantio, com exceção da leiteira, isto se deve ao manejo diferenciado que propicia o desenvolvimento de espécies diferentes. No caso o plantio direto devido à cobertura ocorre uma seleção das espécies que sofrem problemas de fotoblastismo, necessidade de luz para germinação ou fotoperiodismo, variações diurnas de temperatura (JACOBI e FLECK, 1998). Para referendar este argumento as plantas com menor incidência nos dois sistemas de cultivo também foram diferentes.
A menor incidência de espécies e quantidade de plantas no sistema de plantio direto pode estar ligada também a fatores como controle de sementes que possam infestar as lavouras através de cuidados especiais com as maquinas colheitadeiras. Na Tabela 1 é possível verificar que em duas áreas os agricultores tiveram este cuidado o que pode ter interferido na diversidade e quantidade de plantas.
Os resultados tendem uma riqueza de espécies invasoras e o número de plantas maior para o sistema de plantio convencional do que para o direto. Esta diversidade e quantidade foram visíveis também ao longo do ciclo da soja orgânica. Isto mostra que o sistema de plantio direto controla melhor as plantas invasoras devido à cobertura do solo devido a problemas físicos ou mecânicos e químicos ou alelopáticos (JACOBI, 1997).
Entretanto, a diversidade e a quantidade de plantas menor como ocorreu no sistema de plantio direto não foram suficientes para provocarem uma maior produtividade da soja orgânica, pois a maior produtividade média foi obtida pelos agricultores que utilizaram o sistema de plantio convencional.
O que nos leva a necessidade de outras práticas que possam diminuir efetivamente a diversidade e o número de plantas invasoras conduzindo a rendimentos maiores e mais atrativos para o pequeno agricultor desta região do Estado.
Entretanto, o controle de plantas daninhas consiste na adoção de certas práticas que resultam na redução da infestação, mas não necessariamente, na sua completa eliminação. O princípio da prevenção deve ser privilegiado. Portanto, recomenda-se o uso de práticas,como a limpeza de locais estratégicos na máquina evitando a ressemeadura de invasoras por meio de dispersão mecânica no momento de efetuar a colheita. Percebe-se que o número de espécies e plantas invasoras é menor onde se observa a limpeza de pontos estratégicos na máquina para evitar a dispersão das mesmas.
Recomenda-se também a manutenção de uma boa quantidade de palha, o uso de plantas com efeito alelopático, o plantio em época adequada (antecipado para ganhar a concorrência com as invasoras), o uso de máquinas que permitam um bom corte da palha (com pouco revolvimento de solo na linha e deposição da semente em contato com o solo) e evitar períodos de pousio entre as culturas (SKORA NETO, 1998).
Para substituição dos herbicidas na cultura tem-se utilizado a capina manual (catação) e ou o arranque, aliado as outras práticas culturais de manejo. A diminuição do espaço entre linhas e a distribuição mais uniforme das plantas no espaço para interceptar a radiação sombreando o solo diminuem a taxa de germinação das plantas invasoras inibindo o seu crescimento (SCOTT & ALDRICH, 1975).
Assim algumas espécies invasoras prejudicam a cultura, disputando elementos vitais como: água, luz, CO2 e nutrientes. As plantas invasoras vêm se adaptando as condições adversas para a extração de água, nitrogênio, fósforo e potássio de três a seis vezes mais hábeis que as plantas cultivadas (LORENZI, 1994).
Os fatores que fazem uma planta daninha atacar uma lavoura são físicos e geográficos: solo e a região.
Perdas na produtividade atingem até 90%. No Brasil a média é de 20 a 30% (SOUZA 1993). As perdas ocorrem no rendimento de grãos e na operação da colheita.
O rendimento de grãos da cultura da soja não diferiu muito entre os dois sistemas. Pois o mesmo está associado às variações climáticas, as quais são muito variáveis durante o ciclo da cultura como, por exemplo, a intensidade da precipitação pluviométrica em relação ao período de tempo que pode afetar a floração causando a queda de flores recentemente fecundadas ou abortando-as. Como as chuvas são irregulares e mal distribuídas durante o verão e as áreas de amostras foram cultivadas em épocas diferentes, a produtividade pode ter sido afetada por estes fatores.
5. Conclusões
O sistema de plantio direto apresentou menor riqueza de espécies e quantidade de plantas invasoras.
A espécie mais freqüente no sistema de plantio direto foi Euphorbia heterophylla (leiteira) e a espécie mais freqüente no plantio convencional foi Brachiaria plantaginea (papuã).
O maior controle do sistema de plantio direto sobre a riqueza e quantidade de plantas aparentemente não afetou o rendimento da soja orgânica.
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