O Nematóide Pratylenchus brachyurus e a Soja sob Plantio Direto


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Publicado em: 01/10/2006

O nematóide Pratylenchus brachyurus e a soja sob plantio direto

Luiz Carlos C. B. FerrazProfessor da ESALQ/USP, especialista em nematologia - Piracicaba - SP - E-mail: lccbferr@esalq.usp.br

Considerações iniciais

Os nematóides são vermes roliços de tamanho microscópico, no geral não visíveis a olho nu, que podem atacar elevado número de plantas cultivadas de interesse econômico, causando perdas apreciáveis aos produtores rurais. Na grande maioria das vezes, parasitam os órgãos subterrâneos da planta, principalmente as raízes, podendo eventualmente causar danos também em tubérculos, túberas e rizomas. No Brasil, as espécies de nematóide do gênero Pratylenchus, conhecidas como ”nematóides das lesões radiculares”, figuram em segundo lugar em termos de importância para a agricultura, sendo superadas apenas pelos chamados ”nematóides de galhas”, do gênero Meloidogyne.

Dentro do gênero Pratylenchus, a espécie P. brachyurus (Godfrey) Filipjev & S. Stekhoven é uma das mais destacadas em todo o mundo. Tal relevância está associada a algumas características mostradas por esse nematóide, entre as quais: i) ampla distribuição geográfica, ocorrendo na maioria dos países das regiões tropical e subtropical; ii) alto grau de polifagia, ou seja, capacidade de parasitar e multiplicar-se em grande número de plantas hospedeiras, filiadas a diferentes famílias botânicas; e iii) ação patogênica pronunciada no caso de várias culturas de grande interesse agronômico, anuais e perenes, podendo causar danos marcantes e perdas econômicas vultosas. Foi descrita originalmente em 1929, no Hawaii, onde se tornara um dos mais sérios problemas sanitários da cultura do abacaxi. É um parasito freqüente de culturas importantes como milho, cana de açúcar, batata, amendoim, algodão, quiabo, pessegueiro, entre tantas outras. A soja também é tida como suscetível, sendo que a ampla maioria das cultivares possibilita a multiplicação do nematóide em suas raízes. Embora não se reproduza bem em cafeeiro arábico, pode ser causa de grande atraso no desenvolvimento inicial das plantas quando se instala o cafezal em área muito infestada. Várias plantas ornamentais e algumas essências florestais igualmente são boas hospedeiras da espécie.

Em P. brachyurus, os exemplares têm o corpo esguio e alongado, medindo de 0,3 a 0,45 mm de comprimento nos estádios juvenis e de 0,5 a 0,7 mm nos adultos; como a reprodução é do tipo partenogenética, os machos são raros e as populações constituídas quase exclusivamente por juvenis femininos e fêmeas. Uma fêmea coloca 70 a 80 ovos, em média, dos quais eclodem juvenis de segundo estádio que, tendo a oportunidade de atacar plantas suscetíveis, irão desenvolver-se em juvenis de terceiro e quarto estádios transformando-se, por fim, em fêmeas adultas. No geral, esse ciclo biológico é completado em 3 a 4 semanas, podendo alongar-se em épocas mais frias.

Interação com as plantas hospedeiras

Pratylenchus brachyurus é um nematóide endoparasito, migrador. Uma fêmea pode depositar os seus ovos tanto no interior das raízes de uma planta atacada como no solo. Quando ovos são colocados dentro de raízes, os juvenis eclodem e iniciam o parasitismo imediatamente. No caso de ovos liberados no solo, após a eclosão, os juvenis precisam movimentar-se em busca de raízes de plantas suscetíveis, as quais usualmente liberam exsudatos que lhes são atrativos. Uma vez localizadas as raízes, os nematóides penetram-nas e migram então perpendicularmente até a região mais profunda do córtex, raramente invadindo o cilindro central. Atingidas as camadas mais internas do córtex, os juvenis posicionam-se paralelamente ao cilindro vascular e iniciam movimento no sentido do eixo longitudinal das raízes, durante o qual selecionam células para serem parasitadas. Escolhida uma célula, o nematóide perfura-a com o estilete bucal (Figura 1) e nela injeta secreções produzidas em seu esôfago. Tais substâncias promovem uma pré-digestão do conteúdo do citoplasma da célula transformando-o em alimento, que passa a ser sugado através do estilete. Quando a maior parte do material citoplasmático modificado já foi removida, o nematóide abandona o local e continua a sua migração repetindo o processo sobre outras células. Pouco tempo depois de o verme afastar-se, a célula atacada degenera-se e morre. À medida que se alimenta sobre diferentes células, o juvenil vai se desenvolvendo até transformar-se em uma fêmea adulta. Se as condições na raiz parasitada ainda forem favoráveis, a fêmea irá depositar os ovos em seu interior; no entanto, se o ataque for intenso e a quantidade de células mortas muito elevada, o nematóide poderá migrar de volta ao solo e ali colocar os ovos, ou até penetrar uma nova raiz e nela reiniciar o ataque e prosseguir na oviposição. Portanto, todos os estágios móveis do nematóide, tanto juvenis como fêmeas, podem atuar como formas infectivas.

