VI Conferência da Revista Plantio Direto


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Publicado em: 01/10/2006

VI Conferência da Revista Plantio Direto

Nos dias 4 e 5 de setembro a Revista Plantio Direto promoveu em parceria com a Embrapa Trigo sua VI Conferência. Na programação palestras e painéis que debateram máquinas, semeadura, estabelecimento de plantas, qualidade, fertilidade e compactação do solo, doenças e pragas sob plantio direto.

O evento contou com o apoio da Cotrijal, Agroinvvesti, Cotrijui, Falker, Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Passo Fundo e Associação dos Engenheiros Agrônomos de Passo Fundo e com o patrocínio da Fundação Agrisus, Roundup e Vence Tudo.

Na palestra de abertura o pesquisador da Embrapa Trigo, Benami Bacaltchuk, abordou a realidade e o futuro do plantio direto como prática de melhoria contínua e conservação de solos. Bacaltchuk comparou o passado onde a agricultura era praticada a custo de muita erosão, custos elevados e degradação de solos e água, e o presente, onde a maioria das lavouras está sendo conduzida sem preparo.

Ele considerou que em alguns casos o manejo do plantio direto apresenta deficiências, não podendo ser caracterizados como de qualidade. Para mudar esse quadro será necessário convencer o agricultor que o Sistema conduzido de forma adequada apresenta resultados positivos no médio e longo prazo. Projeta-se que em um futuro próximo será possível agregar valor à produção oriunda das propriedades que desenvolvem práticas conservacionistas como o plantio direto.

A VI Conferência contou com a participação de 190 produtores e técnicos do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

O painel máquinas e estabelecimento de plantas contou com palestra de Ruy Casão Jr. e Dirceu Gassen que abordaram máquinas e qualidade de semeadura e problemas e soluções na semeadura sob plantio direto respectivamente. Ao final do painel o debate trouxe para discussão o desempenho das semeadoras que em muitos casos não atendem de forma adequada às necessidades dos agricultores. Alguns participantes sugeriram que fosse desenvolvido um selo de qualidade fornecido às indústrias que submetessem seus modelos à avaliação de desempenho de todos os componentes.

No dia 5, a programação da parte da manhã tratou do tema qualidade de solo sob plantio direto. O Professor da Universidade Federal de Santa Maria, RS, Telmo Amado, falou sobre o manejo da fertilidade para altos rendimentos e destacou a importância de produtores e técnicos entenderem como funciona o sistema de produção para que tenham condições de manejar, com eficiência, a fertilidade do solo sob plantio direto.

O fechamento de todos os painéis contaram com enriquecedor debate entre palestrantes, debatedores e público, onde experiências de diversas regiões agrícolas e situações de lavoura do RS e SC foram trazidas para a discussão.

João Carlos de Moraes Sá, da Universidade Estadual de Ponta Grossa, PR, tratou da gestão da matéria orgânica do solo visando sistemas de produção sustentáveis. Segundo ele, a maioria das áreas sob PD não podem ser consideradas sustentáveis porque nelas não estão sendo aplicados os princípios fundamentais que geram economia e renda e são extremamente importantes para manter a sustentabilidade. Sá concluiu que a chave de sucesso do PD está na capacidade do agricultor desenvolver um sistema de produção com base no carbono.

O engenheiro-agrônomo e Supervisor Técnico da Cooplantio, Flávio Gassen trouxe para o público a visão da assistência técnica quanto à avaliação das condições físicas do solo sob plantio direto. Gassen fez inúmeros levantamentos medindo o adensamento do solo em propriedades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, e verificou que diversas áreas sob plantio direto apresentavam elevada compactação devido ao manejo inadequado. Ele defendeu o uso de medições em solo nativo da propriedade como parâmetro de comparação para diagnosticar o excessivo adensamento do solo.

O programa de palestras voltado exclusivamente para as demandas de produtores e técnicos quanto ao manejo do plantio direto na atualidade, manteve o público atento às informações que foram apresentadas.

A sanidade de plantas também fez parte da programação da VI Conferência, no último painel do evento o assunto foi abordado nas palestras de Olavo Corrêa de Silva, da Fundação ABC, Castro, PR, que falou sobre manejo de doenças sob plantio direto; de Ricardo Trezzi Casa, da UDESC, Lages, SC que palestrou sobre desenvolvimento da supressividade do solo para o controle de doenças radiculares em soja e Dirceu Gassen, da Cooplantio, Porto Alegre, RS, que tratou da interação no manejo de pragas, doenças e plantas daninhas no Sistema Plantio Direto.

Olavo Corrêa iniciou sua apresentação afirmando que o plantio direto é um sistema que está se estabelecendo e para resolver os seus problemas, sejam eles relacionados às doenças, pragas ou fertilidade, é necessário raciocinar, comparar, co-relacionar, é necessário entender o sistema, pois todos os envolvidos estão em fase de aprendizado. Durante sua palestra sugeriu aos produtores e técnicos presentes que perguntassem a si mesmos como está o plantio direto que praticam ou dão assistência, para a partir disso buscar soluções e planejar a atividade de forma adequada.

A VI Conferência contou com a participação de 190 produtores e técnicos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina e teve como objetivo, além de resgatar o debate sobre o Sistema Plantio Direto, marcar a data de comemoração dos 16 anos da Revista Plantio Direto.