Manejo de Plantas Daninhas de Importância Econômica


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Publicado em: 01/04/2006

Manejo de plantas daninhas de importância econômica

Erivelton Scherer Roman, Leandro Vargas & Osmar RodriguesPesquisadores da Embrapa Trigo - Caixa Postal 451, 99001-970 - Passo Fundo, RSE-mail: eroman@cnpt.embrapa.br

Os fatores edafoclimáticos influem na ocorrência e na distribuição de plantas daninhas. Devido à ampla variedade de regiões brasileiras em que o trigo é cultivado, várias espécies de plantas daninhas causam perdas econômicas na produtividade da cultura. Assim, na região Sul, as espécies mais importantes são o Raphanus raphanistrum (nabo ou nabiça), Polygonum convolvulus (cipó-de-veado), Rumex spp. (língua-de-vaca), Echium plantagineum (flor roxa), Bowlesia incana (erva-salsa), Sonchus oleraceus (serralha), Silene gallica (silene), Spergula arvensis (gorga ou espérgula) e Stellaria media (esparguta). Em anos em que os invernos apresentam temperaturas médias mais elevadas, ocorrem, também, outras invasoras de folhas largas, mais comuns no verão, com Bidens pilosa (picão-preto), Ipomoea spp. (corriola) e Richardia brasiliensis (poaia). No Paraná, principalmente no norte do Estado, também ocorre Galinsoga parvilflora (picão branco ou fazendeiro) e algumas outras espécies de clima mais quente. Lolium multiflorum Lam. (azevém) e Avena strigosa (aveia preta) tiveram suas ocorrências e densidades aumentadas nos últimos anos, devido ao seu uso como espécies para cobertura do solo e para quebra da sequência do cultivo do trigo.

Efeito das plantas daninhas na produtividade do trigo

Estimativas das perdas na produtividade da cultura não são precisas. O grau de competição das plantas daninhas varia com as espécies infestantes, com as suas densidades populacionais, com a duração da competição e com as condições ambientais (Swanton & Weise, 1991). A despeito da falta de dados sobre esses efeitos, é evidente que diversas espécies de plantas daninhas exercem forte competição na cultura e que as perdas na produtividade são substanciais. A redução mais acentuada de produtividade da cultura ocorre quando a competição acontece nos estádios de crescimento da cultura. O período crítico estende-se até 45 a 50 dias após a emergência das plantas (Blanco et alii, 1973). No entanto, esse período pode variar em função das condições ambientais que afetam o crescimento das espécies em competição. Durante esse período, os prejuízos provocados são irreversíveis. Por essa razão, o controle deve ser realizado nessa época. Embora a competição tardia não afete a produção, ela pode afetar as operações de colheita e a qualidade do produto colhido.

Métodos de controle

Os métodos de manejo e controle das plantas daninhas à cultura do trigo constituem-se pelo uso de sementes isentas de sementes dessas espécies, rotação de cultura, uso da interferência e da competição entre as plantas daninhas e a cultura e o controle químico.

Controle químico

As plantas daninhas constituem-se em importante fator no manejo do trigo. Com o uso de cultivares de porte baixo e com o uso da adubação nitrogenada em cobertura, as plantas daninhas são ainda mais competitivas.

As perdas na produtividade do trigo causadas pelas plantas daninhas podem ser devidas à competição e/ou à alelopatia. A competição ocorre quando qualquer fator de ambiente (água, luz ou nutrientes) se torna limitante. A alelopatia é a inibição do crescimento de uma planta por outra, através da liberação de compostos químicos. Embora não esteja ainda estudada em trigo, os efeitos alelopáticos entre plantas têm sido relatados por alguns autores (Rice, 1984; Putnam & Duke, 1978) e provavelmente seja responsável por, pelo menos parte, da produtividade do trigo quando as plantas daninhas estão presentes.

As plantas daninhas podem ter outros efeitos negativos sobre a cultura além de reduzir a produtividade. Os grãos contaminados com plantas daninhas e/ou com suas sementes provocam sua depreciação. Sementes de erva-de-bicho (Polygonum spp.) podem conferir gosto amargo, alterando a qualidade da farinha. As plantas daninhas podem dificultar a colheita, podendo também, elevar o conteúdo de umidade dos grãos, o que favorece a fermentação e a incidência de pragas durante o armazenamento.

Métodos culturais

Uma das maneiras mais fáceis de se reduzir os problemas com as plantas daninhas é através do uso de sementes livres das mesmas. A compra de sementes de fontes não confiáveis, pode causar sérios problemas, como a introdução de espécies exóticas.