Figura 1. Pratylenchus brachyurus – região anterior destacando o estilete bucal com ponta cônica e nódulos basais arredondados (original do autor).

Os danos causados por P. brachyurus às raízes das plantas hospedeiras são devidos à associação de três tipos de ação: mecânica – decorrente da migração típica realizada pelo nematóide no interior do córtex radicular, destruindo grande número de células mesmo sem se alimentar delas; tóxica – resultante da injeção (através do estilete) de secreções esofagianas produzidas pelo nematóide no citoplasma das células selecionadas para o parasitismo; e espoliativa – representada pela remoção (também pelo estilete) do conteúdo citoplasmático modificado das células atacadas pelo nematóide. Usualmente, o sistema radicular severamente parasitado fica menos volumoso, pouco desenvolvido (Figura 2), e as raízes presentes mostram áreas parcial ou totalmente descoloridas, de tonalidades pardo-avermelhada a pardo-escura, resultantes da coalescência das muitas lesões necróticas causadas internamente pelo nematóide. A propósito, tais sintomas, em particular o apodrecimento observado em certo número de raízes, são característicos dos ataques por nematóides endoparasitos migradores, como as espécies de Pratylenchus. Essas anomalias provocadas no sistema radicular limitam a absorção e o transporte de água e de nutrientes, levando a planta atacada a exibir diferentes sintomas reflexos na parte aérea, em especial enfezamento, nanismo, murcha nas horas mais quentes do dia, clorose e outros indicativos de distúrbios nutricionais, desfolha, queda na produtividade etc. O ataque costuma ocorrer em áreas localizadas, de extensão variável, chamadas manchas ou reboleiras, nas quais os níveis populacionais do nematóide são elevados e o porte das plantas é menor que o normal (Figura 3). Muitas vezes, as reboleiras podem ser logo identificadas pelo fato de, em seu interior, as plantas de soja não se desenvolverem bem e as ervas daninhas tornarem-se facilmente visíveis nas entrelinhas (Figura 4).

Figura 2. Sistemas radiculares de plantas de soja atacadas por P. brachyurus, pouco desenvolvidos e com muitas radicelas apodrecidas (cortesia de Rosângela A. da Silva).

Figura 3. Reboleira de soja (primeiro plano) causada por P. brachyurus, evidenciando bem o menor tamanho das plantas atacadas (cortesia de Rosângela A. da Silva).

Figura 4. Área sob alta infestação de P. brachyurus, onde o enfezamento das plantas de soja possibilitou o bom crescimento de ervas daninhas (cortesia de Rosângela A. da Silva).

Pratylenchus brachyurus e a soja sob plantio direto – caracterização do problema

A área agrícola sob o sistema plantio direto no Brasil expandiu-se muito nas últimas duas décadas, principalmente em relação ao cultivo da soja. Tal sistema baseia-se, fundamentalmente, no tripé ‘não revolvimento do solo/formação de palhada/rotação de culturas’. Tal conjunto de ações, por um lado, tem efeito positivo na medida em que ajuda a prevenir a disseminação dos nematóides pela exclusão das tradicionais operações de aração e gradagem do solo. Contudo, pelos outros dois aspectos, pode contribuir não apenas à sobrevivência como ao crescimento populacional desses organismos na área. A formação da palhada, por exemplo, praticamente assegura a manutenção no solo de teor de umidade adequado à sobrevivência e boa atividade dos nematóides durante o ano todo. A rotação de culturas, por sua vez, quando inclui plantas que sejam boas hospedeiras de nematóides tanto no cultivo de verão como no de inverno pode causar marcante elevação dos níveis populacionais destes e, com isso, levar o produtor a sofrer sérias perdas econômicas após certo tempo.

O aumento da importância de P. brachyurus para a sojicultura brasileira, primeiro no sistema convencional e mais recentemente sob plantio direto, ao que tudo indica, resultou de algumas medidas adotadas ao longo dos últimos 20-25 anos. Historicamente, os nematóides tidos como mais prejudiciais à soja têm sido Meloidogyne incognita e M. javanica, conhecidos vulgarmente como nematóides de galhas. Estudos intensivos visando ao controle dessas duas espécies por meio de rotação de culturas, da obtenção de cultivares resistentes e pela aplicação de nematicidas datam das décadas de 1970 e 1980. No tocante à rotação de culturas, naquela época era muito difundida a recomendação de alternância do plantio de soja com milho ou sorgo (eventualmente, outras gramíneas) para reduzir as populações desses nematóides. A idéia predominante era a de que o milho, indiferente às cultivares utilizadas, era hospedeira muito desfavorável aos nematóides de galhas e possibilitava eficiente manejo de Meloidogyne. O tempo encarregou-se de mostrar que tal técnica, se útil do ponto de vista fitotécnico, não se sustentava pelo lado nematológico, por duas razões principais: i) várias das cultivares de milho usadas para a rotação eram, na verdade, tolerantes e não resistentes a M. incognita e/ou M. javanica, ou seja, eram pouco afetadas quanto à produtividade, mas multiplicavam bem esses nematóides nas raízes e permitiam que suas populações na área permanecessem altas prejudicando assim a soja plantada subseqüentemente; e ii) o milho, de modo geral, é cultura muito suscetível, favorável a P. brachyurus e, com isso, após certo período, o produtor corria o risco de passar a ter sérios problemas também com essa espécie. A partir da década de 1990, quando se tornou comum a recomendação da rotação de soja apenas com cultivares de milho ou sorgo comprovadamente resistentes aos nematóides de galhas, os problemas com essas espécies foram parcialmente reduzidos, porém em relação a P. brachyurus o quadro continuou inalterado.

Para agravar a situação, a partir da safra 1991-92, registrou-se a ocorrência no Brasil de mais um nematóide altamente daninho para a soja, o chamado nematóide de cisto, Heterodera glycines. Como não se dispunha de imediato de cultivares resistentes a essa espécie no País e o uso de nematicidas não era indicado ao seu controle, a rotação de culturas passou a constituir-se na principal, senão única, alternativa de manejo, logo adotada por produtores dos estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais. Entre as opções preferidas para plantios de verão ou inverno nas áreas já infestadas ou sob risco de infestação, por serem más hospedeiras do nematóide de cisto, destacaram-se mais uma vez gramíneas como milho, milheto, sorgo, aveia e arroz, além de girassol e algumas outras culturas. Se, por um lado, o cultivo continuado de tais plantas permitiu que as populações de H. glycines e, em algumas áreas, até mesmo de M. incognita e M. javanica, fossem mantidas em níveis adequadamente baixos, por outro contribuiu significativamente ao aumento progressivo das populações de P. brachyurus. Após uma década de implementação desse esquema de manejo, as populações de P. brachyurus aparentemente atingiram patamares suficientemente elevados em muitas áreas para causar perdas evidentes, haja vista a crescente preocupação hoje observada da parte de muitos sojicultores. Portanto, o aumento da relevância de P. brachyurus nas áreas de produção de soja sob plantio direto atualmente verificado não chega a surpreender, mas, pelo contrário, era mesmo de se prever.

Pratylenchus brachyurus e a soja sob plantio direto – alternativas para o manejo

Há várias medidas que podem ser cogitadas visando à solução de um determinado problema de natureza nematológica. No presente caso, a maioria delas não se mostra tecnicamente eficaz ou economicamente exeqüível, ficando as opções bastante restritas. O emprego do controle varietal, por exemplo, embora fosse o ideal, não está ao alcance no momento, pois não se dispõe de cultivares de soja altamente resistentes a P. brachyurus, haja vista que, nos últimos anos, as pesquisas nacionais na área de melhoramento genético têm visado principalmente a resistência ao nematóide de cisto e aos nematóides de galhas. A propósito, isto não deve ser considerado como uma deficiência, pois, na verdade, o trabalho desenvolvido pelos melhoristas brasileiros na última década foi absolutamente exemplar e a prioridade dada às espécies de Meloidogyne e a H. glycines mostrava-se, na época, uma óbvia necessidade. O uso de práticas como alqueive ou pousio é incompatível com o sistema plantio direto. O combate químico também encontra objeções, em especial pelo fato de que os produtos nematicidas, embora eficientes, não erradicam o nematóide, mas apenas reduzem-lhe as populações temporariamente, o que geraria uma dependência de aplicações sistemáticas nas áreas infestadas, ano após ano, aspecto conflitante com os objetivos do plantio direto e que, ao longo do tempo, poderia onerar a produção.

Assim, até que essa situação descrita modifique-se e as medidas citadas tornem-se plenamente viáveis, a técnica que vem sendo mais indicada ao manejo de P. brachyurus é a rotação de culturas, alternando plantios de soja com outras culturas de verão e principalmente de inverno que sejam resistentes a esse nematóide. Todavia, cumpre destacar que esse método também envolve dificuldades práticas ao produtor e nem sempre vai de encontro às suas expectativas do ponto de vista econômico. A eficácia da técnica está ligada ao fato de que, embora a lista de hospedeiros de P. brachyurus seja extensa, encontram-se ainda algumas plantas nas quais a sua multiplicação não ocorre ou a taxa de reprodução é extremamente baixa. Portanto, o cultivo de tais plantas, dentro de esquema bem planejado, poderá ensejar ao produtor de soja a manutenção da população desse nematóide na área em níveis reduzidos, toleráveis, a exemplo do que já se tem buscado fazer em relação aos nematóides de galhas e ao nematóide de cisto.