Reduções nas densidades de plantas daninhas pode ser obtida através do ajuste da época de plantio. O sucesso dessa estratégia depende das condições climáticas, mas pode-se atrasar o plantio de forma a permitir que uma proporção considerável germine e então sejam dessecadas com herbicidas, antes do plantio da cultura. Assim, há a possibilidade da redução da quantidade de plantas daninhas que ocorrem durante o ciclo da cultura. Este método é efetivo quando o clima é adequado para a germinação e a emergência das plantas daninhas e quando a maioria dessas sementes não são dormentes e germinam rapidamente. No entanto, é importante lembrar-se que plantios fora da época recomendada reduzem o potencial produtivo do trigo.

A densidade ou o banco de sementes de algumas plantas daninhas no solo podem ser reduzidos quando se utiliza rotações de culturas. Plantas daninhas que apresentam características e ciclo similares ao do trigo, são de controle mais difícil. A aveia preta voluntária, por exemplo, pode germinar e se desenvolver juntamente com o trigo. Outras espécies indesejáveis, como o picão preto (Bidens spp.) podem ocorrer no trigo, embora sejam espécies que ocorrem no verão e, portanto, mais exigentes em calor.

As infestações de plantas daninhas podem ser reduzidas quando se utiliza rotações de culturas nas quais se incluem espécies com diferentes ciclos ou com diferentes tipos de manejo, como diferentes épocas de plantio e diferentes práticas culturais, inclusive diferentes tipos de herbicidas. Assim, quando ocorrem infestações de azevém (Lolium multiflorum) e de aveia preta (Avena strigosa), a rotação com uma dicotiledônea de inverno, como a ervilhaca (Vicia sativa) ou com outra cultura de cobertura do solo como o nabo forrageiro (Raphanus sativus) possibilita a utilização de herbicidas graminicidas pré ou pós-emergentes para o controle da aveia preta e do azevém. As sementes de azevém tem vida relativamente curta no solo (3 a 4 anos), de modo que evitando-se a formação de sementes por esse período é suficiente para a redução significativa das populações dessa espécie. Deve-se considerar que as rotações de culturas são menos eficientes nas reduções das densidades populacionais de espécies que podem sobreviver no solo durante longos períodos.

Medidas de manejo que favorecem o desenvolvimento de uma cultura de trigo sadia e bastante vigorosa, como o plantio na época adequada , fertilização adequada, o uso de cultivares recomendadas e o controle de insetos e doenças, farão com que as infestações de plantas daninhas sejam reduzidas. Essas reduções ocorrem na própria cultura e nas próximas que compõem o sistema de produção. Assim, quando ocorrem primaveras chuvosa e quentes, a cultura produz quantidades relativamente pequenas de biomassa. As espécies de plantas daninhas de verão geralmente começam a germinar em setembro e estarão bem desenvolvidas por ocasião do plantio das culturas de verão, demandando doses mais elevadas de herbicidas para o seu controle. Quando o clima é adequado, o trigo produz adequada quantidade de biomassa e as plantas daninhas têm sua germinação atrasada, ocorrendo reduções nas quantidades necessárias de herbicidas para o seu controle.

Infelizmente nem todas as práticas recomendadas levam ao máximo controle das plantas daninhas. Algumas plantas daninhas podem responder à fertilização pelo menos de maneira semelhante ao trigo, aumentando as perdas na produtividade da cultura, quando elas não são controladas controladas por outras maneiras.

O manejo e o controle das plantas daninhas por práticas culturais somente não é tarefa simples e requer não somente habilidade gerencial do produtor, mas também condições climáticas favoráveis à cultura.

Controle químico

A disponibilidade de herbicidas tem provado ser um importante meio de controle de plantas daninhas. Os programas de controle podem ser realizados mais rapidamente quando se usa herbicidas do que quando se usa medidas mecânicas, melhorando, assim, o controle. A eficiência dos herbicidas tem levado, muitas vezes, a uma pesada dependência nesses compostos químicos, com a exclusão de outros métodos. Contudo, o controle químico deve ser visto como uma ferramenta adicional e não como a única. O controle químico deve ser utilizado com critérios, considerando-se seus custos, eficiência e segurança ao ambiente, incluindo o homem, devendo ser considerados como parte de um programa integrado de controle de plantas daninhas.