Entre as possíveis opções para a rotação incluem-se certos adubos verdes, como algumas espécies de crotalárias. Entre estas, Crotalaria spectabilis e C. breviflora são as mais indicadas, revelando-se muito resistentes ao nematóide em vários estudos conduzidos no País; são também muito desfavoráveis aos nematóides de galhas e têm no crescimento lento a principal limitação. Devem ser incorporadas apenas ao final do ciclo, para que possam atuar por mais tempo.

A C. juncea é a preferida dos agricultores no Brasil, pelo volume de biomassa produzido e crescimento mais rápido, mas comporta-se como moderadamente suscetível a P. brachyurus e, como tal, pode proporcionar condições a que níveis eventualmente altos de população do nematóide se mantenham, ou até sofram ligeiro aumento; por vezes tem sido empregada com sucesso no manejo de nematóides de galhas, porém, em relação a P. brachyurus, sua utilização implica em sérios riscos.

A utilização de mucunas (Mucuna spp.) em rotação visando ao manejo de P. brachyurus sofre igualmente sérias restrições porque, ao que tudo indica, comporta-se como planta suscetível ao nematóide durante todo o ciclo vegetativo, multiplicando-o no local. Segundo alguns estudos, o controle dessa espécie e mesmo de outros nematóides pode vir a ocorrer, porém somente depois de adequada incorporação da parte aérea das plantas, já que a morte desses organismos parece decorrer da liberação progressiva de substâncias tóxicas no solo durante tal processo, o que pode demandar meses. Ainda em relação aos adubos verdes, há o feijão guandu (Cajanus cajan). Neste caso, há forte indicação de que o sucesso do controle estará na dependência da cultivar escolhida para a rotação. Assim, o guandu anão ‘IAPAR 43’ tem se mostrado resistente a P. brachyurus em recentes pesquisas realizadas, ao passo que o feijão guandu ‘Fava Larga’ comporta-se como muito suscetível, devendo ser evitado.

Entre as culturas usadas como coberturas de solo, normalmente tidas como de inverno, algumas podem ser recomendadas. São os casos do nabo forrageiro comum e do amaranto ‘BRS Alegria’, que apresentaram baixíssimos valores de taxa reprodutiva de P. brachyurus em diferentes estudos conduzidos no País e poderiam ajudar a reduzir a população do nematóide de modo expressivo a cada ciclo de cultivo. Quanto ao nabo forrageiro, sabe-se que o seu cultivo pode afetar negativamente o crescimento de algodão plantado em seqüência no mesmo local, provavelmente devido a problema de alelopatia, aspecto que precisa ser avaliado no caso da soja. O amaranto, por sua vez, tem como possível limitação a suscetibilidade a Rotylenchulus reniformis (= nematóide reniforme), uma outra espécie de nematóide, parasita comum do algodão na região Centro-Oeste, mas que também pode atacar a soja; portanto, em área com infestação mista de P. brachyurus e R. reniformis, apesar do ótimo potencial, o amaranto não é a melhor opção.

Algumas cultivares de aveia preta (Avena strigosa) também têm mostrado reação de alta resistência frente a P. brachyurus em pesquisas nacionais recentes, podendo ser cogitadas para uso. Incluem-se Campeira Mor, Comum, Garoa e IPFA 99006. A escolha da cultivar é muito importante neste caso, pois, nos mesmos estudos, outras cultivares de aveia preta, branca e amarela mostraram-se suscetíveis ou moderadamente suscetíveis ao nematóide, duplicando ou triplicando seus níveis populacionais após curto período.

Pastagens, como as principais espécies de braquiárias (Brachiaria spp.) e cultivares de capim colonião (Panicum maximum), não constituem alternativas ao manejo de P. brachyurus, sendo suscetíveis e provendo-lhe intensa multiplicação nas raízes.

Como se verifica, o controle de P. brachyurus é tarefa difícil e que começa a se mostrar imperiosa, inadiável, a muitos sojicultores, representando mais um desafio na área sanitária, ao lado do combate aos nematóides de galhas e ao nematóide de cisto. Diferentemente de hoje, espera-se que, em futuro próximo, já se possa contar com fontes de resistência a essa espécie de nematóide não apenas em soja como em milho, milheto e outras culturas de interesse para utilização na produção da soja sob plantio direto, o que será fundamental no sentido de tornar o controle de P. brachyurus menos complexo.

Revista Plantio Direto, edição 96, setembro/outubro de 2006. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo, RS.