Quando um método de controle é utilizado continuamente, seja ele mecânico ou químico, é bastante provável o aparecimento de populações resistentes. Em alguns casos, pode haver a seleção de biótipos resistentes dentro de uma espécie, cujo número pode aumentar e constituir-se em um problema. O que tem sido mais comum é a substituição das espécies mais sensíveis pelas mais resistentes ao herbicida que tem sido usado. Outras espécies indesejáveis, como o picão preto (Bidens spp., ) podem ocorrer no trigo, embora sejam espécies que ocorrem no verão e, portanto, mais exigentes em calor. O uso continuado de herbicidas destinados ao controle de espécies dicotiledôneas pode levar ao aumento de espécies monocotiledôneas, como o azevém. O conhecimento da flora infestante das lavouras de trigo e suas reações aos diferentes métodos de manejo e controle são indispensáveis para que possam ser adotadas as práticas mais convenientes.

A resistência e a mudança na população de plantas daninhas podem ser evitadas pela integração de tantas quanto possíveis medidas de manejo (ou controle), tais como rotação de culturas, a utilização de misturas ou o uso alternado de herbicidas com diferentes mecanismos de ação.

Controle de gramíneas

Alguns herbicidas foram desenvolvidos para o controle de plantas daninhas monocotiledôneas na cultura do trigo. Entre os herbicidas atualmente recomendados para essa finalidade se destacam o iodosulfuron (Hussar), o clodinafop-propargil (Topik), o pendimethalin (Herbadox 500 CE) e o dichlofop-methyl (Iloxan CE). Esses herbicidas, em geral, são eficientes no controle de aveia preta, de aveia branca e de azevém. Os herbicidas Hussar e Topik são recomendado em pós-emergência e apresentam bom controle de espécies gramíneas. O Hussar apresenta maior eficiência sobre azevém e aveia preta, já o Topik é mais eficiente que este sobre aveia branca. O pendimethalin é usado em pré-emergência da cultura. A sua seletividade para a cultura é dada por sua posição na camada superficial do solo (cerca de 2 a 3 cm) e, portanto, o trigo deve ser semeado à profundidade de cerca de 5 cm. Chuvas pesadas logo após a sua aplicação, principalmente em solos de textura arenosa e com teores de matéria orgânica abaixo de 2 %, podem causar fitotoxicidade à cultura. A sua maior ação é no controle de azevém e de aveia preta. Dichlofop-methyl é usado em pós-emergência e controla melhor o azevém que aveia preta. No entanto, a sua eficiência depende do estádio de crescimento dessas plantas daninhas, sendo os melhores resultados obtidos quando aplicado no estádio de 2 a 4 folhas. Essas plantas daninhas são resistentes ao produto, quando se encontram em estádios de crescimento a partir do perfilhamento.

Controle de dicotiledôneas

O herbicida iodosulfuron (Hussar), além de controlar espécies gramíneas como o azevém e a aveia preta, apresenta controle eficiente da maioria das espécies de folha larga que infestam a cultura do trigo, como o nabo, cipó de veado e ipomoeas. O herbicida Hussar apresenta a vantagem de controlar espécies gramíneas e espécies folhas largas em uma única aplicação.

Os herbicidas à base de 2,4-D, dicamba, picloram, e MCPA são compostos químicos reguladores do crescimento, usados para o controle de plantas daninhas dicotiledôneas anuais e perenes. Eles são aplicados na folhagem e são translocados às raízes, pelo simplasto e apoplasto. Dicamba é também um herbicida hormonal, que controla espécies que não são controladas por 2,4-D, como, por exemplo, Senecio brasiliensis (Maria-mole), Polygonum convolvulus (cipó-de-veado), Stachys arvensis (orelha-de-urso), Rumex spp. (língua-de-vaca).

O trigo é mais tolerante a esses produtos quando se encontra entre o estádio do perfilhamento e início da elongação do colmo.

O controle de plantas daninhas, sem danos à cultura, depende da aplicação do herbicida em época adequada, principalmente no caso do 2,4-D. Podemos dividir o ciclo do trigo em 4 estádios:

1. do plantio até o estádio de quatro folhas

2. quatro folhas.até o emborrachamento

3. emborrachamento até o florescimento (antese)

4. grão pastoso até a maturação

Deve-se salientar que o trigo (e os cereais em geral) são mais sensíveis aos herbicidas hormonais durante os períodos de rápido crescimento, indicando que os períodos de maior susceptibilidade a esses herbicidas é estreitamente relacionado com as taxas de crescimento meristemático.

Plantio até o estádio de quatro folhas

Os cereais, incluindo o trigo, são muito sensíveis aos herbicidas hormonais durante os estádios de crescimento anteriores ao perfilhamento. Aplicações nessa época poderão causar a formação de espigas defeituosas, folhas enroladas (folha-cebola), estatura de plantas e produtividade reduzida.

Metribuzin é ativo contra algumas espécies mono e dicotiledôneas. É absorvido em maior quantidade pelas raízes do que pelas folhas, sendo influenciado pelas propriedades do solo. Fitotoxicidade do produto ao trigo é mais comum em solos leves, com menos de 2 % de matéria orgânica.

Estádio de quatro folhas até o emborrachamento

Os estádios de crescimento compreendidos entre os de quatro folhas até o de imediatamente antes ao estádio de emborrachamento, incluindo o estádio de pleno perfilhamento, são considerados como o mais recomendável para a aplicação dos herbicidas hormonais. Em adição à tolerância dos cereais ao esses herbicidas nessa época, as plantas daninhas são geralmente pouco desenvolvidas sendo, dessa forma, mais suscetíveis aos herbicidas. Além disso, elas não causam, ainda, competição considerável ao trigo e os equipamentos de aplicação terrestres não causam danos às plantas de trigo.

O herbicida 2,4-D geralmente se apresenta nas formulações de ésteres e de aminas. O tipo de formulação (aminas ou ésteres) determina algumas propriedades, características de cada formulação. Em geral, as formulações aminas são menos voláteis e menos solúveis que os ésteres. Os ésteres são absorvidos com maior rapidez que as aminas pelas folhas. Por sua vez, as aminas , sendo menos solúveis em água e menos voláteis, são mais persistentes no ambiente que os ésteres, apresentam maior probabilidade de deixar resíduos no solo para a cultura que será implantada logo após a sua aplicação. Assim, em aplicações de manejo das plantas daninhas em plantio direto, recomenda-se um intervalo de 5 a 10 dias entre a aplicação do herbicida e o plantio de culturas, como a do trigo e da soja, como intervalo de segurança.

Muitas vezes ocorrem problemas de fitotoxicidade em culturas sensíveis ao 2,4-D devido à volatilidade ou à deriva de herbicidas hormonais. Derivas podem ocorrer tanto durante, como após a aplicação do produto. Durante a aplicação, ela ocorre quando gotas podem ser levadas para fora do alvo a ser tratado. Quanto maior a pressão, maior será o número de gotas de menor diâmetro e maior será a probabilidade de deriva, pois ventos e correntes de ar carregam essas gotas para longe do alvo. A deriva pode ser minimizada, aplicando-se o produto quando não houver vento ou quando sua velocidade for baixa, usando-se equipamento adequado, com bicos de ângulos maiores, reduzindo-se a altura da barra.

Derivas após a aplicação ocorrem quando o produto se volatiliza, como pode acontecer com ésteres de 2,4 D que apresentam alta volatilidade. Umidade relativa baixa e altas temperaturas favorecem a volatilização de produtos e então, as derivas de produtos com alta pressão de vapor.

O metsulfuron-methyl é eficaz no controle de várias espécies de plantas daninhas dicotiledôneas, embora não controle algumas, como o cipó-de-veado (Polygonum convolvulus). Para o controle de Língua-de-vaca (Rumex spp.), são recomendadas doses de 4,2 gramas de ingrediente ativo por hectare. Embora seja degradado no solo, tanto por microrganismos como por processos não biológicos, resíduos deste produto no solo pode injuriar culturas plantadas imediatamente após a sua aplicação. Porisso, não é recomendado para uso na dessecação no sistema de plantio direto de culturas de verão, especialmente da soja, devendo-se observar os intervalos mínimos de tempo entre a sua aplicação e o plantio das culturas em sequência (DuPont Brasil, sd).

A sua aplicação, a exemplo de outros herbicidas pós-emergentes, é recomendada nos estádios iniciais de crescimento da cultura e das plantas daninhas (no máximo de 6 folhas), evitando-se, assim, a matocompetição e o efeito guarda-chuva, quando a aplicação não atinge as plantas daninhas menores devido a estas serem cobertas pelas plantas daninhas maiores.

Misturas de herbicidas, como por exemplo, misturas de 2,4-D, dicamba e metsulfuron-methyl, ampliam o espectro de espécies controladas, dando ótimo controle geral de plantas daninhas em trigo, sendo registradas e recomendadas para uso na cultura.

Bentazon é bastante seguro para a cultura de trigo e apresenta um espectro bem amplo de controle de plantas daninhas dicotiledôneas. No entanto, por ser um produto cuja ação é de contato, a sua eficiência é dependente do estádio de crescimento, sendo maior quando as plantas daninhas se encontram nos estádios iniciais de crescimento (2 a 4 folhas).

Dicamba , assim como o 2,4-D é um regulador do crescimento, com um espectro de controle de plantas daninhas semelhante. É recomendado para o controle de espécies nas quais 2,4-D não apresenta eficiência., sendo geralmente usado em combinação com ele. Dicamba não é eficiente no controle de Raphanus raphanistrum (nabiça ou nabo) e de Raphanus sativus (nabo forrageiro), mas é eficiente no controle de Polygonum convolvulus (cipó-de-veado). Dicamba apresenta um período de persistência no solo mais longo que o 2,4-D, o qual, na dose recomendada de 144 gramas de equivalente ácido hectare, é de cerca de 30 dias, não sendo recomendado nas pulverizações de dessecação, em plantio direto. É de menor volatilidade que as formulações ésteres de 2,4-D, mas mais volátil que as formulações aminas desse composto.

Picloram é um produto do grupo dos hormonais, que dá execelente controle de espécies perenes arbustivas, como Senecio brasiliensis (maria mole) e várias dicotiledôneas anuais, como Polygonum convolvulus (cipó-de-veado). No entanto, é muito persistente e mesmo nas doses recomendadas, pode persistir por vários meses e afetar culturas cultivadas em sucessão, como a soja. É solúvel em água, fracamente adsorvido pelas partículas do solo e, portanto, susceptível à lixiviação, podendo contaminar mananciais de água. O seu uso, portanto, deve ser restrito.

Reações do trigo aos herbicidas:

A tolerância do trigo aos herbicidas depende do estádio de crescimento em que a cultura se encontra, assim como da dose aplicada. Entre os herbicidas recomendados para uso na cultura, o iodosulfuron, o clodinafop-propargilo e o metsulfuron-methyl, são herbicidas bastante seletivos, enquanto os herbicidas hormonais podem causar fitotoxicidade à cultura se forem aplicados de forma inadequada.

Os sintomas mais comuns decorrentes da ação fitotóxica dos herbicidas hormonais, sobre as plantas de trigo são os de enrugamento de folhas, soldaduras (na folha bandeira é conhecido como encartuchamento) e torções devidas ao contínuo crescimento dos meristemas apicais e pouco desenvolvimento dos meristemas laterais. Elas podem apresentar amarelecimento ou envermelhamento, devido à decomposição da clorofila, com queimadura dos ponteiros decorrentes da morte dos tecidos. Nas espigas podem ocorrer bifurcações, falhas e engrossamentos, causadas pela proliferação desordenada de células. Os colmos podem se apresentar encurtados ou com novas ramificações.

Muitas variedades apresentam tolerância a herbicidas, quando aplicados nas épocas e nas dose recomendadas. As variedades desenvolvidas pela Embrapa Trigo , BR 18, BR 35, BR 119, BRS 49, BRS 120, BRS 176, BRS 177, BRS 179, Embrapa 16, Embrapa 40, e Embrapa 52, apresentam tolerância aos herbicidas 2,4-D, ao Dicamba, às misturas de 2,4-D com Dicamba e ao Metsulfuron-metil.

Estádio de grão pastoso até a maturação

Embora os cereais sejam muito tolerantes aos herbicidas hormonais, a aplicação desses herbicidas nesses estádios de crescimento não são recomendados porque podem ocorrer resíduos de herbicidas nos grãos.

Controle geral de plantas daninhas

Poucos herbicidas são disponíveis e registrados para o controle tanto de plantas daninhas monocotiledôneas como de dicotiledôneas, com diferentes espectros de controle de plantas daninhas.

2,4-D é usado em dessecação, no sistema de plantio direto. É de persistência curta no solo, o que possibilita a semeadura de culturas que lhe são suscetíveis em 15 dias após a sua aplicação. É formulado como sais de amina e de éster. Os ésteres são mais enérgicos, sendo mais voláteis e menos persistentes que as formulações amina. Devido à sua volatilidade, o 2,4-D não deve ser recomendado em áreas em que haja culturas sensíveis, nem sob condições de elevada temperatura, baixa umidade relativa do ar e sob condições de ocorrência de ventos.

Metsulfuron-methyl é recomendado para uso em trigo também nas pulverizações de dessecação, como uma alternativa ao 2,4-D.

Glifosate e Paraquat são herbicidas não seletivos registrados e recomendados para uso na pulverização de dessecação de plantas daninhas em plantio direto de trigo, podendo ser usados em mistura com outros herbicidas para essa finalidade.

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Revista Plantio Direto, edição 92, março/abril de 2006. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo,RS.